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Ato Povo na Rua Fora Bolsonaro tem cobertura inédita feita somente por pessoas com deficiência

Foto: reprodução.

Carla Castro* e Acauã Pozino**

O que Frida Kahlo, Rosa de Luxemburgo, Antonio Gramsci e José Mariátegui têm em comum? Todos são conhecidos por serem socialistas e comunistas. Porém, é preciso lembrar que todos esses camaradas tinham deficiência, fato que foi apagado historicamente, e mesmo assim lutaram bravamente, cada um em seu período e país. Ou seja, não é de hoje que revolucionários se organizam política e socialmente.

Resolvemos escrever este artigo porque queremos compartilhar com todos os nossos companheiros e companheiras de militância que somos mais de 45 milhões brasileiros com algum tipo de deficiência e que queremos nos somar na luta contra as opressões que tentam sucumbir o nosso povo. Seja na luta pela vacina, emprego, comida ou pelo fora Bolsonaro. 

Aqui podemos fazer um parêntese. Nos tempos sombrios que estamos vivendo, onde direitos consolidados são retirados, os grupos tidos como minoritários são os primeiros a perderem o pouco que tinham, visto que Bolsonaro vem tentando articular a retirada da obrigatoriedade da Lei de Cotas no setor privado. Ele já tentou emplacar um projeto de lei (PL 905) que perdeu a validade, mostrando que está disposto a tudo para encher o bolso dos ricos que não querem oportunizar o ingresso dos nossos pares no mercado de trabalho.

Foto: Bárbara Finger

Nesse sentido, lutar contra o Bolsonaro é lutar contra o capacitismo. Porém, para estarmos na rua é preciso apoio dos camaradas. Imaginam uma pessoa cega andando no meio de milhões de pessoas em ruas esburacadas? Ou uma pessoa com mobilidade reduzida em meio a tantos desníveis de calçadas? Todas essas problemáticas foram levantadas na primeira cobertura dos atos chamados pela articulação Povo na Rua Fora Bolsonaro, no último sábado, 19 de junho. 

Por iniciativa do canal no YouTube da Associação RS Paradesporto, fizemos o chamando a todos os companheiros que têm deficiência no país e que iriam às ruas, além dos que acompanharam de casa, para debater durante uma live que durou mais de 9 horas. Mais de 30 PCDs entraram ao vivo dando seus relatos sobre as atividades de norte a sul do país. A transmissão acompanhou também a cobertura do Jornal A Verdade, e contou com a entrada ao vivo de Porto Alegre, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Natal. 

Em Porto Alegre, por exemplo, os companheiros com deficiência tiveram o apoio de um carro para usar quando preciso. Enquanto o militante do Movimento Luta de Classes (MLC), Rodrigo Fuscaldo, passou todo o trajeto dando apoio no carro de som, eu, Carla, fui questionada várias vezes se gostaria de acompanhar o percurso de carro para descansar. 

Foto: Bárbara Finger

No Rio de Janeiro não foi diferente. Eu, Acauã contei com a atitude camarada dos companheiros do Movimento Correnteza e da União da Juventude e Rebelião (UJR) que me guiaram durante todo o percurso da manifestação fazendo as descrições visuais de faixas, bandeiras e cartazes, além da disposição geral do ato e da distribuição das forças presentes na atividade. Inclusive, assumi a tarefa de carregar o bandeirão do Correnteza como outros camaradas. 

A nossa presença nas ruas é fundamental. Porém, sabemos que nem todos os companheiros e companheiras estão em organizações que entendem a importância da participação das pessoas com deficiência. Por isso, reforçamos que a Unidade Popular pelo Socialismo, único partido que obteve registro eleitoral durante o governo Bolsonaro, é o partido dos homens, das mulheres, dos negros, dos quilombolas, dos indígenas, das pessoas LGBT+ e de nós, pessoas com deficiência, e todos os grupos que estão cansados dos retrocessos e vemos no partido uma ferramenta de luta contra as opressões causadas pelo falido sistema capitalista que está com os dias contatos.

Como afirmou Mariátegui: “a revolução é uma obra política. É uma realização concreta. Longe das multidões que a fazem, ninguém pode servi-la eficaz e validamente. O trabalho revolucionário não pode ser isolado, individual, disperso. Os intelectuais de verdadeira filiação revolucionária não têm mais remédio que aceitar um posto em uma ação coletiva”. 

Certamente, os milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência estão entre os que perderam o direito ao auxílio emergencial, aos que não tem moradia digna, aos que mais sofrem com todos os tipos de violência. Para construir o poder popular, necessariamente é preciso pensar nesse exército de pessoas!  

* jornalista e coordenadora estadual do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas do RS (MLB/RS)

** estudante de Letras da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e militante do Movimento Correnteza

Ambos constroem a coordenação do Movimento Nacional das Pessoas com Deficiência do Fórum Social Mundial

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