Estudantes ocupam SEDUC de SP para lutar contra a “sala do futuro” e denunciar descaso na educação no governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos)
Michael Rocha e Raul Ziyech | São Paulo (SP)
Juventude – No dia 26 de fevereiro a Praça da República, no centro histórico da capital Paulista, amanheceu sob a a revolta inflamada dos estudantes contra a “Sala do Futuro”, um conjunto de plataformas digitais impostos pela SEDUC que visa sucatear o ensino público ao trocar a sala de aula presencial por aplicativos de celular.
A ação foi construída simultaneamente pelas entidades estudantis combativas do Estado de São Paulo em três cidades: São Paulo, Suzano e Ribeirão Preto, a partir de um processo de lutas dos estudantes em suas escolas, junto com a mobilização da delegação do Movimento Rebele-se rumo ao 46⁰ CONUBES, congresso que elege a direção da entidade nacional dos estudantes secundaristas.
Estudantes vencem e são ouvidos na SEDUC-SP
Os estudantes, organizados em seus grêmios e na FENET, AMES-SP, ARES-ABC, ARES-Alto Tietê, entre outras, passaram nas salas de aula nas últimas semanas mobilizando um calendário de lutas para denunciar a situação precária das escolas.
Na gestão do governador fascista Tarcisio de Freitas (Republicanos) as escolas sofrem com falta de orçamento, falta de professores e as direções autoritárias perseguem os gremistas, tutelam suas entidades e empurram goela abaixo as plataformas digitais.
No primeiro momento do ato (realizado na praça da República), os estudantes já se depararam com a repressão dos guardas da secretaria, que prensaram com a porta da grade uma estudante que estava apenas tentando entrar para dialogar e defender a educação de qualidade.
Após muitas falas de denúncias da situação da educação e pressão incansável dos estudantes que ficaram do lado de fora, na chuva, e dos militantes que pressionaram do lado de dentro, a secretaria de educação foi vencida e teve que ouvir o que os estudantes tinham a dizer.
A denúncia foi unânime: as alunas e alunos de São Paulo não têm nada para elogiar o projeto privatista da educação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e seu comparsa Renato Feder, secretário de educação do estado.
Na sala, com cerca de 15 representantes de setores da secretaria, ecoaram denúncias de assédio, merenda precária, estrutura caindo aos pedaços, falta de materiais didáticos, fechamento das salas do noturno, poucos aparelhos tecnológicos para as atividades digitais, falta de professores, e rejeição total ao sistema “pedagógico” digital da Sala do Futuro.
Feder e Tarcísio: Parasitas da educação.
O governo estadual foi responsável por um corte de R$11 bilhões de investimento nas escolas estaduais (2024), a militarização de 100 unidades escolares do estado e com, ainda por cima, a plataformização do ensino com a “Sala do Futuro”, se tornando o principal inimigo da educação e da juventude paulista.
Ex-CEO e atual acionista da Multilaser – marca dos tablets usados nas salas de aula pra realizar as atividades digitais -, Renato Feder tem lucrado muito com esse projeto, assim como outros empresários envolvidos nos contratos do governo.
Já foram investidos nas plataformas privadas quase R$500 milhões, enquanto o nível real de aprendizagem só piora e há todos os dias aulas vagas por falta de professores. Apesar dos dados fantasiosos gerados por esse modelo de ensino, que ajudam eles a camuflarem o que está acontecendo, nossa juventude está cada vez mais distante do conhecimento.
Ousar lutar, ousar vencer!
Desde a conquista do direito ao voto para menores e a Lei do Grêmio Livre, tudo que hoje ainda podemos salvar e chamar de direitos é fruto do avanço das lutas do movimento estudantil. Ninguém, nem mesmo o governador pode com um movimento estudantil forte, amplo e organizado. Por isso, devemos avançar na organização de mais jovens para se realizarmos lutas cada vez mais consequentes, mais transformadoras.
E por isso, o movimento Rebele-se propõe para cada estudante, cada grêmio, cada entidade estudantil um Março Rebelde – em homenagem aos 58 de imortalidade de Edson Luís (estudante assassinado pela Ditadura Militar) – que chacoalhe e vire de ponta cabeça o estado de São de Paulo.
Nosso dever é encontrar em cada estudante, em cada grêmio, em cada escola uma fonte para a vitória dos estudantes, identificar em cada problema uma solução de luta e estimular a rebeldia transformadora da juventude. É nosso dever mobilizar desde já para o nosso calendário de lutas e apresentar para cada jovem trabalhador que a única saída é um movimento combativo e disposto a enfrentar os inimigos da educação.