Lançamento do livro “Raimundos & Apolinários… Etc. e tal”, escrito por Pedro Laurentino, aconteceu na Ocupação Palestina Livre, do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) em Natal (RN). O momento foi de grande importância política e cultural, com um saldo positivo para as lutas travadas no estado do Rio Grande do Norte.
Giovana Monteiro | Natal (RN)
CULTURA – A Ocupação Palestina Livre, em Natal (RN), recebeu, na noite de 29 de janeiro
de 2026, o lançamento do livro “Raimundos & Apolinários… e etc e tal”, do poeta e militante
Pedro Laurentino. O autor está em viagem pelo Nordeste e já passou pelos estados de
Pernambuco, Paraíba e, agora, Rio Grande do Norte para divulgar sua sétima obra.
Pedro Laurentino construiu uma trajetória marcada pela militância no movimento estudantil
pernambucano. Atuou na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), onde presidiu
o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e teve papel relevante na reorganização do
movimento estudantil no estado, contribuindo para a reabertura da União dos Estudantes de
Pernambuco (UEP).
“Raimundos & Apolinários… e etc e tal” reúne textos em prosa e poesia, retratando o
sequestro da infância, que é tomada de assalto pelo mundo do trabalho, sob a escravidão do
sistema capitalista. Além disso, escreve sobre a objetificação das pessoas, brutalizadas pela
perda da capacidade de sonhar. E, por fim, a necessidade da preservação da memória em
nosso país.
Valorização da cultura popular
O lançamento contou com a presença de lideranças de movimentos sociais, representantes do Comitê de Memória, Verdade, Justiça e Reparação e de Hallison Foguete, que recentemente foi preso injustamente por um crime que não cometeu, na cidade de Natal/RN.
“Eu uso mesmo roubada, porque é essa a palavra. Eu tive minha infância roubada, mas
também minha vida adulta. Saí recentemente da prisão, depois de mais de seis meses
vivenciando a mais cruel violação dos direitos humanos, e aqui, na Ocupação Palestina Livre,
pude recomeçar pelo lado certo”, ressaltou Foguete em sua fala.
“Eu me identifico com o livro porque eu também tive minha infância roubada, pelo abandono
e pela obrigação de trabalhar cedo e criar os filhos dos outros. Mas eu lutei para que meus
filhos tivessem direito à infância, e eu pude proporcionar isso a eles”, afirmou Arinalda,
Coordenadora Nacional do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB).
Durante sua passagem por Natal, o integrante do Diretório Nacional da Unidade Popular
também participou de uma atividade com a juventude do estado. Em suas palavras: “Fiz da
minha juventude um espaço da minha militância política e até hoje faço”. O momento foi de
grande importância política e cultural, com um saldo positivo para as lutas travadas no estado do Rio Grande do Norte. “Fazemos militância nos atos, nas ruas e também na arte, na literatura. Parafraseando Ferreira Gullar, a poesia existe porque a vida não basta. Mas a arte não pode ser abstrata; tem que falar do sofrimento do povo, do amor e da vida”, concluiu Pedro Laurentino em suas considerações finais sobre a atividade cultural.