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quarta-feira, 4 de março de 2026

Jornada de luta contra a escala 6×1 mobiliza trabalhadores em todo país

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Trabalhadoras e trabalhadores se mobilizaram em várias partes do país em greves e mobilizações contra a escala 6×1 após jornada de luta convocada pelo Movimento Luta de Classes.

Redação


TRABALHADOR UNIDO – Nesta quarta-feira (04/03), trabalhadores de 15 estados realizaram uma jornada de atos políticos e greves. A jornada de luta foi chamada pelo Movimento Luta de Classes, que declarou apoio aos trabalhadores paralisados.

De acordo com a apuração da nossa reportagem, pelo menos 2 mil trabalhadores de 8 empresas entraram em greve total ou parcial. Além dessas greves, ocorreram mais 14 atos em várias cidades. Para além da reivindicação da redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, os trabalhadores também reivindicavam outros direitos básicos, como pagamento em dia, reajuste salarial e melhores condições de trabalho.

Após a Reforma Trabalhista aprovada pelo golpista Michel Temer, se tornou prática a adoção da escala 6×1 com o objetivo de reduzir o pagamento de horas extras e de adicionais por trabalho nos finais de semana e feriados. Ou seja, trabalhamos mais, recebemos menos e os patrões aumentaram seus lucros.

Ato em frente à fábrica Inylbra, no ABC Paulista. Foto: JAV/SP

Greve no Rio e em São Paulo

A adesão e o apoio às greves foram massivos. Nesse processo, muitos trabalhadores revelaram outras demandas específicas que foram adicionadas à pauta de reivindicações. Na UNIEX. fábrica têxtil na capital paulista, a escala 6×1 foi adotada no final de 2025.

Os trabalhadores passavam todo o turno de trabalho sem poder sentar e enfrentavam altas temperaturas e falta de ventilação. Também tinham menos de uma hora de janta e recebiam vale-alimentação insuficiente. Enquanto isso, o patrão comprou novas máquinas e fazia ameaças constantes de demissão. Nesta situação, cerca de 200 trabalhadoras e trabalhadores realizaram uma greve hoje.

O estado contou também com uma greve de 3 horas dos trabalhadores da empresa Normatel, que presta serviço à Petrobras na Baixada Santista. Houve atos também em Campinas, na fábrica de alimentos Selmi, e no ABC Paulista, na empresa têxtil Inylbra.

Uma operária da empresa Inylbra relatou as condições de trabalho na empresa. “Somente na semana passada, três trabalhadores desmaiaram durante o trabalho, estava muito quente, não tem ventiladores suficientes, quase não dá para respirar de tanto calor.” Indignada com as condições de trabalho, ela continua: “Mesmo assim, eles não nos deixam nem parar para tomar uma água fresca e quando vamos ao banheiro, muitos estão com a torneira sem funcionar, têm privada quebrada e falta tranca nas portas, um verdadeiro descaso com nós trabalhadores”

Assembleia dos trabalhadores da metalúrgica Kabi, no Rio de Janeiro, entraram em greve contra a falta de salário. Foto: JAV/RJ

No Rio de Janeiro, a principal mobilização ocorreu na fábrica Kabi, do setor de metalurgia. Os 176 trabalhadores iniciaram uma greve contra o parcelamento dos salários, exigindo pagamento em dia e o fim do assédio moral dentro da fábrica e contra a escala 6×1.

Só o anúncio da greve já demonstrou a força da organização: a empresa foi obrigada a pagar o salário de janeiro. Em assembleia organizada pela categoria, os trabalhadores decidiram pela manutenção da greve, deixando claro que não aceitarão atrasos, parcelamentos nem desrespeito.

Além da Kabi, o Rio contou com uma mobilização dos motoristas e cobradores da empresa de ônibus SIT, que presta serviço de transporte público na cidade de Macaé, no interior. Atos políticos foram realizados também na COMLURB, empresa de limpeza urbana da capital e nas fábricas da Cervejaria Cidade Imperial, em Petrópolis, e na fábrica têxtil Almare, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio.

Após paralisação dos trabalhadores de supermercado em BH, militantes do MLC se reuniram num ato político contra a escala 6×1. Foto: JAV/MG

Supermercados paralisados em MG e PE

Recife e Belo Horizonte amanheceram com dois supermercados com paralisações parciais dos trabalhadores. Na capital mineira, mais de uma centenas de trabalhadores paralisaram as atividades numa greve parcial no supermercado Supernosso. Numa assembleia, os funcionários denunciaram as péssimas condições de trabalho e iniciaram a greve. Minas Gerais contou também com atos políticos na fábrica de alimentos Vilma, em Contagem, e no Callink, empresa de telemarkenting em Uberlândia.

