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Curta-metragem promovido pelo MLB vence Festival de Cinema de Brasília

“Por proporcionar uma experiência de construção coletiva que entende o cinema como parte do mundo e que nos inspira a entender o ato de resistência, o prêmio de melhor filme vai para: ‘Conte isso àqueles que dizem que fomos derrotados’, de Aiano Benfica, Camila Bastos, Cris Araújo e Pedro Maia de Brito.”

Este foi o anúncio no momento da premiação da categoria de melhor curta-metragem do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, um dos mais importantes festivais do audiovisual do país.

Conte isso àqueles que dizem que fomos derrotados foi filmado e finalizado sem qualquer recurso de ordem pública ou patrocínio privado. É uma coprodução Minas Gerais/Pernambuco e busca construir uma experiência sobre as ocupações urbanas a partir da memória imagética e sonora produzida pelo próprio movimento e sua comissão de comunicação. O filme estreou no dia 18 de setembro durante o 51º Festival de Brasília dentro da mostra competitiva. Sua próxima exibição será no Goiânia Mostra Curtas, em Goiás, no início de outubro.

Sua construção seguiu por um caminho completamente inverso ao que acontece com as demais obras cinematográficas. Para fazer um filme há um processo de criação que inclui roteiro, personagens, captação de recursos, escolha da locação, produção, entre outras infinidades de processos que antecedem as filmagens, já “Conte isso” foi produzido com o material bruto filmado durante a madrugada da ocupação de um terreno em Belo Horizonte, organizada pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB).

O filme então aconteceu após esta experiência de participação dos autores no universo das famílias sem-teto e após a realização de mais três ocupações protagonizadas pelo MLB em Minas Gerais: Paulo Freire, Temer Jamais e Manoel Aleixo, as duas últimas violentamente despejadas pela Polícia Militar.

Dos quatro cineastas, três são integrantes ativos do MLB (Camila Bastos, Aiano Benfica e Cris Araújo), participantes do grupo de comunicação que faz a divulgação das lutas e das ações do MLB. Já o pernambucano Pedro Maia é parceiro que caminha junto ao movimento.

Necessário ressaltar que o MLB possui uma grande rede de apoiadores e colaboradores, muitos dos quais já militantes do movimento, nas mais diversas áreas como saúde, educação, arquitetura, psicologia, advocacia popular, teatro, entre outras, que atuam para ajudar as milhares de famílias organizadas e espalhadas nos diversos territórios de atuação.

O nome do filme é inspirado no poema palestino de Najwan Darwish, que retrata a resistência daquele povo à guerra sionista do governo de Israel. Para os autores é um paralelo à resistência das famílias das ocupações e sua luta por um território para viver com dignidade. Agora o filme deve alçar novos voos em festivais pelo Brasil e até no exterior. Em vários estados, a coordenação do MLB está organizando exibições.

A conquista do prêmio de melhor curta-metragem do Festival de Brasília é resultado de um trabalho consciente na busca pela libertação dos pobres e excluídos do Brasil. É uma conquista coletiva, com méritos para o esforço dos autores, que retrata uma dura realidade de milhões de famílias que vivem nas periferias das grandes cidades brasileiras.

Fernando Alves, Minas Gerais

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