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terça-feira, 16 de julho de 2024

Casa de Referência Ieda é despejada por governador Ibaneis (DF)

Maria Eduarda | Movimento de Mulheres Olga Benário – DF

Na véspera de Natal, dia 21 de dezembro de 2022, exatamente um mês após sua reocupação, a Casa Ieda, construída pelo Movimento de Mulheres Olga Benario para acolher e orientar as mulheres vítimas de violência no Guará (DF) foi novamente desocupada pelo Governo do Distrito Federal e pela Administração do Guará. A ação ocorreu debaixo de chuva, logo pela manhã, com dezenas de policiais militares com cassetetes em mãos, viaturas, Detran, Corpo dos Bombeiros, caminhões, carros e caminhonetes da administração local.

Mesmo com um processo judicial em curso, chegaram arrombando a porta e quebrando a janela, desalojando a coordenação e as demais mulheres atendidas. Logo em seguida, a Administração começou a retirar as telhas e destruí-las, deixando a casa exposta a chuva e sol, deteriorando sua estrutura. Até mesmo a horta, onde cultivavam-se plantas medicinais, cebola e alface, que estavam prontas para colheita, foi destruída.

A Administração alegou que a retirada das telhas foi para diminuir o peso da estrutura por supostos riscos, mas ficou óbvio que é justamente a estrutura sem cobertura que aumenta a deterioração do imóvel, pois como afirma a coordenadora da Casa, Thais Oliveira, “o objetivo do governo é demolir a casa e impedir a volta das mulheres ao imóvel. Por isso que destelharam. Esta atitude é uma vergonha, pois o governo, que era para cuidar dos bens públicos, é o primeiro a depredar. Além de ser uma violência às mulheres que perderam seu local de segurança e convívio com uma rede de apoio.” 

Enquanto isso, 44 mulheres são vítimas diárias de violência, e existe apenas uma Casa da Mulher Brasileira em funcionamento. É uma verdadeira ofensa à vida e aos direitos das mulheres por parte do Estado. Junto a isso, existe o despreparo da Polícia Militar, que dificulta a confiança da mulher nesses servidores quando o assunto é violência. 

Mesma polícia

Nos últimos meses ocorreu uma série de ações criminosas organizadas por fascistas em Brasília. Estas ações deixaram claro para todos de que lado a polícia está. No dia 12 de dezembro, enquanto ocorria a diplomação do presidente eleito Lula, fascistas tocaram fogo em carros e ônibus. A polícia não prendeu nenhum criminoso. No dia 8 de janeiro, os mesmos delinquentes realizaram uma tentativa de golpe, invadindo e destruindo a Câmara, Senado, Palácio do Planalto e STF e novamente o que se observou foi a polícia permitindo e facilitando a entrada dos golpistas.

Ficou claro, portanto, que a mesma Polícia Militar do DF, que foi cúmplice destes atos golpistas, é a que agrediu mulheres e prendeu Thais Oliveira, coordenadora da Casa Ieda, em novembro, de forma truculenta, e agora desaloja e depreda o imóvel. O lado que a polícia está não é o lado do movimento que constrói e revitalizava um bem público para defender mulheres vítimas de violência e, sim, o lado dos grandes empresários que financiaram durante meses os acampamentos e atos golpistas. 

A luta pela vida e direitos das mulheres continua!

O milionário governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, afastado pelo STF por ser cúmplice dos atos golpistas, acha que com a repressão vai impedir ou desestimular as que lutam pela vida das mulheres e seus direitos. Muito pelo contrário, todas estas injustiças deixam cada vez mais visíveis o papel do Estado capitalista que está a serviço dos grandes empresários. Ao mesmo tempo, demonstra que o único caminho possível para as lutadoras e lutadores sociais é fortalecer sua organização e a luta popular para impor vitórias.

O Movimento Olga Benário saiu deste processo de luta muito mais fortalecido do que quando entrou. São dezenas de novas mulheres que ingressaram e que têm grande apoio da sociedade. Vamos restabelecer uma sede para a Casa Ieda Santos Delgado! Esta luta está só no começo. A força das mulheres que construíram e irão reconstruir a Casa Ieda é inspiradora e seguimos com a certeza de que voltaremos com muita resistência e motivação. Honraremos o nome de Ieda Santos Delgado, que enfrentou a ditadura militar. Venceremos!

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