O governo entreguista de Ratinho Junior (PSD) iniciou o projeto de privatização do Porto de Paranaguá com o primeiro leilão de concessão de um canal de acesso à iniciativa privada no Brasil.
Leonardo Fontes e Willian Araki | Redação Paraná
BRASIL – O Porto de Paranaguá, localizado no estado do Paraná, é o terceiro maior porto de contêineres do Brasil e o maior graneleiro (exportador de grãos) da América Latina. Também conhecido como Porto Dom Pedro II, atualmente é administrada pela empresa pública Portos do Paraná. Em 2025 (ano em que o porto completa 90 anos), no entanto, o governo entreguista de Ratinho Junior (PSD) iniciou mais um projeto de privatização, com o primeiro leilão de concessão de um canal de acesso à iniciativa privada no Brasil.
O leilão foi uma verdadeira disputa bilionária e imperialista entre a empresa Consórcio Canal Galheta Dragagem (CCGD), formada pela brasileira FTS e o grupo belga DEME e a Chec Dredging Co. subsidiária da China Harbour Engineering Company (CHEC). A CCGD venceu a concessão pagando apenas R$ 275 milhões para explorar o porto por 25 anos.
Em contrapartida, enquanto o Porto é privatizado e nossa soberania é vendida, o povo da cidade de Paranaguá sofre com despejos violentos e ameaças da polícia federal.
Privatização é precarização
Após o leilão, o valor estipulado de investimento é de R$1,23 bilhão nos cinco primeiros anos, sendo de total responsabilidade da CCGD a dragagem, ou seja, a ampliação da profundidade do canal de acesso ao Porto, além de ser responsável por realizar estudos, sinalização e outras ações de manutenção e modernização do canal.
Porém, o que a história recente de nosso país nos mostra é que, para a iniciativa privada, o que importa é o lucro, empregando mão-de-obra terceirizada e precarizada, pouco investimento em pesquisas e estudos de impacto ambiental e segurança da população. Como aconteceu nos casos de Brumadinho e Mariana, vítimas do descaso das empresas de mineração Vale (privatizada em 1997) e BHP (multinacional australiana).
Assim, o governo fascista de Ratinho Jr que já tem investido nas privatizações das escolas e da empresa de Energia Copel, agora também planeja entregar o Porto de Paranaguá aos seus amigos empresários, representantes da burguesia e inimigos do povo. Incentivando que esse modelo de leilão também seja utilizado em outros portos do País, como Santos (SP), Rio Grande (RS), Salvador (BA) e Itajaí (SC)*. Entregando as riquezas de nosso país, a nossa soberania e o futuro das crianças para a iniciativa privada e o imperialismo estrangeiro.
Moradores sofrem despejos e ameaças
No dia 21 de outubro, a polícia federal, militar e a Guarda Civil Metropolitana realizou, através da 27ª fase da Operação AIFA (Ação Integrada de Fiscalização Ambiental), uma série de despejos violentos no bairro Jardim Figueira em Paranaguá. Com a desculpa de coibir desmatamentos e ocupações irregulares em áreas de preservação de mangue, o que ocorreu na verdade foi a demolição de casas de cidadãos que moravam há anos na região.
Rogério, trabalhador e morador do bairro, foi uma das vítimas dessa violência. Ele morava no local desde antes da pandemia, e ao voltar do trabalho, viu sua casa demolida, sem avisos. Sua única alternativa foi juntar os pedaços maiores e levantar um espaço para não ficar ao relento.
“Chegaram enquanto ele estava trabalhando, a gente chegou a avisar os policiais, o agente do IBAMA, mas eles não quiseram nem saber, meteram o pé na porta dele, no vidro e começaram a derrubar a casa dele. Quase mataram o cachorro dele.” relatou João (nome fictício), vizinho do Rogério que presenciou a cena.
Outros moradores, que estavam em casa, protestaram contra os despejos e foram recebidos pela polícia com fuzil na mão e ameaçados para não intervirem ou gravarem a situação. Além de serem ameaçados de prisão, multa ou apreensão de veículos, alguns moradores tiveram seus muros derrubados por se posicionarem contra a ação da polícia.
Segundo os moradores da região, os despejos estão sendo realizados para ampliar a capacidade logística da região, com abertura de mais centros de distribuição e estradas para dar vazão ao novo acesso que será construído.
Essa é mais uma prova de que no capitalismo, o estado é um aparato violento de opressão da classe trabalhadora pela classe dominante, a grande burguesia. Servindo para garantir o lucro de empresas estrangeiras em detrimento da vida e dos direitos dos trabalhadores.
A organização é o único caminho
Apesar da violência policial, o povo de Jardim Figueira não se intimidou. Vários moradores denunciaram à Unidade Popular (UP) e ao Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) a situação que estão vivendo e demonstraram que estão prontos para se organizar e lutar pelos seus direitos.
Apenas com o fim do capitalismo e a construção do estado socialista o nosso país poderá ter soberania nacional e dar dignidade para o povo.
*https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2025-10/porto-de-paranagua-e-concedido-ao-consorcio-canal-galheta-dragagem