Na noite do dia 04 de abril, a polícia militar fascista do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) assassinou Thawanna Salamázio na zona leste da capital paulista. A trabalhadora foi morta após ser agredida, receber um disparo de uma policial e ter seu atendimento negado pela PM. Os trabalhadores da zona leste, em especial da Cidade Tiradentes, organizaram um ato no bairro exigindo justiça.
Nathalia Vergara | São Paulo
Luta Popular – Mortes causadas por violência policial não são casos isolados. Desde a eleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) para o governo de São Paulo, o número de óbitos aumentou em 35% em todo o estado.
Além disso, as pessoas negras representam a maior parte das vítimas de letalidade policial. Em 2025, São Paulo registrou um aumento de 21,7% de vítimas negras em um ano, com o número total passando de 510 para 812.
Em 6 de abril de 2026, movimentos sociais e a Associação de Moradores da Cidade Tiradentes, Zona Leste de São Paulo, realizaram um ato exigindo justiça por Thawanna da Silva Salamázio, brutalmente assassinada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo.
O crime aconteceu na madrugada do dia 3 de abril, após Thawanna questionar a PM sobre uma tentativa de atropelamento de uma viatura durante uma perseguição policial, sofrendo uma agressão verbal em seguida.
A abordagem iniciou com uma opressão ao marido de Thawanna, com spray de pimenta, e ofensas pessoais à mulher. Segundo testemunhas, a policial a agrediu nas partes íntimas e deu um tapa no rosto, que a fez perder o equilíbrio.
“Mesmo a policial sabendo que iniciou a agressão, ela atirou logo depois. Agora eles têm que nos oprimir e temos que ficar quietos? Está errado!”, relata Vinicius Santos, um trabalhador que presenciou o caso.
Depois do disparo, Thawanna permaneceu por cerca de 40 minutos no chão, impedida de receber socorro devido a um bloqueio formado por cerca de 20 policiais. Aqueles que tentavam chegar próximo à mulher sofreram com spray de pimenta e ameaças com armas.
A morte da mulher, que deixou cinco filhos pequenos, gerou forte comoção entre os moradores, que reagiram com um ato exigindo justiça por Thawanna.
Além dos depoimentos das testemunhas, a câmera corporal de um dos policiais presentes apresenta as contradições dos atos e argumentos da policial assassina. Além de Thawanna não ter feito nada que justifique o uso da arma, o resgate, que fica a 6 minutos do local, demorou para ser acionado.
O ato também contou com uma forte presença policial fascista de Tarcísio em cada esquina, com caminhões da Tropa de Choque, viaturas da polícia militar e blitz circulando pelo bairro, além de helicópteros e drones sobrevoando acima dos manifestantes.
Os PM’s abordaram os manifestantes, recolhendo documentos e realizando ameaças para impedir a realização do ato. Também foram registrados disparos de efeito moral em direção aos moradores e a casas do bairro, com o objetivo de intimidar a população.
“Mesmo com toda repressão, o povo saiu pelas ruas pedindo por justiça, gritando palavras de ordem contra a violência policial. Muitas pessoas que estavam na calçada, dentro dos estabelecimentos e das casas, saíram para nos apoiar”, apontou Priscila Santos da Frente Negra Revolucionária (FNR).
Após a pressão dos dos trabalhadores que moram da região e a repercussão do ato, a policial responsável pela abordagem e assassinato de Thawanna foi afastada do cargo. Apesar disso, os 20 policiais que fizeram o cordão impedindo o socorro à vítima permanecem impunes.
“Os moradores do bairro já viram amigos morrerem. Nós já presenciamos pessoas tomando tiro e diversas situações de violência contra a população periférica. Inclusive, os policiais são os primeiros que nos apontam como criminosos. Isso é uma comunidade, só queremos paz. Está na hora da periferia ter voz”, conclui Vinícius.
Diante de mais um caso de violência policial, a Frente Negra Revolucionária (FNR) e a Unidade Popular pelo Socialismo (UP) convocam moradores da Cidade Tiradentes e todos os militantes para participar da jornada de lutas contra a militarização da polícia, a partir do dia 12 de abril. As ações contarão com brigadas do Jornal A Verdade, plenárias sobre segurança pública e atos por justiça, ocorrerão e defendem o fim de um sistema que lucra com o assassinato da população.