Servidores municipais de Teresópolis, na Região Serrana do RJ, lutam contra atrasos nos salários e perda de direitos trabalhistas.
Filipe Costa | Teresópolis – RJ
TRABALHADOR UNIDO – No último dia 7/01, dezenas de servidores municipais, aposentados e militantes populares marcharam até a Prefeitura de Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, em mais um ato de resistência contra o atraso salarial e a ganância da burguesia municipal. A manifestação, convocada pelo SindPMT (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Teresópolis) e apoiada pelo Movimento Luta de Classes e pela Unidade Popular, marcou mais um capítulo na luta irreconciliável da classe trabalhadora contra a exploração institucionalizada.
Como denunciado no Jornal A Verdade do ano passado, os servidores já enfrentaram situações semelhantes — e novamente são obrigados a sair às ruas para defender o mínimo, pagamento em dia.
Relatos expõe descaso da prefeitura
“Nosso movimento atual é resultado de anos de luta e frustrações. Historicamente, a classe trabalhadora tem sido frequentemente prejudicada, e nossos servidores não são exceção.”, denunciou Alexandre Pimentel, presidente do SindPMT.
O presidente do sindicato denunciou que atualmente, os servidores enfrentam novo atraso no pagamento do 13º salário, do adicional de férias e somente receberam 1% do 14º. Apesar de inúmeras tentativas de diálogo com o prefeito, não houve solução concreta. A promessa da gestão municipal de Leonardo Vasconcelos de pagamento do 14º até o dia 20 é insuficiente e desrespeitosa.
“Atrasos na nossa aposentadoria causam grandes transtornos, pois muitos dependem desses valores para comprar remédios, fazer compras e honrar dívidas. Muitos recebem somente um salário mínimo”. A situação descrita por Maria de Lourdes, servidora aposentada, é como um espelho da realidade cruel enfrentada por diversos servidores e aposentados que, após décadas de contribuição, são tratados como “gasto público” pela máquina administrativa.
Objetivo da prefeitura e desorganizar trabalhadores
Na prática cotidiana da administração municipal, a burguesia local, articulada aos políticos, impõe uma sistemática de dominação que vai além do simples atraso salarial. Trata-se de uma estratégia consciente, para manter os servidores em estado permanente de vulnerabilidade.
Ao sabotar intencionalmente o fluxo dos pagamentos — seja do 13º, do adicional de férias ou dos proventos dos aposentados —, a gestão municipal busca criar um ambiente de instabilidade financeira, sufocando qualquer possibilidade de resistência organizada. Sem condições de planejar suas finanças pessoais, os trabalhadores são compelidos a aceitar qualquer condição imposta pelo governo municipal.
Ao mesmo tempo, essa política de omissão e descaso transfere para os ombros da classe trabalhadora os custos de uma crise que não foi produzida por ela. Enquanto os gestores se reúnem às portas fechadas com empresários e banqueiros locais, discutindo repasses e financiamentos, os servidores veem seus salários virarem moeda de troca nas mesas do poder.
Ainda segundo Alexandre, “os aposentados deveriam receber seus pagamentos no dia 5, mas isso não ocorreu. Entramos com um mandado de segurança que foi negado pelo judiciário devido à ausência de um documento oficial da prefeitura que garantisse o pagamento na data prometida.”.
Este episódio revela a face mais cínica dessa administração: a negação sistemática da própria legalidade democrática. Não há compromisso com a Constituição, com a Lei Orgânica Municipal e muito menos com os direitos fundamentais dos cidadãos. Há tão somente a manipulação descarada das instituições, como se fossem instrumentos pessoais de poder.
Mais uma vez, a classe trabalhadora demonstra sua força e sua coragem ao enfrentar uma máquina administrativa corrupta e que só funciona para os burgueses. A classe trabalhadora não pode mais esperar.