UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Greve na Brose é exemplo de força e coragem da classe operária

Leia também

Repressão violenta da polícia militar escancara contradição do serviço público na defesa da propriedade privada.

Julia Marinho e Lohan Cota | Redação Paraná


TRABALHADOR UNIDO – No final de dezembro de 2025, os operários da unidade da metalúrgica multinacional Brose localizada em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, cansados das péssimas condições de trabalho decidiram declarar estado de greve. O aumento do piso salarial e do vale alimentação (que era de apenas R$ 450) e o pagamento de PLR (participação nos lucros ou resultados) estavam entre as principais pautas de reivindicações dos trabalhadores.

Mesmo com lucros bilionários que superam os 5 bilhões de euros, a empresa paga um salário bem baixo em relação à outras do mesmo ramo, porém se recusava a dialogar com os trabalhadores. Como a empresa percebeu que a greve era inevitável, contratou mais de 50 funcionários temporários, para não deixar as máquinas paradas. Apesar disso, os funcionários não se intimidaram e declararam greve no dia 29 de janeiro.

Segurança para quem?

Desde o início da greve, os operários tiveram que enfrentar não só a sede de lucro dos patrões, mas também a violência da polícia militar comandada pelo governador fascista Ratinho Júnior (PSD). No dia 04 de fevereiro, agentes da PM cercaram, derrubaram e aplicaram um “mata-leão” no vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região Metropolitana (SMC) Nelsão da Força, que organizava uma assembleia com os operários. Além disso, fizeram o uso de sprays de pimenta para impedir outras reuniões dos trabalhadores na frente da fábrica. 

Enquanto os trabalhadores sofriam repressões violentas, para a polícia militar, a empresa fornecia almoço e janta, que tinha livre acesso à fábrica, mostrando assim à quem realmente a polícia serve.

Ao ver a polícia militar agindo à favor dos negociadores e prendendo os trabalhadores que exigiam respeito por suas reinvindicações, uma trabalhadora denunciou: “O serviço da polícia é fazer segurança do público, não do privado!”, disse ao Jornal A Verdade.

O crime do rico, a lei o cobre

Além das contratações em meio à greve, os operários grevistas não puderam participar do processo de eleição para a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio (CIPA) que começou no início de 2026. Agora, correm o risco de serem demitidos, também de maneira ilegal, por lutarem por seus direitos.

Mesmo cometendo vários crimes contra as leis trabalhistas, a Brose ainda terá pelo menos 3 meses para o juiz do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª região (TRT9) julgar o caso, um tratamento bem diferente do que os trabalhadores tiveram no início do ano.

Trabalhadores não desistem da luta

Após 46 dias de luta contra ilegalidades, assédio moral por parte da empresa e repressão policial, a greve dos trabalhadores da Brose foi encerrada, mostrando a força e a coragem da classe que tudo produz dentro da sociedade.

Apesar de não conquistarem suas reivindicações o clima não era de derrota, os operários disseram ao Jornal A Verdade que têm certeza que estavam do lado certo, que os polícias não passam de capangas dos patrões e que só a luta organizada muda a vida. “É uma vergonha, a gente lutando por justiça e eles vindo para bater na gente!”, exclamou um operário diante da atuação da polícia na greve.

O Jornal A Verdade apoia a luta dos operários da Brose e o Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e região (SMC) que seguem em busca de melhores condições de trabalho e dignidade. Para que esta luta seja vitoriosa, é necessário organizar esses trabalhadores em nossos núcleos do MLC e da UP para que lutem pelo poder popular e pelo socialismo, o único caminho para emancipar a classe trabalhadora.

More articles

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimos artigos