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quarta-feira, 4 de março de 2026

Justiça por Guilherme: moradores protestam contra a violência policial em Cariacica (ES)

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Moradores de Santana, em Cariacica, realizaram um protesto na última terça-feira para cobrar justiça pelo assassinato de Guilherme, de 22 anos, morto após ser baleado por um policial militar.

Caio Coutinho | Espírito Santo


BRASIL – Em uma reação ao crescente cenário de letalidade policial no estado do Espírito Santo, familiares, amigos e moradores do bairro Santana, em Cariacica, foram às ruas manifestar-se e exigir justiça pelo assassinato do jovem trabalhador Guilherme Magalhães Perim Augusto, de 22 anos. Guilherme foi baleado por um policial militar e, embora tenha sido internado em estado grave, infelizmente não resistiu aos ferimentos e faleceu na última terça-feira (03/02).

Segundo a versão oficial da polícia, o disparo teria sido efetuado em “legítima defesa”, após Guilherme realizar manobras arriscadas e supostamente “jogar sua moto contra o policial após desobedecer a uma ordem de parada”.

Entretanto, o relato das testemunhas que estavam no local apresenta outra perspectiva: o policial estava lanchando no momento em que realizou a abordagem. Guilherme estaria parando o veículo, mas, devido à distância, precisou fazer um desvio em vez de apenas frear bruscamente, sendo baleado logo em seguida. Após o disparo, o policial teria fugido do local sem prestar socorro ou dar início formal à ocorrência.

A manifestação ocorreu no mesmo dia do assassinato e reuniu dezenas de pessoas, com imagens viralizando rapidamente. Durante o ato, manifestantes vestiram camisetas com o rosto de Guilherme, entoaram palavras de ordem, ergueram cartazes e bloquearam vias de uma rodovia da região.

Páginas de notícias alinhadas ao chamado “Populismo Penal Midiático” disseminaram, sem provas, que a ação policial ocorreu porque Guilherme estaria realizando um “grau” (manobra com a moto). É fundamental ressaltar que tal prática não é punível com pena de morte. Na verdade, a pena de morte é proibida pela Constituição de 1988 para crimes comuns. Contudo, a realidade brasileira demonstra que o uso inconsequente da violência brutal, especialmente contra o povo negro, pobre e periférico, tem sido a forma pela qual a polícia militar busca lidar com as questões sociais do país.

Histórico de violência

O caso de Guilherme não é isolado. No ano passado, a mesma cidade foi palco de outro crime que gerou indignação nacional: três policiais militares assassinaram o adolescente Kaylan Ladário dos Santos, de 17 anos, jogando-o do alto de uma ponte.

Esses episódios evidenciam o aumento da letalidade policial não apenas no Espírito Santo, mas em todo o Brasil. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, essa taxa cresceu 190% em uma década, sendo que 83% das vítimas são pessoas negras.

“Hoje em dia, nossos jovens não podem usar um boné de aba porque são vistos como bandidos. Se fazem uma tatuagem, são bandidos! Até quando, gente? Até quando vamos viver isso? Eu sou mãe! Até quando vamos viver essa violência no nosso estado? Vamos fazer justiça, queremos justiça em favor do Guilherme e do jovem que foi jogado da ponte!”, diz um familiar de Guilherme durante a manifestação.

O Jornal A Verdade, a Unidade Popular e a Frente Negra Revolucionária continuarão denunciando firmemente a política de extermínio da nossa juventude trabalhadora.

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