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segunda-feira, 2 de março de 2026

Água de São Carlos sofre ameaça de privatização

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Trabalhadores do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) da cidade de São Carlos (SP), se mobilizam na tentativa de barrar o avanço da privatização do serviço na cidade. Apresentado como um projeto de universalização do acesso às redes de água e esgoto, o programa não passa, na realidade, de mais um episódio de privatização.

Vinícius Martins, Victor Chaves e Ivan Borgueti | São Carlos (SP)


Trabalhador Unido – Em 2025, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) da cidade de São Carlos (SP), responsável pelo serviço de distribuição e tratamento de água da cidade, entrou na mira do programa “UniversalizaSP”. 

Trata-se de um projeto do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca promover ações para aumentar a cobertura das redes de abastecimento de água e tratamento de esgoto, estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento Básico (Lei nº 11.44), que estabelece as diretrizes nacionais para esse serviço. Contudo, o que se vê na prática é a venda de mais uma empresa estatal para o setor privado sem nenhuma justificativa verdadeira.

Netto Donato (PP), prefeito de São Carlos, afirma que a adesão da cidade ao “UniversalizaSP” serviria para integrar os serviços da cidade aos de outros municípios participantes e aprimorar a distribuição de água e o tratamento de esgoto, ampliando a rede municipal. Porém, os dados oficiais mostram que 99% da população são-carlense já possui acesso a água potável e à coleta de esgoto em seus domicílios, fruto do trabalho dos servidores do SAAE. 

A privatização piora a vida do povo

A estratégia adotada pela prefeitura para efetivar o plano de privatização é velha e conhecida: precarizar o serviço através do corte de investimentos, com a desculpa de “equilibrar as contas” e preencher a gestão dos serviços com indicações políticas incompetentes e subordinadas a acordos eleitorais. 

O resultado é um serviço de pior qualidade para a população e a solução defendida pela prefeitura para os problemas intencionalmente fabricados é a privatização a preço de banana.

Além disso, nas cidades onde o saneamento básico já foi privatizado, houve o aumento expressivo das tarifas de água e esgoto; a piora na qualidade do serviço; a queda do investimento nas periferias, causando a exclusão do serviço prestado à população pobre e a precarização do emprego. 

Felipe dos Santos Araújo, de 35 anos, assistente administrativo do SAAE afirmou para o Jornal A Verdade: “Em nenhum momento se pensa na realidade do trabalhador do SAAE e da população, porque aquilo que a gente vê em outros serviços de saneamento privatizados é tanto o aumento da taxa de água quanto da taxa de esgoto nos locais onde a iniciativa privada entra”. 

Perguntado sobre o que o UniversalizaSP representa, Felipe comentou: “para o trabalhador do SAAE, a possibilidade de perda de emprego ou de aceitação de condições piores de trabalho. E, para a população, significa o aumento da conta de água onde a iniciativa é aprovada”.

A saída é a mobilização popular!

Desde novembro do ano passado, a Unidade Popular (UP) está se mobilizando para conscientizar a população da cidade e apoiar os trabalhadores do SAAE na luta contra a privatização, participando ativamente das audiências públicas da Câmara Municipal e a organização de brigadas do jornal A Verdade nas portas das diferentes unidades da empresa.

Os trabalhadores do SAAE estão se mobilizando para lutar contra a privatização. Já foram realizadas reuniões para a criação de uma comissão para forçar o prefeito e vereadores da base privatista a recuarem nesta decisão. 

Como fizeram os operários da PepsiCo em São Paulo e Sorocaba, e da BYD em Camaçari (BA), a resposta popular deve ser uma grandiosa greve dos trabalhadores. Água não é mercadoria, por isso o SAEE é patrimônio do povo e não dos grandes capitalistas.

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