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quinta-feira, 5 de março de 2026

Trabalhadores do Supernosso denunciam a farsa da redução da jornada e paralisam unidade em BH

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Paralisação em BH desmascara manobra do Supernosso que aumenta carga diária e retira direitos sob o disfarce de folga extra.

Marcelo Pereira – Belo Horizonte (MG)


Na última quarta-feira, 4 de março, o Movimento Luta de Classes (MLC) realizou uma paralisação em uma unidade do Supermercado Supernosso no bairro Santa Tereza em Belo Horizonte (MG). Após a última ação do MLC nessa rede, em dezembro de 2025, houve resposta dos patrões: passaram a ofertar vagas 5×2, porém aumentando a jornada diária de trabalho. Isso demonstrou que, com luta, se conquista! A burguesia nunca cede um milímetro sem a pressão organizada do povo. Mas a proposta dos patrões não é suficiente e esconde armadilhas para manter intacta a taxa de lucro dos capitalistas. Queremos a redução real da jornada de trabalho para 36 horas semanais, sem redução salarial!

Ao longo das semanas, o MLC realizou diversas panfletagens na porta do supermercado e de shoppings para conversar com os trabalhadores e agitar essa pauta. A partir disso, recolhemos denúncias de que esse golpe dos patrões está sendo realizado em outras grandes redes, como a Drogaria Pacheco e a Chilli Beans. A Pacheco é a segunda maior rede de drogarias e teve um faturamento de R$14 bilhões em 2023, apresentando um grande crescimento durante a pandemia enquanto o povo morria. A Chilli Beans faturou R$ 1,4 bilhão em 2024 e o Grupo Supernosso quase R$5 bilhões. Tudo isso só é possível com a superexploração dos trabalhadores, oferecendo salários que não são suficientes nem mesmo para pagar as contas do mês e jornadas exaustivas.

Militante do MLC entrega o jornal A Verdade para uma trabalhadora em frente ao mercado.
Agitação e propaganda com o jornal A Verdade na porta da loja. Foto: Daniel Cotta @afterdark.dan

É exatamente para manter esses lucros exorbitantes que os donos do poder tentam nos enganar. O jornal A Verdade recebeu, sob o compromisso do mais absoluto sigilo para evitar perseguições patronais, uma denúncia revoltante de um companheiro da rede Supernosso que desmascara a falsa “bondade” da empresa.

O trabalhador relata: “O Supernosso está fazendo a maior propaganda de que vai acabar com a escala 6×1, mas é tudo armadilha do patrão. Ninguém está falando que, duas semanas antes de anunciarem isso, eles já foram lá na surdina e cortaram a premiação de todas as lojas! E a covardia não para por aí: a nossa jornada diária, que era de 7h20min, agora aumentou para 8h40min. Ou seja, a gente vai trabalhar muito mais por dia e ainda perder dinheiro para ‘pagar’ por essa suposta folga. Estão tirando com uma mão para fingir que dão com a outra.”

Policial de costas observa militantes conversando com trabalhadoras na calçada.
Intimidação policial não impede a organização da classe. Foto: Daniel Cotta @afterdark.dan

Essa é a verdadeira face do capitalismo, camaradas! O patrão suga a nossa energia e o nosso trabalho não pago (a mais-valia) para não perder um único centavo. Eles intensificam o nosso desgaste físico nos forçando a trabalhar 8h40min e ainda metem a mão no nosso bolso cortando a premiação. É o velho golpe da classe dominante: fazem propaganda na mídia de que estão “melhorando” as condições, enquanto precarizam ainda mais a nossa vida no chão de loja.

Sabemos que não haverá justiça para a classe trabalhadora enquanto vivermos nesse sistema capitalista. As regras do jogo sempre vão proteger os donos do capital. Por isso é preciso seguir na luta por melhores salários e redução da jornada de trabalho, intensificando a organização nos nossos locais de trabalho, rumo à construção da sociedade socialista. Somente no socialismo é que os trabalhadores e as trabalhadoras tomarão as rédeas do país para atender aos seus interesses, e não apenas para dar lucros bilionários para um pequeno bando de sanguessugas. Quem produz toda a riqueza somos nós, e a nós ela deve pertencer.

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