Já em Recife, foram os funcionários do supermercado Mix Matheus fecharam o supermercado logo no início do ato político do MLC. Nos supermercados de todo país é comum a escala 6×1, com jornadas de trabalho desumanas e condições ruins de trabalho, isso tudo no setor que é um dos que paga o menor salário no Brasil. Pernambuco também contou com uma mobilização na fábrica de cerâmica Luzarte, em Caruraru, no interior.

Ato realizado na entrada da gerência dos garis de Brasília. Foto: JAV/DF

Mobilização na limpeza urbana se destaca em todo país

Outra categoria que se destacou na jornada nacional foi a limpeza urbana. Além do ato no Rio de Janeiro, garis de Porto Alegre, Brasília, João Pessoa, Maceió e Belém, também se mobilizaram contra a escala 6×1.

Belém do Pará foi onde a mobilização dos garis gerou mais repercussão. Após o início da mobilização grevista, os trabalhadores da empresa Ciclus Amazônia foram brutalmente reprimidos pela polícia e a Guarda Municipal com spray de pimenta e balas de borracha.

Além de Belém, cerca de 200 garis de João Pessoa também realizaram uma greve de 3 horas denunciando a escala 6×1. No estado, a mobilização da categoria é liderada pelo Sindilimp-PB, que vem através das greves conquistando uma série de direitos para a limpeza urbana paraibana.

Em Porto Alegre, Maceió e Brasília, a categoria da limpeza urbana também realizaram atos políticos para denunciar a imposição da escala 6×1 numa categoria que sofre com falta de condições de trabalho e está constantemente exposta a risco de saúde. Os atos reivindicaram também o fim dos descontos abusivos, distribuição de Equipamentos de Proteção Individuais (EPI’s), vale transporte e vale refeição.

PM e Guarda Municipal de Belém reprimiram brutalmente greve dos trabalhadores da empresa Ciclus Amazônia e o ato político organizado pelo MLC. Foto: JAV/PA

Operários mobilizados em outras partes do país

Fábricas de vários setores da economia também contaram com mobilizações operárias. Com o apoio da militância do MLC houve atos políticos em Manaus, Curitiba, Itajaí (SC), Goiânia e Anápolis (GO).

Em Manaus, o MLC organizou um ato em frente à fábrica de plásticos Coplast. Em Curitiba, a manifestação foi na porta da fábrica da Coca-Cola, enquanto que em Itajaí (SC) foi na empresa Gomes da Costa, maior produtora de sardinha enlatada do país.

Em Goiás, trabalhadores da fábrica de produtos de limpeza Ypê e militantes do MLC realizaram um ato na porta da fábrica em Goiânia, enquanto que na empresa terceirizada Dínamo, que presta serviço a concessionária de energia Equatorial em Anápolis, no interior do estado também ocorreu um ato.

Manifestação durante greve na empresa Normatell, na Baixada Santista. Foto: JAV/SP

Pressionar o Congresso pelo fim da 6×1 e redução da jornada de trabalho

Uma das primeiras mobilizações contra a escala 6×1 ocorreu na fábrica da Pepsico, na Zona Leste de São Paulo. Após uma greve que durou 9 dias, os trabalhadores conquistaram mais um sábado de folga e demonstraram que as máquinas paradas geram prejuízo e medo nos patrões.

Esse exemplo se espalhou pelo país e teve como resultado a pressão para que a pauta fosse discutida no Congresso Nacional. A revolta da classe trabalhadora com a escala desumana de trabalho adotada no Brasil e com os baixos salários e altos lucros dos donos das fábricas tornou a pauta quase unânime entre o povo e políticos.

Mas engana-se quem acredita que sozinho o Projeto de Emenda à Constituição que tramita no parlamento será aprovado pelos deputados e senadores do Centrão e da Direita para aprovar a proposta. Sabendo que a classe trabalhadora quer o fim da 6×1, políticos da direita querem inserir medidas que acabem com a escala, mas mantenham a exploração dos trabalhadores como ampliar a jornada diária ou pagar somente os dias trabalhados, acabando com o fim de semana remunerado.

O Movimento Luta de Classes defende que o fim da escala 6×1 deve estar ligado diretamente à redução da jornada de trabalho de 44h para 36h semanais. Isso fará com que trabalhemos menos e tenhamos, de fato, mais tempo para descansar, conviver com nossas famílias, estudar e ter lazer.

Para isso, não podemos confiar em um Congresso que já tentou enganar os trabalhadores diversas vezes como na PEC da Impunidade e nas tentativas de votar a Anistia para o fascista Bolsonaro e os generais golpistas.

A aprovação do fim da 6×1 e da redução da jornada de trabalho virá somente com grandes mobilizações, manifestações e amplas greves nas fábricas de todo o Brasil. Foi assim que a classe trabalhadora conquistou todos seus direitos e, independente de quanto tempo passe, assim continuará sendo. Porque o patrão só entende uma linguagem, a das máquinas paradas e dos braços cruzados.

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