Após receberem a notícia de que ficariam sem transporte coletivo, estudantes, moradores e militantes dos movimentos sociais de Garanhuns, agreste pernambucano, decidiram mobilizar a comunidade para reagir. Depois de um ato com a presença do ministro da educação, a mobilização conseguiu retomar o transporte no município, além de outras conquistas para os estudantes.
Raul Herculano| Garanhuns
LUTA POPULAR- No final de fevereiro os estudantes foram surpreendidos com a notícia de que a empresa de transporte local – Padre Cícero- teria a concessão para operar as rotas que atendia as comunidades do Boa Vista, Mundaú, João da Mata, Vale do Mundaú e Aloísio Pinto, em Garanhuns, agreste pernambucano, cancelada. Isso significava que, já na segunda (02/03), estudantes e trabalhadores ficariam sem transporte para o trabalho, escola e seus afazeres diários. Diante desse absurdo, uma mobilização iniciou na cidade. A Unidade Popular, o Movimento Correnteza, o movimento de mulheres Olga Benario e a União da Juventude Rebelião (UJR) iniciaram um abaixo-assinado entre os moradores, uma série de denúncias nos bairros e muita agitação contra esse retrocesso. E a mobilização provou que a luta vale a pena.
Ato conquista vitórias
As mobilizações culminaram com uma reunião ampliada dos movimentos, que aprovou um ato na Universidade Federal do Agreste Pernambucano (UFAPE), que receberia a visita do ministro da educação, Camilo Santana no dia 04 de março, além de ser um dos locais afetados pelo corte da linha de transporte. O sindicato dos servidores da universidade, que estão inclusive em greve, diretórios acadêmicos fortaleceram a luta junto aos moradores dos bairros e movimentos. Faixas, cartazes, caixa de som e panfletos endossavam ainda mais as denúncias.
O ato foi na quarta-feira, na UFAPE durante cerimônia com a presença do Ministro da Educação, Camilo Santana que por conta do ato de comprometeu a mandar um investimento de mais 500 mil para a construção do RU e após o fim do evento em reunião com as lideranças da faculdade onde os Diretórios Acadêmicos entregaram uma carta com as reivindicações locais dás quais as destacam o retorno do transporte coletivo da região da faculdade, o qual retornou conforme as exigências dos estudantes um dia depois do ato e também se conversou sobre o transporte dos universitários da zona rural, pautas que o prefeito se comprometeu em acelerar o andamento de um projeto de lei no município para garantir esse direito.
Conquistas alimentam agendas de novas mobilizações
Essa luta ocorre em meio a falta d’água na cidade, a ausência de uma delegacia da mulher que funcione 24 horas ou mesmo questões básicas, como saneamento básico para lhe dar com as chuvas e etc. Enquanto isso, sobra dinheiro no município para aumentar o vale-alimentação para os políticos, o estado anuncia que sobrou 4 bilhões de Superavit e enquanto a federação destina 1,82 trilhões ao pagamento dos juros da dívida pública.
Essa mobilização também serviu para fortalecer e mostrar a importância dos movimentos sociais e da luta, essa que sempre nos ensina que não há outro caminho e alternativa para os mais pobres, se não construir cotidianamente uma alternativa de luta social em nosso estado e no país. Como sempre dizemos, só conquista quem luta!
