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segunda-feira, 20 de maio de 2024

A moradia na Região Metropolitana

…no bairro do Janga, em Paulista. O imóvel desabou parcialmente e resultou em 14 mortos e 7 feridos. O prédio havia sido interditado pela prefeitura, mas não houve nenhuma medida para abrigar os moradores desse lugar, os deixando sem opção para encontrar outra moradia.

Wellyson Gomes Pereira | Pernambuco


 

A região metropolitana do Recife, atualmente a 7ª maior do Brasil, desde os anos 70, tem um crescimento urbano mal planejado e se viu a necessidade da construção de grandes conjuntos habitacionais e condomínios para moradia da população. No entanto, essas construções não tiveram presença de uma análise ambiental sobre a Região Metropolitana do Recife (RMR), não havendo consciência sobre as características físicas e geográficas da região.

Um dos principais ecossistemas presentes é o mangue, no qual o solo é extremamente dificultoso para construções altas pois tende a compactar e afundar com o peso, no entanto, tal característica não foi levada em consideração para as construções. Resultado: todo ano há desabamentos na região metropolitana do Recife de prédios em condições precárias de construção. Dezenas de pessoas que ocupavam essas habitações morreram, neste ano, nesses desabamentos pela incompetência das empreiteiras em verificar o contexto ambiental daquela localidade.

O último ocorrido desse descaso aconteceu no bairro do Janga, em Paulista. O imóvel desabou parcialmente e resultou em 14 mortos e 7 feridos. O prédio havia sido interditado pela prefeitura, mas não houve nenhuma medida para abrigar os moradores desse lugar, os deixando sem opção para encontrar outra moradia.

Infelizmente, já é fato recorrente que prédios de conjuntos habitacionais desabem na RMR e, até agora, nenhum governo ou prefeitura se incomodou com essas mortes previsíveis para mapear os imóveis com risco e realocar a população que habita nessas construções.

Mata Atlântica em perigo

Desde a invasão sangrenta da coroa portuguesa às terras brasileiras, o bioma da mata atlântica sofre diversas ações criminosas contra o equilíbrio ecológico do ecossistema, para benefício próprio da elite. Porções de reservas florestais urbanas na RMR já apresentam denúncias de queimadas clandestinas. Muitas das áreas preservadas são vistas como bem localizadas pelas corporações imobiliárias.

Apesar da cooperação do governo passado para amenizar as leis ambientais a fim de favorecer esses casos de desmatamento, a causa ambiental ainda persiste e deve ser obrigatória sua presença no pleito de qualquer figura política

A Mata Atlântica preserva ainda muito da fauna e flora típica do Brasil e em nada os governos se preocupam em proteger essas espécies ameaçadas pelo capitalismo imoral. É fácil ser a favor do ambiente apenas na televisão e durante a campanha eleitoral. A luta pela preservação do meio ambiente deve ser, por consequência, a luta pelo fim do capitalismo, pois esse sistema visa o lucro acima de qualquer medida protetiva da natureza.

Necessidade de moradia

 “A gente ocupou aí porque não tinha onde morar. Minha irmã e os filhos dela estavam lá. Moravam cinco filhos com ela aí. A gente está sem notícia dela”, disse a irmã de Maria Conceição Mendes da Silva, moradora mais antiga do conjunto, antes das buscas se encerrarem.

Maria da Conceição infelizmente foi vítima dessa tragédia, assim como 3 filhos seus. Ela permanecia nessa habitação pois era onde conseguia viver com o dinheiro do Bolsa Família. Essa é a situação de milhões de família pelo Brasil inteiro, que não têm o direito à moradia garantido, diferente do previsto na Constituição Federal.

No Censo 2022, foi visto que 6,8 milhões de famílias não tinham lar, enquanto 18 milhões de moradias permaneciam desabitadas ou abandonadas sem cumprir sua função social, afinal para a burguesia e o capitalismo não é favorável abrigar essas famílias. É melhor para o sistema que essas pessoas vivam em locais de risco e cuidar das eventuais consequências, ao invés de garantir a função social dos imóveis e a segurança da população. Além disso, retirando o pouco das áreas verdes que restaram na RMR para a construção desenfreada de mais imóveis mal planejados.

Urge a necessidade da organização coletiva na luta pela moradia e pela reforma urbana e, para isso, é preciso chamar mais pessoas para somarem à luta com o Movimento de Luta no Bairros, Vilas e Favelas (MLB) para garantir que essas famílias não estejam sujeitas a esses descasos governamentais e empresariais. Tomemos o exemplo do trabalho realizado pelo MLB em Recife,  com as ocupações dos conjuntos habitacionais Ruy Frazão no bairro de afogados, Mulheres de Tejucupaco na Iputinga. Enquanto morar for um privilégio, ocupar é um direito!

 

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