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sexta-feira, 4 de abril de 2025

Estudantes refundam DCE da PUC Campinas

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No dia 27/3, os estudantes da PUC Campinas, organizados em seus Centros Acadêmicos e junto com o Movimento Correnteza, realizaram a assembleia de refundação do Diretório Central dos Estudantes da universidade. O DCE renasce com a tarefa principal de conquistar o bandejão e garantir alimentação para todos os estudantes.

Redação SP


Em assembleia realizada na quinta-feira (27/03), os estudantes da PUC Campinas votaram a favor da rearticulação do seu DCE. Com presença da maioria das entidades da Universidade, os alunos chegaram para a assembleia em ato no Restaurante Universitário, cobrando o bandejão e denunciando os grandes lucros dos chamados “tubarões da educação”.

Desativado desde 2009, o DCE da PUC cumpriu um papel central na mobilização dos estudantes de Campinas durante sua existência. Além de organizar os estudantes para lutar contra a ditadura militar, o DCE foi protagonista na convocação da juventude pelas Diretas Já e nos atos pelo passe-livre no transporte público. Agora, a entidade renasce com a tarefa de conquistar o bandejão.

As mobilizações

A luta pelo Restaurante Universitário não é nova na PUC. Já em 2023, o Movimento Correnteza realizou um ato em um dos campi da universidade cobrando alimentação digna e acessível aos estudantes. Os alunos da PUC são obrigados a comprar salgados na universidade que chegam a custar 12 reais ou trazer marmitas de suas casas, o que tem sido cada vez menos comum com a realidade do aumento de preços dos alimentos no mercado.

Segundo Bea Garbini, estudante de psicologia, “o preço dos alimentos já era caro, com a reforma do refeitório de ambos os campi a situação piorou. Agora os preços aumentaram e quando você entra na praça de alimentação parece que está em um shopping e não em uma Universidade”

Com essa realidade posta, o Movimento Correnteza iniciou o diálogo com diversas entidades da Universidade para a conquista do Restaurante Universitário. Com as panfletagens e a divulgação de um abaixo assinado pelo bandejão, surge a ideia de rearticular o DCE com o intuito de mobilizar toda a Universidade para essa luta e, com isso, conseguir pressionar mais a reitoria da Universidade.

Ato na Universidade

No dia 27, data marcada pelos Centros Acadêmicos para a realização da assembleia de fundação do DCE, os estudantes realizaram um ato que cobrava alimentação de qualidade na PUC e denunciava as mensalidades abusivas cobradas pela Instituição sem nenhum retorno na permanência estudantil.

“Foi um ato bastante massificado, todos os CAs estavam lá. Os Centros Acadêmicos foram protagonistas dessa luta e conseguiram transmitir a todos os estudantes a necessidade de construir um DCE”, relata Luiza Siqueira, coordenadora estadual do Movimento Correnteza, membra da gestão provisória do DCE e estudante de psicologia

Gustavo Bispo, coordenador nacional do Movimento Correnteza, que estava presente no ato, complementa: “Os estudantes nunca estiveram parados, mas há muitos anos careciam de uma Entidade Geral que unificasse suas lutas. Os Centros Acadêmicos atenderam ao chamado de lutar pela permanência estudantil, por isso é tão simbólico esse DCE ser fundado depois de um ato que exija o bandejão para a PUC”.

A Assembleia

“A assembleia foi muito grande, a gente via a vontade de lutar e conquistar o bandejão da PUC nos estudantes. Hoje nós não temos condições de se alimentar na universidade, é mais de 80 reais o quilo do alimento, mais de dez reais o salgado no refeitório da PUC. Os estudantes entenderam que essa luta ganha força com uma Entidade Geral e com ela nossas reivindicações ganham força”, continua Luiza Siqueira.

A assembleia que debateu a situação da universidade e aprovou o Estatuto e a Gestão Provisória ainda contou com um momento histórico. José Antônio Alves de Paula, filho de Dorival Alves de Paula, um dos fundadores do DCE Livre da PUC na ditadura militar, prestigiou a refundação do DCE.

“É muito bonito o que vocês estão fazendo aqui. A luta é difícil mas olhar para o lado e ver os companheiros é o que dá força. Com certeza meu pai está aqui hoje, com muito orgulho”, disse José Antônio na saudação da assembleia.

Estudantes em assembleia aprovam fundação do DCE e gestão provisória por unanimidade. foto: JAV|SP
Estudantes em assembleia aprovam fundação do DCE e gestão provisória por unanimidade. foto: JAV|SP

Próximos passos

A fundação da entidade foi aprovada de forma unânime pelos estudantes presentes na assembleia. Além do estatuto, foram aprovados 8 alunos para compor a Gestão Provisória que tem como tarefa mobilizar a universidade para a primeira eleição do DCE em um prazo de 12 meses, além de convocar uma jornada de lutas pelo bandejão e permanência na Universidade

“O DCE da PUC cumpre um papel fundamental no interior de São Paulo. A fundação dessa Entidade intensifica o enfrentamento aos tubarões da educação e ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Nós estamos cansados de não ter investimento na educação, os estudantes querem um ensino de qualidade e a refundação dessa entidade mostra que a juventude tá com disposição de se organizar para essa luta”, sintetiza Karla, diretora da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP) pelo Movimento Correnteza.

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