Segundo a Oxfam, os dez homens mais ricos do mundo têm uma riqueza maior que a metade mais pobre da população, ou seja, mais de quatro bilhões de pessoas. Somente no último ano, a fortuna desses magnatas cresceu US$ 4 trilhões, valor capaz de acabar com a pobreza no mundo 50 vezes!
Heron Barroso| Redação
EDITORIAL- A revista Forbes divulgou, no último dia 10 de março, a lista anual dos homens mais ricos do mundo. Ao todo, 3.425 bilionários concentram, juntos, uma riqueza de 20,1 trilhões de dólares (cerca de R$ 103 trilhões). Em termos de comparação, em 2025, o Produto Interno Bruto do Brasil – a soma de tudo que foi produzido em serviços e bens finais durante o ano em nosso país – foi de R$ 12,7 trilhões, ou seja, oito vezes menos.
No topo da lista de bilionários está Elon Musk, dono da SpaceX e do X (antigo Twitter), com US$ 839 bilhões. Em apenas um ano, Musk viu sua fortuna crescer US$ 497 bilhões graças à especulação financeira e aos muitos bilhões de dólares investidos pelo governo dos EUA em suas empresas. De fato, ele e o ditador Donald Trump são amigos de longa data e, além de comungarem a admiração por Hitler, também costumava ser vistos frequentando as festas promovidas por outro bilionário, Jeffrey Epstein, onde meninas menores de idade eram escravizadas e violentadas sexualmente.
Elon Musk é seguido na lista por Larry Page, dono do Google (US$ 257 bilhões), Sergey Brin, também do Google (US$ 237 bilhões), Jeff Bezos, da Amazon (US$ 224 bilhões), e Mark Zuckerberg, da Meta (US$ 222 bilhões). Todos esses bilionários são ligados às chamadas “big techs”, empresas de tecnologia que atualmente concentram em suas mãos um poder maior do que qualquer outro grande monopólio capitalista. Juntos, eles controlam e manipulam todas as comunicações, notícias e informações que a população recebe, bem como os dados pessoais e mensagens enviadas pelos usuários, além de manterem uma estreita colaboração com os serviços de inteligência dos EUA. É por isso que são tão ricos.
Os Estados Unidos, aliás, são o país que concentra o maior número de super-ricos (989). O segundo país não é nem a Alemanha, nem o Japão ou a Inglaterra, mas a China, que possui 610 bilionários. Cá entre nós, será que essa pouca-vergonha não constrange os senhores influencers defensores do chamado “socialismo com características chinesas”? Como eles justificam essa escandalosa contradição? Fica a dúvida.
Na lista da Forbes constam ainda 70 brasileiros, encabeçados por Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, com uma fortuna de US$ 36 bilhões, seguido por André Esteves, do BTG Pactual (US$ 20 bilhões) e Jorge Paulo Lemann, da 3G Capital (US$ 20 bilhões).
Esses bilionários vivem em mansões, possuem iates, jatinhos e até ilhas particulares, mas nunca derramaram uma única gota de suor trabalhando. São verdadeiros parasitas sociais, que exploram a classe trabalhadora e ficam mais ricos quanto maior for a miséria existente no planeta.
A causa da miséria
De fato, à medida que o modo de produção capitalista se mantém, aumentam a concentração de riqueza e a desigualdade entre ricos e pobres.
Segundo a Oxfam, os dez homens mais ricos do mundo possuem uma riqueza maior que a metade mais pobre da humanidade, ou seja, mais de quatro bilhões de pessoas. Somente no último ano, a fortuna desses magnatas cresceu US$ 4 trilhões, o suficiente para acabar com a pobreza extrema no mundo 50 vezes!
A relação direta entre riqueza e pobreza foi explicada assim por Karl Marx, em O Capital:
“A acumulação da riqueza num polo (a burguesia) é, ao mesmo tempo, a acumulação de miséria, tormento, escravidão, ignorância, brutalização e degradação moral no polo oposto, isto é, do lado da classe que produz seu próprio produto como capital (os operários)”.
Dito de outra forma, o aumento da riqueza dos bilionários não é uma prova que a economia está avançando, mas o contrário, pois quanto maior for a quantidade de ricos no mundo, maior será o número de pessoas amargando uma vida de sofrimento. É evidente que um sistema desse não pode mais continuar existindo!
E foi Marx quem primeiro revelou a verdadeira causa da miséria dos trabalhadores na sociedade capitalista. Segundo ele, o lucro dos patrões vem do trabalho não-pago aos operários, isto é, da mais-valia que produzem. Mais-valia é o nome dado ao valor criado pelo trabalho do trabalhador assalariado acima do valor de sua força de trabalho e do qual o capitalista, por ser dono dos meios de produção, se apropria gratuitamente.
Para aumentar a mais-valia, os patrões estão sempre procurando novas formas de explorar os trabalhadores: aprovam leis retirando direitos trabalhistas, precarizam as relações de trabalho, aumentam a jornada e diminuem os salários. Além disso, na atual fase imperialista do capitalismo grande parte da riqueza da burguesia não vem da produção de mercadorias ou do comércio, mas da especulação financeira.
Pois bem, já que a propriedade privada dos meios de produção é a fonte da riqueza da burguesia, para acabar com as desigualdades sociais e a pobreza da maioria do povo é preciso transformar as fábricas, máquinas, matérias-primas, terras, bancos, etc., em propriedade social e estabelecer o controle dos trabalhadores sobre a economia.
Riqueza para que trabalham
Para que a classe trabalhadora possa pôr fim à vida boa dos bilionários é preciso derrubar o capitalismo e construir em seu lugar o socialismo.
O socialismo é a sociedade dos trabalhadores. Nela, não existem patrões, nem exploração. O fruto do trabalho de todos será repartido conforme a participação de cada um na produção e servirá para promover o bem-estar de toda a sociedade. A riqueza da classe rica será distribuída, e eles, para sobreviver, precisão, pela primeira vez na vida, ganhar o pão com o suor do próprio trabalho.
Por isso, a classe operária e todos os oprimidos, se não quiserem continuar sendo escravizados pela burguesia, precisam lutar e se organizar no Partido Comunista Revolucionário para fazer uma revolução e acabar com a mordomia desses bilionários.
Matéria publicada na edição impressa N° 330 do jornal A Verdade