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sexta-feira, 19 de julho de 2024

Manifestação unificada entre estudantes e professores da UEM toma as ruas de Maringá

O ano de 2023 se encerrou com a luta de estudantes e professores da Universidade Estadual de Maringá por reposição salarial e em defesa da educação pública.

Guilherme Stadler | Paraná

BRASIL – No mês de novembro, estudantes, professores e trabalhadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM) se concentraram, em frente ao Restaurante Universitário (RU), para pressionar a reitoria e o governo e intensificar a greve decretada pela comunidade universitária. 

A greve de professores  da UEM foi aprovada em uma Assembléia Geral Extraordinária convocada pelo sindicato da categoria, a SESDUEM, no dia 06 de novembro, retomando a iniciada em 15 de maio. A paralisação havia sido suspensa para analisar a proposta de alteração do plano de carreira docente, feita pelo Governo do estado.

Por que trabalhadores e estudantes estão em greve?
Segundo o presidente do sindicato, Thiago Ferraiol, “os professores vêm lutando desde o começo do ano pela reposição salarial, data-base, que o governo não paga há 7 anos. Isto está gerando uma defasagem de 42% no salário dos professores”. 

De acordo com Thiago, apesar de todos os obstáculos impostos à greve, os professores construíram a mobilização para enfrentar os ataques contra a educação pública e de qualidade, orquestrados pelo governador Ratinho Júnior (PSD): “o Governo do estado  apresentou algumas propostas que estavam muito rebaixadas em relação às exigências dos professores. Enfrentando, não há dúvida que só surge, ainda que rebaixada, por conta do nosso movimento. Então, é preciso continuar mobilizando e lutando porque, quanto maior a greve, melhor serão as propostas e conquistas”. 

Já a greve estudantil foi aprovada em uma Assembleia Geral convocada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), no dia 07 de novembro, com a presença de mais de 500 alunos. A partir do debate, os estudantes entenderam a necessidade de deflagrar greve discente na (UEM), em solidariedade à dos professores. Além disso, os estudantes apresentaram suas próprias reivindicações: suspensão imediata do calendário acadêmico; apresentação, por parte do governo, da data para retomada das obras para a moradia estudantil; retomada das obras dos blocos abandonados; diminuição do preço do RU; contratação de mais professores e funcionários; manutenção dos laboratórios da UEM e compra de materiais para os cursos e laboratórios. 

Mobilização

Com a unificação das greves, ocorreram diversas mobilizações de professores e alunos para defender a universidade pública contra as ofensivas do Governo do estado . Na quarta-feira 08 de novembro, por exemplo, houve uma ocupação do bloco J-12 de Geografia, tática do movimento estudantil para conquistar suas reivindicações e direitos. 

Diante de professores e alunos que estavam furando a greve, foram feitos piquetes para impedir a entrada em aula. Em uma dessas mobilizações, fura-greves e fascistas agrediram os estudantes nos piquetes: duas mulheres foram agredidas com empurrões e socos. Em resposta, a maioria dos estudantes lançaram palavras de ordem, como “respeita a greve!”. 

Estudantes e professores seguraram faixas e cartazes denunciando os ataques à educação pública. Muitas pessoas no trânsito, nos prédios residenciais e no comércio local pararam para ver a mobilização. Diante disso, foi realizado um jogral, para explicar a situação da Universidade Pública e os motivos da greve dos professores e estudantes. Houve tentativa de impedimento do ato, por parte dos guardas do terminal de ônibus. Porém,  devido à pressão dos professores e estudantes, os guardas recuaram e a mobilização seguiu. 

Conquistas no horizonte

Ainda no mesmo dia, os estudantes lotaram o auditório da reitoria para uma reunião com o reitor Leandro Vanalli e sua equipe. Nesta reunião foram expostas as demandas, que tiveram respostas positivas, pois a reitoria assumiu o compromisso com algumas pautas do movimento estudantil: informe mensal aos estudantes sobre o andamento das obras da moradia estudantil, inclusão da pauta no Conselho de Administração (CAD) para a redução do valor do tíquete do RU para R$3,50, ampliação do auxílio alimentação, programa de iluminação completa dos campi da universidade, paridade nos conselhos entre estudantes e professores etc. 

A luta está garantindo resultados, como os compromissos assumidos pela reitoria. E, também, avanços na consciência, com mais pessoas se mobilizando, participando das discussões e ampliando a luta. A greve é esse instrumento histórico da classe trabalhadora para a conquista de direitos. A unidade entre trabalhadores e estudantes se torna fundamental para melhorar as condições de vida do povo, sempre precarizada e atacada pela burguesia. Ela é a responsável pelas desigualdades sociais. Por isso, a unidade e a luta dos humildes deve ser um caminho para uma outra sociedade de justiça, igualdade e solidariedade, uma sociedade socialista. Como afirma o camarada Léo Péricles: “está na hora de sairmos da defensiva e irmos para a ofensiva!”.

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