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sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Até quando os estudantes da UDESC vão estudar com fome?

Foto dos estudantes se alimentando no RU Móvel. (Créditos da foto: Luiza Wolff)

 

 

 

No dia 28 de março, as aulas na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) voltaram de forma presencial e os estudantes dos centros do Campus 01 – Florianópolis se depararam com o restaurante universitário (RU) desativado, em reformas e as cantinas fechadas. Durante 2 anos de pandemia, a reitoria, em posição de total descaso com a universidade pública e seus estudantes, não reformou os prédios e sequer fez as licitações para o funcionamento das cantinas e do restaurante universitário.

Por Luiza Wolff e Kian Amaro da UJR de Santa Catarina.

EDUCAÇÃO  O restaurante universitário da UDESC é terceirizado e a  empresa que irá oferecer o serviço é selecionada pela universidade por meio de uma licitação. Mas, a licitação feita pela UDESC, além de iniciar depois da volta presencial das aulas,  abre margem para que a cobrança do almoço possa chegar a R$ 11,98, mais do que o dobro do preço que os estudantes pagavam antes do ensino remoto que era de R$ 4,50, já considerado caro para a realidade da maioria dos estudantes. 

O reitor da UDESC, em discurso no início do ano de 2022, informou aos estudantes, professores e servidores, que a universidade foi superavitária durante o ano de 2021. Em 2020, gastou R$ 79 milhões de reais na compra de um prédio, que antes pertencia a Oi Telecomunicações, empresa que tinha dívidas com o estado de Santa Catarina. Se tem tanto dinheiro, onde está quando se trata da permanência estudantil ou de outras necessidades dos estudantes pobres?

A falta do RU na universidade coloca os estudantes em insegurança alimentar, pois ficam sem saber como vão comer na próxima refeição e se vão conseguir comer até o final do mês.

Boa parte destes estudantes, além de estudar, recebe algum tipo de bolsa da universidade, de extensão, trabalho ou pesquisa, bolsas estas que não passam de R$ 460,00 por mês e muitos precisam trabalhar para se sustentar, ou sustentar suas famílias. Passam, muitas vezes, o dia inteiro após o trabalho sem se alimentar ou se alimentando muito mal com lanches ou salgados caros comprados nos mercados e estabelecimentos ao redor da universidade.

Pela falta de alimentação, foi relatado que já houveram desmaios em meio às aulas. Além disso, o PRAFE (Programa de Auxílio Financeiro aos Estudantes em Situação de Vulnerabilidade Socioeconômica) oferece diariamente como auxílio alimentação R$ 8,50, valor que não cobre o preço do novo RU e nem da comida oferecida no entorno da UDESC. 

Num país em que 116 milhões de cidadãos estão passando fome (Rede Penssan 2021), temos uma universidade pública que não está em contato com a realidade e uma reitoria que ignora os problemas enfrentados pelos estudantes. 

Ainda, como uma forma de “tapar o buraco”, foram instalados Food Trucks, vinculados à Câmara de Dirigentes Lojistas de Florianópolis (CDL Florianópolis). Os serviços oferecidos pelos Food Trucks, são caros (R$ 25,00 um prato feito), não tem a mesma qualidade e favorecem o lucro das empresas ao invés da permanência dos estudantes pobres da universidade. 

O campus 01 é um dos dois campi do estado que tem restaurante universitário e,  além do aumento dos preços, não oferece café da manhã e jantar, mesmo a UDESC funcionando desde a manhã até a noite. Não oferecer acesso à alimentação para os estudantes do turno da noite, que geralmente trabalham o dia inteiro, é permitir que eles estudem com fome, além de ofender o direito a igualdade de tratamento entre estudantes dos turnos matutino e noturno. 

Em meio ao descaso da reitoria, os estudantes se mobilizaram para trazer de volta o RU móvel, uma forma de manifestação que já havia sido usada em outros anos na luta pelo RU na UDESC.

Os estudantes cozinham e distribuem gratuitamente refeições para outros estudantes como uma forma de lutar por preços mais baixos e pela qualidade do RU, além de denunciar o pouco caso da reitoria.  Esta mobilização está acontecendo há mais de 3 semanas (uma vez na semana) e está sendo sustentada pelos próprios estudantes e professores.

Na terça-feira, dia 19 de abril, os estudantes ocuparam uma reunião dos servidores com o reitor Dilmar Baretta e exigiram respostas sobre a situação. O reitor deu apenas respostas vagas e tentou ao máximo enrolar para não responder os questionamentos. Foi cobrado que o reitor apareça no próximo RU móvel para uma conversa aberta com os estudantes e que ele traga respostas. 

O restaurante universitário é uma política de permanência dos estudantes e não um estabelecimento empresarial com fins lucrativos. Ele precisa garantir a alimentação dos estudantes e não encher o bolso dos donos do restaurante. Ainda, com a situação da fome e da miséria em nosso país, ele deve ser uma garantia de que os estudantes pobres possam ter o direito de continuar estudando!

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