Em meio a afastamentos em massa de professores por questões de saúde mental, a decisão foi tomada pela categoria que, no governo Tarcisio (Republicanos) têm enfrentado uma piora nas condições de trabalho. Uma assembleia está marcada para a sexta-feira (10) no vão livre do MASP, na Avenida Paulista, para debater os rumos da greve.
Luís Leão, Lara Amaral e Arthur Baio | São Paulo
Trabalhador Unido – Segundo dados de 2023, quase 163 mil professores lecionaram em escolas estaduais de São Paulo. Desses, mais da metade (82.685 professores) estão na denominada “categoria O”, mesmo depois de terem sido prestado concurso público.
Essa categoria inventada pelo governo para baratear a educação se resume em contratar professores temporários que não têm o direito a nada, nem mesmo a faltar por decisão médica apresentada por atestado.
É comum encontrar nas escolas professores que estão há mais de 10 anos renovando anualmente seus “contratos temporários”. Apesar de ser um cenário que vem piorando a diversas gestões do governo de São Paulo, desde que Tarcísio de Freitas (Republicanos) assumiu a situação piorou radicalmente, mais de 40 mil professores estão sofrendo com falta de atribuições de aula no estado.
Apesar das mais de 80 mil vagas ocupadas por professores temporários, o último concurso público realizado em 2023 só efetivou 15 mil. Nos últimos 14 anos, o Estado de São Paulo só abriu 2 concursos públicos para professores, enquanto abriu mais de 10 para Policial Militar.
Além disso, os professores são submetidos a avaliações de desempenho, em que os servidores são julgados pelas suas equipes gestoras e pelos estudantes.
Muitos professores tiveram seus contratos suspensos sem direito algum à defesa. Essas avaliações, também levam em consideração a assiduidade do trabalhador e a participação em um curso online do governo (que contabiliza mais qualificação que um título de doutorado), sem que haja vagas suficientes para todos da rede.
Foram meses sem salário e as contas não param de chegar. Além disso, não garantem que tenham aulas suficientes para que todos voltem a lecionar neste ano.
Greve dos dias 9 e 10 de abril
Mesmo após a conquista da volta dos professores que tiveram seus contratos suspensos, ainda temos muitas lutas pela frente. A categoria tem reivindicado uma melhor valorização de carreira, melhores condições de trabalho, contra o fechamento de salas de aula, contra os assédios moral e sexual e contra a militarização de nossas escolas.
Por isso, o MLC chamou toda a categoria para aderir à greve dos dias 9 e 10 de abril. Apenas com greve conquistamos nossos direitos e, mais do que melhorias econômicas, lutamos por uma sociedade verdadeiramente justa onde não tenhamos mais fome, guerras e que direitos básicos como a educação não sejam mercadorias. Lutamos pelo Socialismo!