Dando continuidade à jornada de lutas contra a escala 6×1, a militância do Movimento Luta de Classes, com apoio da UP, ocuparam em todo o país mais de 17 shoppings junto aos trabalhadores para conquistar a derrubada da escala 6×1
Leonardo de Paula | Jundiaí (SP)
Trabalhador Unido – “Quando vocês chegaram eu tive esperança que a gente pode fazer alguma coisa, que a gente pode lutar”.
Milhares de trabalhadores em todo o Brasil tiveram a mesma reação que Suzana, moradora de Campinas, no estado de São Paulo, quando viu militantes da Unidade Popular pelo Socialismo (UP) e do Movimento Luta de Classes (MLC) ocuparem os shoppings do país para denunciar a escala 6×1.
A ação é a continuidade de uma agenda nacional de lutas, como os atos nas portas de fábricas realizados no último dia 4 de março, que colocaram mais de 2 mil trabalhadores em greve em todo o país para derrotar a escala 6×1.
Luta em todo o Brasil
Mais de mil trabalhadores ocuparam 17 shoppings de todo o Brasil. Na região sudeste foram 4 locais em São Paulo e no Rio de Janeiro o ato foi conduzido pelas lojas do Shopping Macaé, no interior do estado.
No nordeste, 5 estados contaram com ocupações simultâneas. O Shopping Jardins em Aracaju, Rio Poty em Teresina, Shopping Bahia, o Shopping Pátio em Maceió e os shoppings Guararapes e Boa Vista em Pernambuco também foram palco de denúncias contra a jornada desumana de trabalho a que os trabalhadores são submetidos.
No Pará, militantes estenderam faixas no Shopping Pátio Belém e os corredores de lojas panfletando e apresentando o Jornal A Verdade para os funcionários.
Na região sul foram realizadas grandes agitações em shoppings nas cidades de Londrina e Curitiba no Paraná e no shopping Total em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.
Já em Santa Catarina, foram realizadas ações no Floripa Shopping em Florianópolis e no Shopping Itaguaçu em São José, onde dois manifestantes foram presos pela polícia enquanto conversavam com trabalhadores.
Mesmo sendo um ato pacifico, já no início da mobilização a segurança agiu com truculência, roubando bandeiras e rasgando a faixa de denúncia à escala 6×1. Depois da violência, a Polícia Militar levou para delegacia dois militantes da UP que, após a pressão, foram liberados.
Durante o ato em Campinas, Mayara, militante do MLC afirmou: “Essa vitória, a vitória da derrubada da escala 6×1 vai vir pelas nossas mãos, não vai vir pelo congresso. Por isso nós estamos em todo o país dizendo que nós vamos vencer essa escala desumana e conquistar mais um dia de descanso para os trabalhadores.”
Congresso inimigo do povo
Enquanto os trabalhadores se mobilizam nas ruas, corre na câmara dos deputados a PEC 08/2025, de autoria da deputada Erika Hilton que prevê o fim da escala 6×1.
A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) tem previsão de ser votada até maio e tem sido atacada por deputados do centrão e do fascismo, como Gustavo Gayer (PL-GO) que declarou que “vamos ter demissão em massa, os produtos vão ficar 33% mais caros, haveria uma fuga de empresas no Brasil, milhões de pessoas iriam à informalidade”.
A verdade é que diminuição da escala, sem diminuição do salário, aumentaria a produtividade dos trabalhadores e melhoraria a vida do povo, como é o caso da Alemanha, um dos países com maior PIB do mundo e que conta com uma jornada de apenas 26 horas semanais.
Enquanto políticos representantes dos grandes empresários e banqueiros fazem de tudo para barrar a PEC que pode derrubar a escala 6×1, a UP mobiliza os trabalhadores a arrancarem essa vitória nas ruas.
Apoio dos trabalhadores
Segundo Janaina, entrevistada no shopping Tatuapé na capital paulista: “A gente gasta muito tempo dando dinheiro para outras pessoas, tempo que a gente podia ta usando para aproveitar com a família, cuidar da saúde e do nosso bem estar, tem que acabar essa escala”.
“Essa escala tem que acabar, quantos aniversários de família eu já não perdi por causa do trabalho, é a primeira vez que eu vejo um ato desse tamanho aqui no shopping”, relatou Jailson, trabalhador da escala 6×1 há dez anos
Durante o ato foram reunidos centenas de contatos em todo o país de trabalhadores e trabalhadoras que, além de quererem lutar contra a escala 6×1, querem construir o socialismo. “Eu vi socialismo na bandeira e achei interessante, não dá mais para aceitar o capitalismo não” relatou uma trabalhadora que preferiu não se identificar por sofrer perseguições do chefe do trabalho
Todas as vitórias da classe trabalhadora vieram através de luta. Por isso, a jornada de mobilização contra a escala 6×1 é a principal forma de conquistar mais um dia de descanso para os trabalhadores e vencer os grandes capitalistas que lucram com nosso sofrimento.