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segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Programa espião é usado para monitorar celulares de opositores

ESPIONAGEM – Capitalistas utilizam espionagem para monitorar opositores (Foto: Reprodução)

Heron Barroso

RIO DE JANEIRO – Investigação da ONG Forbidden Stories e da Anistia Internacional revelou, em julho, que jornalistas, grupos de ativistas e políticos de oposição de 50 países, entre eles o Brasil, tiveram seus smartphones invadidos por um programa de espionagem israelense chamado Pegasus.

Criado pela empresa privada NSO Group, o programa invade os celulares dos alvos e passa a controlar seus aparelhos. Uma vez instalado, o Pegasus é capaz de roubar praticamente qualquer informação, acessando secretamente aplicativos como Gmail, Facebook, WhatsApp, Skype, Telegram, Instagram e outros. Além disso, monitora as comunicações de SMS, grava ligações enviadas ou recebidas e coleta toda a informação do calendário, localização GPS e senhas armazenadas no celular. Ele também é capaz de filmar secretamente através da câmera e ativar o microfone para ouvir conversas, mesmo com o aparelho em modo avião.

Especialistas afirmam que o Pegasus é, provavelmente, o spyware – programa malicioso criado para se infiltrar e coletar informações sem ser descoberto – mais poderoso já criado. O software pode infectar qualquer equipamento que use os sistemas operacionais iOS ou Android.

Pesquisadores tiveram notícias da existência do programa pela primeira vez em 2016, quando celulares foram invadidos via spear-phishing – estratégia que leva usuários a clicar em links maliciosos presentes na internet e geralmente mandados por e-mail ou sms.

As mensagens enviadas aos alvos são normalmente personalizadas com temas de interesse da vítima para aumentar as chances de sucesso. Quando a pessoa clica no link, tem seu aparelho infectado. O principal link associado ao vírus no Brasil é o ‘signpetition[.]co’, o que indica que os objetivos da espionagem seriam políticos.

A invasão nos smartphones também pode ocorrer por meio de “ataques de clique zero”, ou seja, o programa espião invade os dispositivos via falhas ou bugs ainda desconhecidos em aplicativos ou sistemas operacionais.

Segundo o jornal Washington Post, os clientes da NSO Group são agências de inteligência e governos. Entre as mais de 50 mil pessoas espionadas pelo Pegasus, já foram identificadas pelo menos mil vítimas. Entre elas, há 189 jornalistas, mais de 600 políticos, 65 executivos de empresas, 85 ativistas de direitos humanos, dirigentes sindicais e funcionários de governo – incluindo ministros, presidentes e primeiros-ministros.

O controle da burguesia sobre as comunicações

Diferentemente do programa da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês), revelado em 2013 e capaz de vigiar indiscriminadamente os registros telefônicos, o programa Pegasus permite que governos e agências de espionagem monitorem pessoas específicas, como militantes políticos, por exemplo.

Além disso, por tratar-se de um software desenvolvido por uma empresa privada, o Pegasus pode ser adquirido por qualquer governo. Ou seja, não é mais preciso ser um país imperialista, com enormes recursos financeiros e tecnológicos, para espionar seus opositores.

Dessa forma, seria bastante ingenuidade acreditar que existe algum meio de comunicação sob controle da burguesia que seja completamente seguro.

De fato, os governos burgueses e seus órgãos de repressão têm programas de espionagem e rastreamento funcionando permanentemente. Inúmeros livros, artigos, filmes e documentários comprovam isso. O jornal A Verdade já denunciou vários desses programas, que possibilitam acesso irrestrito a e-mails, conversas online e chamadas de voz em sites e serviços como o Facebook, Google, Yahoo, Microsoft, Skype e YouTube.

As comunicações por celular são as mais vulneráveis à interceptação. Hoje, as agências de inteligência e órgãos de repressão conseguem saber se o aparelho X está ligando para Y, a que horas e quanto tempo demorou a ligação, bem como de onde estão falando e quem são os titulares dos aparelhos. Podem até saber quem está falando ao telefone por meio da análise de reconhecimento da voz.

Nós podemos instalar um software remotamente em um aparelho, operando-o de maneira completamente independente dele. Podemos espiar você. Sabemos suas chaves de criptografia para chamadas. Podemos ler suas mensagens de texto. Além da pura espionagem, podemos roubar dados de seu cartão SIM, sua identidade móvel e cobrar da sua conta”, revelou Karsten Nohl, fundador da empresa alemã Security Research Labs e um dos maiores especialistas mundiais em segurança da informática.

A falsa “democracia” da internet

Toda essa facilidade dos serviços de inteligência em monitorar o que fazemos ou dizemos na internet e pelo telefone não seria possível sem a colaboração das grandes empresas de telecomunicações e de internet.

Como se sabe, quem controla a internet são as grandes empresas privadas dos Estados Unidos, como a Microsoft, Yahoo, Google ou Facebook. Essas empresas possuem acordos de cooperação com o governo dos Estados Unidos e seus países aliados, dando livre acesso aos serviços de espionagem às informações armazenadas em seus bancos de dados.

Para os militantes e organizações revolucionárias que lutam pelo fim do capitalismo e pela transformação da sociedade não pode haver dúvidas em relação aos limites da democracia burguesa e à importância de se manter sempre atentos em relação à vigilância dos órgãos de repressão do Estado.

Combater o liberalismo e redobrar a atenção ao que se fala e compartilha pelo celular, e-mail ou redes sociais deve se tornar um hábito. Usar antivírus e senhas complexas nos dispositivos, não clicar em qualquer coisa que recebemos e desconfiar de anexos e endereços de e-mail desconhecidos também podem dificultar que programas maliciosos invadam nossos dispositivos. Afinal, não podemos confiar nem um tantinho assim na burguesia.

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