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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Ocupação Maria Augusta Thomaz é a primeira Ocupação de Mulheres de Goiânia (GO)

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Fruto de uma jornada nacional, a Ocupação de Mulheres Maria Augusta Thomaz é um espaço de acolhimento à mulheres e combate à violência de gênero, e a primeira em Goiânia organizada pelo Movimento de Mulheres Olga Benario

Movimento Olga Benario | Goiânia (GO)


MULHERES – O dia 14 de março de 2026 foi marcado nacionalmente como um dia de luta
pela vida das mulheres, com dezesseis ocupações simultâneas e mais uma realizada no
dia 15 de março. Foi nessa jornada que o Movimento de Mulheres Olga Benário alcançou
um feito inédito em Goiânia (GO): a ocupação de uma casa abandonada há
aproximadamente seis anos e a manutenção desse espaço por um mês.  Assim nasceu a Ocupação de Mulheres Maria Augusta Thomaz, no centroda capital, sob a palavra de ordem: “Chega de Feminicídios! Lute pelo Socialismo”.

A criação e a manutenção de espaços de ocupação por mulheres são
estratégias fundamentais de resistência contra a violência de gênero, funcionando como
polos de debate e denúncia. Ao organizar 17 ocupações, o Movimento de Mulheres Olga
Benário evidenciou a necessidade de organizar a revolta de todos que não aceitam mais
o sistema capitalista — sistema este que oprime a classe trabalhadora e transforma as
mulheres em vítimas. Atualmente, diante da perda de direitos básicos, nossa luta
restringe-se quase à sobrevivência: lutamos, antes de tudo, para nos manter vivas.
Histórico e Homenagem

A Ocupação de Mulheres Maria Augusta Thomaz está localizada no prédio
onde funcionou, até o final de 2019, a Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as
Mulheres, no Setor Aeroporto. O imóvel estava abandonado desde então.
A homenageada desta primeira ocupação do Movimento de Mulheres Olga
Benário em Goiás, Maria Augusta Thomaz, foi uma militante paulista, estudante de
filosofia e delegada do 30º Congresso da UNE em Ibiúna. Com formação militar em Cuba,
foi vítima da Ditadura Civil-Militar. Morta e desaparecida em Rio Verde (GO), sua luta
agora renasce no centro de Goiânia.

Porque ocupar?

As ocupações não são apenas espaços físicos de moradia ou reunião;
configuram-se como territórios de acolhimento e emancipação, onde a lógica da
vulnerabilidade é substituída pela rede de apoio mútuo. Em uma sociedade onde a
violência ocorre majoritariamente no ambiente doméstico, a ocupação surge como um
“porto seguro” que rompe o isolamento da vítima, permitindo a transformação do trauma
em ação coletiva e política.
A Ocupação surgiu para denunciar:
• O crescimento alarmante do número de feminicídios em Goiás.
• Os atrasos nas obras da Casa da Mulher Brasileira em Goiânia.
• A negligência do poder público na formulação de políticas em defesa da
vida das mulheres.

Atividades e Solidariedade Internacional

Desde o primeiro dia, diversas atividades foram realizadas para manter a casa
viva e ampliar o debate. Recebemos representantes de sindicatos e organizações
políticas, além de promovermos oficinas e rodas de leitura.
No dia 22 de março, o Movimento realizou um almoço coletivo em
comemoração à primeira semana de ocupação. O evento contou com a participação do
jornalista e sociólogo Renato Dias, autor do livro “As quatro mortes de Maria Augusta”,
que compartilhou seus conhecimentos sobre a homenageada e presenteou a ocupação
com um exemplar da obra.

Já em 28 de março, no Dia da Terra Palestina, o Movimento uniu forças ao
Comitê da Palestina em solidariedade à luta anti-imperialista da resistência Palestina,
Libanesa, Iraniana, Venezuelana e Cubana. O ato teve início na Praça da Palestina e
culminou em uma marcha até a ocupação, encerrando-se com a leitura do Jornal A
Verdade. Além disso, o Movimento participou, junto a representantes do referido jornal, do
Encontro Estadual do Fórum de Mulheres na Saúde.

A luta continua!

Sendo a primeira ocupação urbana voltada para mulheres na história de Goiás,
a Ocupação Maria Augusta Thomaz permanece, até o momento, sem solicitação de
reintegração de posse. Nosso objetivo é consolidar o espaço como uma casa de
referência para mulheres em situação de violência, combatendo a apatia do Estado.
Esta ocupação é a prova de que somente a mobilização e a organização
popular são capazes de gerar conquistas concretas. Alcançamos o marco de 19 dias com
resistência e organização, fortalecendo nossa luta dia após dia.

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