Prédio histórico se encontra abandonado e é mostra de como nossa sociedade não preserva sua memória.
Augusto Costa| Recife (PE)
HISTÓRIA- O prédio localizado no bairro da Boa Vista foi palco de grandes batalhas pela educação e pela democracia na história de Pernambuco: foi graças a luta dos estudantes de engenharia que a primeira sede da UNE no estado de Pernambuco foi aberta no prédio da frente, foi da Escola de Engenharia que no dia 01 de abril de 1964 saiu a passeata em defesa da democracia no dia um da ditadura militar. Foi a Escola de Engenharia o palco da resistência que formou na luta grandes heróis que deram suas vidas pelo povo e pela democracia, lá estudaram Ruy Frazão, estudante e militante da Ação Popular assassinado em Petrolina no ano de 1973 e Cândido Pinto, presidente da União dos Estudantes de Pernambuco metralhado pela milícia terrorista CCC (Comando de Caça aos Comunistas) sob ordens do Exército Brasileiro no ano de 1968.
A Escola de Engenharia foi renomeada e transferida para o Campus Universitário na Várzea no ano de 1966 sob protestos dos estudantes que não queriam deixar o centro da cidade, muito menos deixar o prédio jogado à especulação imobiliária. Após isso, o antigo prédio foi utilizado por outros departamentos da UFPE, pelo Diretório Central dos Estudantes e pelo Ginásio Pernambucano.
A concessão
No ano de 2024 a Reitoria da UFPE, que já deixava a estrutura do prédio cair aos pedaços, assinou uma concessão onerosa cedendo o prédio ao CREA-PE sob a premissa de construir o primeiro Memorial da Engenharia brasileiro, o plano era ‘simples’: Receber o prédio, captar recursos, finalizar o projeto em 2025 e iniciar a obra de recuperação para que estivesse finalizada em 2028.
O contrato também deixou claro a ‘motivação’ da UFPE para a concessão: “No atual quadro orçamentário da UFPE, não existe a disponibilidade suficiente de recursos que pudessem arcar com as despesas de contratação de projeto executivo para os fins dispostos (projeto executivo) e seu quadro técnico encontra-se absorvido em atividades anteriormente planejadas.”
Passados dois anos da concessão, tudo que resta para o prédio é o abandono administrativo e a impossibilidade de utilização do prédio, que com exceção do anexo utilizado pela Faculdade de Direito do Recife (CCJ/UFPE), não possui movimentação alguma. A pergunta que fica é: O CREA-PE e a UFPE revitalizarão o espaço ou deixarão o prédio disponível para ser ocupado por ratos, moscas e mofo?
