Nasce a Ocupação Francisco Bernardo, na cidade de Curitiba, organizada pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas. A mobilização conta com mais de 50 famílias sem teto da capital que não conseguem custear o valor do aluguel e sofrem com o aumento da carestia e do custo de vida.

O imóvel está localizado na rua _, em um espaço abandonado há mais de dez anos, sem cumprir função social. A Francisco Bernardo é a __ª ocupação construída pelo MLB, um dos maiores movimentos de moradia do país que lutam pela reforma urbana e pelo socialismo.
“A gente tamo na fila da COHAB há dezesseis anos, tamo pagando o aluguel cada vez mais caro, e a tendência só piora, as taxas imobiliárias aumenta, pra tudo você precisa de um fiador, um calção, faltam pedir um rim seu pra poder alugar uma casa; e com o recurso que a gente temos, o negócio é morar na comunidade, onde não tem segurança, não tem luz decente, não tem asfalto”, diz Reginaldo Nunes, militante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas e morador da ocupação.
A mobilização, organizada na última quarta (28), expressa a incapacidade do poder público de enfrentar a especulação imobiliária na 7° maior capital do país e solucionar o déficit habitacional que atinge milhares de famílias paranaenses: Atualmente, mais de 500 mil pessoas estão no déficit habitacional no estado, sendo 109 mil na capital de Curitiba e região metropolitana.

Segundo a COHAPAR (Companhia de Habitação do Paraná), a capital curitibana possui atualmente 43.261 casas localizadas em 322 favelas; e mais de sete mil casebres e barracos em áreas de risco e irregulares. Os moradores das comunidades enfrentam desafios maiores que o resto da população. Precisam lidar com a falta de condições mínimas de habitabilidade, como a falta de saneamento básico, falta de água intermitente, transporte público mais precarizado, além de perigos como deslizamentos e alagamentos.
Para as famílias que dependem do aluguel, o medo de não fechar as contas no fim do mês é uma constante. Nas periferias da capital, muitas famílias se submetem a aluguéis que consomem mais da metade do salário mínimo. Enquanto isso, a quantidade de pessoas em situação de rua na região central da cidade é crescente. Os dados expressam uma política de carestia que assola o estado: 32,6% dos trabalhadores paranaenses atuam na informalidade, ou seja, recebendo pouco e sem direitos; de acordo com o Ministério do Trabalho.

“Você não vive, você sobrevive dentro de uma comunidade, pra não morar debaixo da ponte ou do viaduto, né? Você enfrenta, com o calor, o pó, e com a chuva, a lama, de todo jeito o sem-teto se lasca. Enquanto isso, tem muito lugar vazio e tem muita gente desabrigada”, conclui Reginaldo.
Liderança da guerrilha, Francisco Bernardo foi um dos camponeses que, após serem ameaçados de expulsão de suas terras no município de Porecatu, iniciaram um levante armado para defender as suas vidas. De origem muito humilde, ajudou a fundar as ligas camponesas que atuaram no norte do estado em diversos enfrentamentos contra a burguesia latifundiária paranaense.