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sexta-feira, 4 de abril de 2025

Agronegócio e mineradores atacam saúde da população de Corumbá (MS)

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Para impedir a presença do Estado na região, que pode ampliar fiscalização de atividades ilegais, agronegócio e mineradores pressionam a prefeitura de Corumbá (MS) a rejeitar projetos que melhorariam a saúde pública do município, como a utilização de “ambulanchas” e a criação de uma UBS fluvial e pontos de apoio médico no Rio Corumbá.

Redação MS


Durante uma recente brigada do jornal A Verdade, os moradores de Corumbá (MS) denunciaram aos brigadistas o enorme descaso do poder público com a saúde no município. A população enfrenta uma grave crise na saúde pública. Filas enormes, falta de médicos e péssimas condições dos equipamentos de saúde são algumas das principais reclamações. O cenário é ainda pior para as comunidades ribeirinhas e assentados, populações afastadas do centro urbano do município, que sofrem com a falta de atendimento contínuo e de qualidade.

Por Corumbá ser um dos mais extensos municípios do país, com mais de 64 mil km², muitas famílias precisam esperar dias por caronas ou pagar caro pelo transporte fluvial para acessar qualquer serviço público de saúde. Milhares de moradores estão a dezenas de quilômetros da Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima.

Agro faz lobby contra melhorias na saúde

Diante desse quadro, seria esperado que as autoridades municipais recebessem com festa qualquer investimento externo que melhorasse as condições da saúde local. Ledo engano. Em 2023, o superintendente do Ministério da Saúde no Mato Grosso do Sul, Ronaldo de Souza Costa, reuniu-se com o então prefeito Marcelo Lunes (PSDB) para apresentar projetos como a criação de uma UBS fluvial, a entrega de ambulanchas e a organização de pontos de apoio médico ao longo do rio Paraguai, que passa pelo município.

Com apoio financeiro das autoridades federais, incluindo os recursos destinados à remuneração do pessoal necessário, essas iniciativas, já implementadas com sucesso na Amazônia, têm o potencial de melhorar significativamente a qualidade de vida dos moradores ribeirinhos. No entanto, foram negligenciadas.

Sob pressão do agronegócio, que rejeita a presença do Estado na região, o município não aderiu aos projetos. Há décadas, latifundiários e mineradores ilegais atacam a população pantaneira para expulsá-la e ampliar o controle sobre as terras. A precariedade no atendimento de saúde, nesse contexto, favorece seus interesses. Além disso, uma maior presença estatal poderia intensificar a fiscalização contra crimes ambientais, como queimadas e desmatamento.

Mesmo após uma nova visita do superintendente do Ministério da Saúde em 28 de janeiro de 2025, quando se reuniu com a Vice-Prefeita e Secretária de Assistência Social e Cidadania, Bia Cavassa, e com o Secretário de Saúde, Antônio Juliano de Barros, o projeto não foi encaminhado pelo atual prefeito Gabriel Alves (PSB). Isso coloca em risco os prazos e pode levar à repetição do erro da administração anterior.

Diante do silêncio da prefeitura, movimentos sociais como o Movimento nos Bairros, Vilas e Favelas, bem como a Unidade Popular, articulam formas de pressionar as autoridades locais.

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