Pelo fim da escala 6×1 e contra os salários de fome, o MLC realizou um ato combativo na porta da Callink, em Uberlândia. A mobilização apresentou aos trabalhadores a necessidade urgente da greve para barrar a exploração de uma empresa que triplica seus lucros enquanto impõe a miséria aos seus operadores.
Rafael Fumero – Uberlândia (MG)
No dia 4 de março, o MLC organizou, em Uberlândia (MG), um ato nacional pelo fim da escala 6×1 na empresa Callink, agora responsável pelo Call Center localizado no bairro Granja Marileusa, na Zona Leste da cidade.
De acordo com o CEO do Grupo Callink, Fabiano Batista, a empresa é “muito mais do que um Call Center”. Após adquirir as operações da Algar Tech, o grupo encerrou o ano de 2025 três vezes maior do que em janeiro do mesmo ano. Porém, a realidade dos trabalhadores encontrada pelo MLC não é proporcional a esse lucro: já são anos contando apenas com a atualização do salário mínimo, sem reajustes reais, sob ameaças constantes de demissão, repressão ao apresentar atestados médicos e nenhuma perspectiva de mudança.
No decorrer das últimas semanas, o MLC realizou panfletagens com os trabalhadores do polo e apresentou a alternativa da luta, tendo como meta paralisar a operação para reivindicar o fim da escala 6×1, a redução da jornada, reajuste salarial digno e o respeito aos seus direitos.
Pelo fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho!
Para construir o ato, militantes do MLC, com o apoio da União da Juventude Rebelião (UJR) e da Unidade Popular (UP), chegaram antes do turno das 07h — um dos maiores, junto ao das 08h — e dialogaram com cerca de 350 trabalhadores no local.
As denúncias foram inúmeras: salários que seguem estritamente as convenções patronais, ameaças frequentes de demissão e perseguição contra quem apresenta atestado médico — o que muitas vezes resulta em mudanças compulsórias de turno ou novas ameaças de dispensa. O cenário é de sobrecarga, assédios e profunda insatisfação.
Vozes da exploração: assédio e arrocho salarial
Pietra, mãe de três filhos e contratada há mais de dois anos, denunciou: “Cansei de ouvir nas reuniões que, só porque sou mãe, tenho que me dedicar mais no trabalho. Eu quero um salário digno, quero ter tempo de qualidade com meus filhos”. Ela relata já não ter esperança de que a pressão constante cesse sem resistência.
Já Carlos demonstrou preocupação com a aquisição da Algar pela Callink: “Antes, quando alguém era demitido de maneira abusiva, podia procurar emprego na outra empresa. Agora, com essa compra, eles podem simplesmente tirar a pessoa do mercado de trabalho, e quem não tem alta qualificação vai ficar desempregado”.
Justamente pelo monopólio da Callink em Uberlândia, o diálogo entre os trabalhadores e a empresa exige a mediação de um sindicato combativo. Este deve ser ligado à classe, pronto para denunciar abusos, defender juridicamente os injustiçados e, sobretudo, determinado a organizar grandes jornadas de luta.
Regina, mãe solo e trabalhadora na empresa, destacou a precariedade financeira: “Se pelo menos o salário mínimo viesse inteiro para a nossa conta, seria bom. Tem dia que descontam atraso e a gente tem que se explicar no RH, além dos descontos do INSS que fazem o salário, que já é pequeno, ser menor ainda”.
Só a greve e a organização operária garantem a vitória
Durante o ato, a pressão covarde que a empresa exerce diariamente sobre cada trabalhador dificultou que a categoria parasse as atividades naquele momento, mas isso não silenciou a revolta. Pelo contrário: dezenas de trabalhadores expressaram o desejo de lutar e grande interesse na pauta.
Conforme as notícias de paralisações em outros polos chegavam, a emoção aumentava: “Parou mais uma, a gente tem que parar aqui também!”. Ficou evidente que a escravidão assalariada no Call Center precisa acabar. Assim como na história do Brasil, o povo quer lutar pelo fim da escala 6×1, e a saída não poderia ser mais clara: greve operária com o MLC!
Todos os nomes utilizados na matéria são fictícios para proteger a identidade dos trabalhadores.