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sexta-feira, 12 de julho de 2024

“Dia do Publicitário” ocorre em meio a exploração da categoria

No dia 1 de fevereiro, o “Dia do Publicitário ”, a categoria de trabalhadores publicitários pouco tem a comemorar à medida em que possuem baixos salários, poucos direitos trabalhistas e um baixo reconhecimento de seus trabalhos.

Everaldo Oliveira, estudante de Publicidade e Propaganda e militante da UP no Rio Grande do Sul.


BRASIL – Neste dia 01 de fevereiro é comemorado o Dia Nacional do Publicitário, pois exatamente no ano de 1966 foi aprovada a Lei nº 4680 que regulamenta a profissão de Publicitário e Agenciador de Propaganda. Porém, essa categoria tem pouco a comemorar, quando atualmente há uma retirada dos direitos dos trabalhadores se um dos maiores setores que mais movimentam dinheiro no país.

Segundo pesquisa do Salario.com.br junto a dados oficiais do Novo CAGED, eSocial e Empregador Web, com um total de 15.697 salários de profissionais admitidos e desligados pelas empresas, no período de Janeiro a Dezembro de 2022. A média salarial de um profissional da publicidade e propaganda é de R$ 3.527,59. O valor varia de acordo com a fonte, em alguns sites de emprego estimam uma média de R$2.100,00.

Como não há um piso salarial regulamentado, resta para a categoria salários de fome. Apesar de alguns poucos profissionais renomados receberem salários maiores do que a média, a verdade é que a grande maioria dos profissionais formados em publicidade estão trabalhando em contratos PJ e sem direito à férias, décimo terceiro e aposentadoria.

Capitalismo explora trabalhadores da publicidade 

O capitalismo tem explorado cada vez mais a mão de obra dentro das agências e precarizando as relações de trabalho. Isso fica claro quando observamos a grande quantidade de estagiários nas empresas, contratados para “aprender”. O que esse sistema esconde é que os estagiários são colocados em regimes de trabalhos mais intensos com cobrança de qualificação prévia para ganhar “pontos a mais” na hora da entrevista de emprego.

Isso significa, por um lado, a contratação de estagiários por salários menores e exigência deles o conhecimento de profissionais formados, e por outro lado, aumentar o desemprego entre aqueles que já concluíram a graduação.

Com mais desempregados os salários tendem a ficarem menores pois “sempre há alguém precisando” de um emprego. Sem regulamentação da profissão, os capitalistas fazem a festa com a retirada de direitos.

Empresários aumentam lucros enquanto retiram direitos 

Apesar de tamanha exploração e sucateamento, o setor de publicidade e propaganda voltado a compra de mídia movimentou cerca de R$ 69 bilhões em 2021, isso de acordo com a pesquisa Kantar IBOPE Media. Em relação aos primeiros seis meses de 2022 a publicidade cresceu 22% em relação ao ano anterior, representando R$ 17,6 bilhões de investimentos.

A publicidade é uma das áreas que mais movimenta recursos no setor de serviços. Apesar disso, o salário dos trabalhadores não acompanha o mesmo patamar.

Isso ocorre pois o capitalismo possui interesse na relação entre compra e venda dos espaços de mídia e no retorno que a técnica e metodologia aplicada na comunicação vai dar retorno em vendas. Quem ganha são as empresas de mídia, como canais de TV, Rádio, Jornais, Facebook, Google e etc.

Por tudo isso, pouco há de se comemorar neste dia 1º de fevereiro. Precisamos encontrar novas formas de reorganizar os e as trabalhadoras publicitárias, pautar a regulamentação da profissão com piso salarial, direitos trabalhistas, salários justos e carga horária padrão.

É preciso combater o machismo dentro da profissão e tomar os sindicatos que representam a categoria. Reivindicar melhores condições de trabalho e tornar o fazer publicidade algo popular, com responsabilidade social. Esta tarefa não é fácil e vai exigir uma luta árdua dos trabalhadores em defesa de seus direitos.

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