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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Capitalismo aprofunda crise da água em Pernambuco

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Com 107 municípios em situação de emergência e barragens em colapso, Pernambuco enfrenta uma das piores crises hídricas de sua história. Enquanto isso, o governo estadual insiste em privatizar a Compesa, medida que aprofundará ainda mais a dificuldade para os pernambucanos.

Airton Soares- Petrolina (PE)


MEIO AMBIENTE- A crise hídrica em Pernambuco atinge proporções sem precedentes. Dados da Defesa Civil revelam que 107 municípios foram declarados em situação de emergência devido à estiagem prolongada. Desses, 20 reservatórios em cidades em emergência hídrica já entraram em colapso, somando 23 reservatórios colapsados no total. A barragem de Jucazinho, a sexta maior do estado, opera com apenas 0,83% de sua capacidade. A situação é crítica, com sete barragens já registrando 0% de água acumulada.

Esses números representam milhares de famílias sem acesso à água potável, agricultores que perderam suas plantações e trabalhadores sem sustento. É a consequência direta do capitalismo, que transforma um bem essencial à vida, como a água, em mercadoria.

As mudanças climáticas afetam os mais pobres

A crise hídrica em Pernambuco está ligada diretamente à crise climática global. Como destacou o jornalista Vijay Prashad em seu artigo “Crise climática: o capitalismo criou a catástrofe, o socialismo pode evitar o desastre“, cem das maiores corporações do mundo são responsáveis por 71% dos gases de efeito estufa industriais globais. São essas mesmas empresas, lideradas pela indústria de combustíveis fósseis, que se recusam a acelerar a transição energética necessária. Na questão da água, a situação é semelhante: o predomínio de monopólios estrangeiros atua em favor da privatização das distribuidoras, como é o caso da BRK Ambiental, empresa canadense que atua na Região Metropolitana do Recife por meio de uma PPP (Parceria Público-Privada) e pressiona pela privatização da Compesa.

Em Pernambuco, quem paga a conta dessa destruição são os trabalhadores, os moradores das periferias, os agricultores familiares e o povo pobre do Sertão. Enquanto as grandes corporações acumulam bilhões, o povo pernambucano enfrenta a falta de água.

O capitalismo cria e alimenta a crise, tenta lucrar com ela e a classe trabalhadora é quem paga a conta. Não é atoa que as recentes ondas de calor só vêm aumentando.

Privatização: serviço pior, conta mais cara

Diante da maior crise hídrica da história recente de Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) insiste em entregar o controle da água para empresas privadas, defendendo a privatização da Compesa. A BRK Ambiental é a prova de que privatização significa fracasso. Durante mais de uma década, a empresa aumentou a cobertura de esgoto em apenas 8%, passando de 30% para 38%. Mesmo assim, a BRK está entre as mais interessadas em assumir toda a Compesa.

Segundo dados da PNAD divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em agosto de 2025, Pernambuco ocupava a 21ª colocação nacional no fornecimento de água. A situação é crítica: 39,7% dos lares dependem de fontes alternativas, como rios, açudes e caminhões-pipa para se abastecerem.  Além disso, apenas 51,4% dos domicílios possuem ligação à rede ou fossa séptica conectada à rede geral.

Em Tocantins, depois que a BRK Ambiental assumiu 47 cidades, incluindo a capital Palmas, 70% dos tocantinenses passaram a sofrer com a falta de uma rede de esgotamento regular. E é a mesma situação em outros estados como o Rio de Janeiro, Ceará, São Paulo e Rio Grande do Sul.

A privatização agrava o problema porque empresas privadas negligenciam o investimento em áreas de baixa renda, visto que não geram lucro. Elas priorizam as regiões mais ricas, onde podem impor tarifas elevadas e excessivas, deixando o restante da população desamparada.

A Compesa é uma conquista popular

A criação da Compesa foi uma conquista da luta popular. Foi o povo pernambucano, organizado e mobilizado, que conquistou o acesso ao saneamento básico e pela distribuição de água.

O governo de Raquel Lyra, com o vergonhoso apoio do governo Lula, alega que a concessão trará R$ 23,2 bilhões em investimentos. Mas quem vai pagar? O povo, através de tarifas cada vez mais altas e de um serviço cada vez pior.

Só a luta pode barrar esse retrocesso

A crise da água em Pernambuco escancara uma verdade: o capitalismo é incompatível com a vida. Não é possível garantir água de qualidade para todos em um sistema que transforma tudo em mercadoria. Mais: quando falamos de água, estamos falando de saúde pública, um direito básico universal e qualidade de vida, coisas vistas como mercadorias nesse sistema decadente.

É urgente colocar os recursos naturais, incluindo a água, sob controle público e democrático, destinando-os ao bem-estar da população, com foco na universalização do saneamento básico e na ampliação de sistemas de captação e distribuição que beneficiem, prioritariamente, a população mais pobre, junto com isso ampliar ainda mais o combate efetivo às mudanças climáticas, o que envolve a redução de emissões e o investimento em fontes de energia renovável.

É por isso que a Unidade Popular vem compondo, junto a outros movimentos da sociedade civil organizada em Pernambuco a Frente Contra as Privatizações, que ao longo de todo o ano de 2025 organizou diversos atos e atividades contra essa política privatista, denunciando junto a população essa política entreguista. O leilão da COMPESA, ocorrido às escondidas no final do ano de 2025 é que entregou por 35 anos uma das empresas mais importantes de Pernambuco para o setor privado, mostra que só a luta pode barrar todo esse retrocesso. É preciso acabar com essa ótica de socializar o prejuízo e privatizar o lucro.

 

Privatizar água é um crime contra o povo! Defender a Compesa pública é defender a vida!

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