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Carta: De ‘Nós Mulheres’, a importância da imprensa feminista

Larissa Mayumi, 
Movimento de Mulheres Olga Benario

Capa da Segunda Edição do Jornal Nós Mulheres.

SÃO PAULO – A imprensa feminista no Brasil foi um instrumento importante para o avanço das lutas políticas gerais e específicas das mulheres. Em plena época de repressão e censura da ditadura militar, durante a década de 1970, surgem os jornais “Nós Mulheres” e “Brasil Mulher”, pautando, principalmente, a luta pela anistia, pelas creches e pelas liberdades democráticas, além das pautas específicas das mulheres, como a violência doméstica, condições de trabalho das mulheres, direitos reprodutivos, aborto e sexualidade [1].
Para termos uma ideia da política destes jornais e nos inspirarmos a fortalecer nossa imprensa popular, segue o primeiro editorial do jornal “Nós Mulheres“, publicado em 1976:
“Acho que Nós Mulheres devemos lutar para que possamos nos preparar, tanto quanto os homens, para enfrentar a vida. Para que tenhamos o direito à realização. Para que ganhemos salários iguais quando fazemos trabalhos iguais. Para que a sociedade como um todo reconheça que nossos filhos são a geração de amanhã e que o cuidado deles é um dever de todos e não só das mulheres.
É possível que nos perguntem: ‘Mas se as mulheres querem tudo isto, quem vai cuidar da casa e dos filhos?’. Nós responderemos: o trabalho doméstico e o cuidado dos filhos é um trabalho necessário, pois ninguém come comida crua, anda sujo ou pode deixar os filhos abandonados.
Queremos, portanto, boas creches e escolas para nossos filhos, lavanderias coletivas e restaurantes a preços populares para que possamos junto com os homens assumir as responsabilidades da sociedade. Queremos também que nossos companheiros reconheçam que a casa em que moramos e os filhos que temos são deles e que eles devem assumir conosco as responsabilidades caseiras e nossa luta é por torná-las sociais.
Mas não é só. Nós Mulheres queremos, junto com os homens, lutar por uma sociedade mais justa, onde todos possam comer, estudar, trabalhar em trabalhos dignos, se divertir, ter onde morar, ter o que vestir e o que calçar. E, por isto, não separamos a luta da mulher da de todos os homens e mulheres, pela sua emancipação” [2].
[2] Breve história do feminismo no Brasil e outros ensaios. Maria Amélia de Almeida Teles.
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