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Sambistas cariocas contra o golpe: “não vamos admitir passos atrás”

Noca da Portela. Foto Mídia Ninja

Noca da Portela

Na noite do último dia 28 de março, debaixo dos Arcos da Lapa, tradicional bairro boêmio no centro do Rio de Janeiro, um grupo de sambistas promoveu a primeira reunião da recém criada Frente Popular do Samba, movimento cujo objetivo é demonstrar o repúdio ao golpe que as forças reacionárias querem impor ao país através do processo de impeachment da presidenta Dilma.

“Nós, sambistas e militantes da cultura popular, em um momento tão preocupante da vida política de nosso país, evocamos a essência democrática, tão cara ao samba desde os seus primórdios, para nos posicionarmos contra a tentativa de golpe”, afirmaram os artistas em manifesto.

Presentes ao evento estavam nomes como o cantor Rodrigo Carvalho, o diretor musical e violonista Paulão Sete Cordas, a pesquisadora Raquel Valença, o carnavalesco Cid Carvalho, o presidente do bloco carnavalesco Embaixadores do Samba, Cláudio Cruz, e o escritor Fábio Sabato. A cantora Beth Carvalho não pode estar presente, mas mandou um vídeo se somando ao movimento. Já lendário Noca da Portela, do alto dos seus 83 anos de idade, sendo 62 deles dedicados ao samba, fez questão de comparecer para falar de sua luta contra a ditadura militar e afirmar sua disposição de lutar em favor da democracia e pelos direitos conquistados pelo povo trabalhador.

Durante o ato, Rodrigo Carvalho afirmou que só o povo nas ruas pode derrotar as “ideias retrógradas e o retrocesso em nosso país”. O premiado carnavalesco Cid Carvalho foi no mesmo sentindo: “a defesa da liberdade está no sangue dos sambistas e por isso não podemos ficar omissos nesse momento. Esse mundo é para os corajosos e o sambista é um corajoso”.

Já Fábio Sabato lembrou os 100 anos que o samba completa em 2016 e resgatou sua luta contra a discriminação e a opressão perpetrada por esses mesmos representantes da burguesia que hoje querem submeter o país a um golpe que não respeita a vontade do povo expressa nas urnas. “Vindo do seio do povo mais humilde, o samba cumpre, mais uma vez, o seu papel de cronista e, acima de tudo, contestador de toda sorte de arbítrio e repressão a qual os populares são diariamente acometidos”, disse.

Por fim, os sambistas afirmaram que não vão “admitir passos atrás nessa longa caminhada que ainda temos pela frente em busca de um Brasil mais justo, plural e igualitário para todas as pessoas, independentemente de classe social, raça, orientação sexual e gênero. A rua é do povo e nós demoramos a ocupá-la. Mas vamos tomar novamente as ruas em defesa de nossos direitos e da democracia, com a força e a alegria do samba”.

Victor Madeira, Rio de Janeiro

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