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Servidores do Proderj dão exemplo de solidariedade e combatividade

Servidores do PRODERJ ocupam sede da Secretaria de Ciência e Tecnolgia, no Rio. Foto_Vanor_Correia

Os trabalhadores do Centro de Tecnologia da Informação do Estado do Rio de Janeiro (Proderj) entraram em greve pela regularização dos pagamentos dos servidores, tanto ativos como aposentados no final do ano passado.

Durante a greve, o sistema de pagamento do Estado (SIGRH) apresentou problemas, mas os trabalhadores mantiveram-se parados. Nas paralisações do setor de informação o sistema de informática funciona até dar problema e necessitar da intervenção direta do trabalhador. Foi o que aconteceu com o SIGRH no dia 4 de janeiro, nove dias depois de iniciada a greve.

A partir daí, o Governo Pezão, pressionado por diversas greves e por um desgaste político enorme, foi obrigado a descer do alto de sua arrogância e arranjar saídas para a solução de um impasse sensível. Como não pagar categorias como segurança e educação quando o dinheiro já estava disponível? Era véspera de pagamento e o governo apareceu com R$ 3,5 milhões para “pagar os salários do Proderj”. No entanto, o dinheiro só daria para pagar os ativos. Já os aposentados, em maior número, ficariam para receber parceladamente.

Companheirismo suplanta o egoísmo

Nesse mesmo dia 4, os trabalhadores realizaram uma assembleia – lotada – e decidiram pelo restabelecimento do sistema, visando a atender ao pagamento dos demais servidores do Poder Executivo, pelo repúdio à forma como o governo tratou os trabalhadores do Proderj – propondo pagar integralmente somente os ativos –, e pela continuidade da greve, pois, além do 13º e do salário de dezembro ainda estarem sem solução, faltava o restante do dinheiro para pagar os aposentados e pensionistas (mais R$ 7,5 milhões).

Esta decisão teve uma grande repercussão no movimento dos servidores, o Muspe, e na sociedade, pois foi a primeira categoria a continuar em greve por solidariedade aos seus aposentados e pensionistas. A partir daí, diversas categorias passaram a tomar as mesmas medidas, como é o caso dos policiais civis, agentes penitenciários e agentes do Degase.

Foram três semanas de greve. No dia 16 de janeiro, os trabalhadores decidiram suspender o movimento temporariamente, pois foi necessário liberar o pessoal técnico envolvido com a mudança do parque computacional para outro prédio, uma das exigências da luta.

Aposentados na luta

Mas a luta, como sempre, continua. Logo no dia 26 de janeiro, cansados de serem humilhados, os aposentados do Proderj também deram exemplo de combatividade ao ocuparem o andar da Secretaria de Ciência e Tecnologia exigindo o pagamento integral de seus salários e que seja feito no mesmo dia dos ativos. Essa também foi uma atitude pioneira no atual movimento dos servidores, já que até o momento não houve nenhuma manifestação específica de aposentados das categorias em luta do Estado.

Tem sido uma boa luta, mas ações mais rigorosas já estão sendo tomadas, uma vez que sempre haverá a intenção de dividir para governar, mesmo que isso signifique o governo manter aposentados e pensionistas na penúria ao determinar quem vai receber em dia e quem vai ter de sobreviver ao parcelamento.

No dia 1 de fevereiro, servidores públicos realizavam uma manifestação em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) quando dezenas de policiais militares utilizando um carro blindado atiraram bombas e agrediram os manifestantes. Os trabalhadores, que protestavam contra a privatização da Companhia de Água e Saneamento do Estado (Cedae) e exigiam o pagamento dos salários atrasados se defenderam e revidaram da forma que podiam. Segundo o próprio governo estadual, um contingente de 500 homens da Polícia Militar e da Força Nacional de Segurança foram usados para cercar o prédio da Alerj neste dia.

Marcos Villela, presidente da ASCPDERJ.

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