UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sábado, 14 de março de 2026

Movimento de mulheres realiza 16 ocupações pelo fim do feminicídio e pelo socialismo

Leia também

Neste dia 14 de março, o Movimento de Mulheres Olga Benario deflagrou uma jornada nacional com 16 ocupações simultâneas em 13 estados brasileiros para denunciar a alta nos casos de feminicídios e o desmonte das políticas públicas de proteção à mulher.

Redação


MULHERES – O Movimento de Mulheres Olga Benario realiza, neste dia 14 de março, em todo o país, uma jornada nacional de mobilizações contra a violência e o feminicídio, com 16 ocupações realizadas simultaneamente em imóveis abandonados sem cumprir função social, em 13 estados diferentes. A mobilização também presta homenagem às mulheres assassinadas, vítimas de estupros e diversas formas de violência em nosso país, além de lembrar a lutadora Marielle Franco, brutalmente assassinada há exatos oito anos por sua atuação na defesa dos direitos do povo trabalhador e contra a especulação imobiliária.

No Brasil, existem apenas 706 delegacias especializadas de atendimento à mulher (DEAM), ou seja, menos de uma delegacia para cada 100 mil mulheres. Enquanto o país bateu recorde de feminicídios no último ano, as políticas de enfrentamento à violência contra as mulheres tem sofrido cortes. No mesmo ano, o Congresso Nacional aprovou cortes que representam quase 70% dos recursos para esta finalidade. Enquanto isso, só no último ano, foram quatro mulheres assassinadas por dia simplesmente por serem mulheres.

Foram realizadas ocupações urbanas em 16 cidades em todo o Brasil, em 13 estados diferentes (Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte, Bahia, Sergipe, Piauí e Pará). Todas as ocupações foram realizadas para denunciar a crescente violência contra as mulheres na trágica realidade que vivemos sob o capitalismo.

Os imóveis ocupados também são parte da denúncia da falta de equipamentos dos estados e municípios para acolhimento e desenvolvimento da autonomia das mulheres vítimas de violências. As mulheres representam 51% de toda a população do Brasil e, no entanto, temos apenas 11 Casas da Mulher Brasileira em funcionamento para atender todo o território nacional. As casas homenageiam mulheres de luta e resistência em diversos períodos no Brasil, para que sua determinação em construir um futuro justo para todos siga firme em cada trabalhadora e trabalhador em luta. 

Ocupação Francisca Amália de Assis Faria, em São Paulo (SP). Foto: Mabel (JAV/SP)
Ocupação Francisca Amália de Assis Faria, em São Paulo (SP). Foto: Mabel (JAV/SP)

 

Na capital paulista, foi realizada na região do Jabaquara a Ocupação Francisca Amalia de Assis Faria. Mesmo após a tentativa de criminalizar nossa ação, as militantes do Movimento saíram ainda mais fortalecidas do processo. “Todo esse enfrentamento aumentou a compreensão de que o que a gente faz é certo. A polícia usou de uma força imensa para acabar com a nossa ocupação, mas não usa do mesmo poder para impedir as violências que sofremos. Devemos derrubar este sistema porque ele defende o patrimônio, não a vida”, relata Katiuscy Silva, coordenadora do Movimento no estado.

Em Carta Nacional, o Movimento reivindica como pautas prioritárias: delegacias especializadas para as mulheres 24 horas em todos os municípios; fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho, sem redução de salário; aumento do salário mínimo em 100%; Orçamento obrigatório para políticas para mulheres; creche integral para todas as crianças; Casa da Mulher Brasileira em todos os municípios; garantia da igualdade salarial; garantia da construção dos programas Minha Casa Minha Vida (MCMV) e outros programas habitacionais; regulamentação do auxílio aluguel – para R$1.000,00; passe-livre para mulheres em situação de violência garantido; criminalização da misoginia.

O Movimento de Mulheres Olga Benario é um movimento social que existe há 15 anos, organizando mulheres em todo o país para lutar em defesa dos direitos das mulheres, fim da violência e por uma sociedade socialista. Dentre as lutas, uma das principais são as ocupações de mulheres, onde transformam imóveis abandonados em espaços para acolher mulheres em situação de violência. As ocupações são espaços de resistência, onde realizam atividades culturais, geração de renda para mulheres, cursos de formação política e reuniões de mulheres para organizar ações para lutar por vaga em creche, melhores salários, moradia e por políticas públicas de enfrentamento da violência.

Com esta ação, o Movimento chama atenção para a luta pelo socialismo, pois é esse o sistema que tem as condições de garantir os direitos e a vida das mulheres. De acordo com o DataSenado, 61% das mulheres afirmam que a dependência econômica impossibilita de fazer as denúncias sobre violências domésticas. As contradições do capitalismo só aumentam e são as mulheres que mais sofrem, especialmente as mulheres negras. É a ideologia capitalista que coloca que o corpo da mulher é uma propriedade o que normaliza a misoginia, a violência, o feminicídio, os salários mais baixos e as duplas, triplas jornadas de trabalho. Este sistema quer continuar nos assassinando, através da iminente Terceira Guerra Mundial, seja com as bombas caindo na Palestina, mas também com a negligência e omissão daqueles que deveriam defender nossas vidas. Diante de tanta exploração, chamamos todas as mulheres a se organizarem e apoiarem a construção das lutas do Movimento Olga Benario, pelo fim dos feminicídios e pelo socialismo! 

More articles

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimos artigos