No dia 14/03 o Movimento de Mulheres Olga Benario realizou uma campanha nacional de ocupações contra o feminicídio e pelo socialismo. O movimento realizou a sua segunda ocupação no interior de São Paulo, chamada Ocupação de Mulheres Ondina Seabra
Giovanna Nunes | Sorocaba (SP)
A violência contra as mulheres cresce no Brasil como consequência da crise do sistema capitalista e da dominação imperialista, que aprofundam a exploração do povo. Enquanto bancos e grandes empresas acumulam lucros bilionários, milhões de mulheres trabalhadoras enfrentam baixos salários, desemprego, falta de moradia e ausência de políticas públicas que garantam proteção e dignidade.
Salários menores, dupla jornada, trabalho precarizado são só algumas das opressões sofridas no sistema capitalista. Esses fatores são fundamentais para que muitas trabalhadoras se mantenham em situação de violência em seus relacionamentos, já que em muitos casos são dependentes econômicas de seus parceiros.
Por isso, a luta contra o feminicídio e pela vida das mulheres também é uma luta contra o capitalismo.. Somente a construção de uma nova sociedade, baseada na igualdade e no fim da exploração, poderá garantir que nossas vidas sejam respeitadas: a sociedade socialista.
Violência em Sorocaba
A realidade vivida em Sorocaba reflete o avanço da violência contra as mulheres em todo o país. Apenas nos primeiros 18 dias de 2026, a cidade registrou três feminicídios, igualando todo o número de casos do ano anterior.
No começo de março, novos crimes continuaram a chocar a população, como o assassinato de Paola Alves Reginaldo, de 25 anos, assassinada a canivete pelo seu marido e o feminicídio de Esther Estinor, mulher haitiana encontrada morta a facadas na cidade vizinha (Votorantim). Ambos feminicídios ocorreram na última semana, o último no Dia Internacional da Mulher Trabalhadora.
Mas a violência não se limita aos feminicídios. Ela aparece diariamente nos estupros, agressões físicas, violência psicológica, assédio e na exploração econômica que marca a vida das mulheres trabalhadoras. No capitalismo, o corpo e o trabalho das mulheres são constantemente controlados e desvalorizados, enquanto o sistema se beneficia dessa desigualdade para ampliar seus lucros.
Essa situação é agravada pela falta de investimentos reais em políticas públicas. Embora Sorocaba possua uma Delegacia de Defesa da Mulher com atendimento 24 horas, conquista importante da luta do movimento de mulheres, a estrutura ainda é insuficiente para atender a demanda da cidade e de toda a região.
Como polo regional, Sorocaba acaba recebendo casos de municípios vizinhos como Votorantim, Araçoiaba da Serra, Salto de Pirapora, Iperó e Piedade, fazendo com que uma única delegacia especializada tenha que atender mulheres de uma ampla região.
Na prática, muitas mulheres precisam percorrer diferentes serviços, delegacia, assistência social, atendimento psicológico e jurídico, sem que exista uma estrutura integrada que garanta proteção imediata. Enquanto isso, faltam casas-abrigo, políticas de moradia e investimentos suficientes na rede de proteção.
Essa realidade mostra que, apesar das conquistas alcançadas através da luta, a rede de enfrentamento à violência contra a mulher ainda é insuficiente diante da gravidade do problema e revela o descaso do Estado com a vida das mulheres trabalhadoras.
Ocupar e resistir
Compreendendo que a falta de ação efetiva do Estado deixa milhares de mulheres desamparadas, o Movimento de Mulheres Olga Benário decidiu, através da organização popular, realizar a Ocupação de Mulheres Ondina Seabra.
O espaço nasce como um local de acolhimento, apoio e orientação para mulheres em situação de violência, buscando oferecer aquilo que muitas vezes o poder público não garante: escuta, proteção, informação e fortalecimento para que as mulheres consigam romper o ciclo de violência e reconstruir suas vidas por meio da organização coletiva e da luta.
Ondina Seabra, presente!
Primeira professora negra de Sorocaba, Ondina Seabra representa a luta histórica das mulheres negras e da classe trabalhadora por educação, dignidade e igualdade em uma sociedade marcada pelo racismo e pela exploração.
Filha de trabalhadores e formada professora em um período em que o acesso da população negra à educação era extremamente limitado, Ondina enfrentou o preconceito racial e as barreiras impostas pela elite da cidade para exercer sua profissão. Mesmo enfrentando preconceito e barreiras sociais, dedicou sua vida à educação e à formação de gerações de estudantes.
Sua trajetória revela como, ao longo da história, mulheres negras precisaram enfrentar não apenas a opressão de gênero, mas também o racismo estrutural que buscava excluí-las dos espaços de ensino, trabalho e participação social. Ao conquistar seu espaço como professora, Ondina rompeu barreiras impostas por uma sociedade profundamente desigual e racista.
Pela vida das mulheres!
A Ocupação de Mulheres Ondina Seabra nasce para estar ao lado das mulheres de Sorocaba, na luta contra a opressão a violência e pelo socialismo!
Entre as atividades, além de acolher e orientar, a ocupação realizará uma programação permanente de cursos, rodas de conversas, oficinas para aprendizados que gerem renda, lazer e oportunidades para que as mulheres vítimas da opressão e não atendidas pelas políticas públicas consigam se reerguer e terem garantido o direito de viver.
Precisamos de toda a solidariedade e união. Venha visitar a Ocupação de Mulheres Ondina Seabra. Rua Coronel Nogueira Padilha, 905 – Vila Hortência. Sorocaba/SP.