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Combatividade e luta caracterizam encontro estadual do Movimento de Mulheres Olga Benário em São Paulo

O encontro estadual contou com a presença de mulheres de diversas regiões do Estado, debateu a conjuntura atual da vida das mulheres trabalhadoras e definiu os próximos passos a serem dados pelo movimento.

Gabriela Torres e Jady Oliveira


Foto: Jady Oliveira/Jornal A Verdade

SÃO PAULO – Aconteceu ontem (18) o Encontro Estadual de Mulheres, organizado pelo Movimento Olga Benário. O evento contou com apresentação artística na abertura e reuniu mulheres da Zona Leste, Oeste, Norte e Sul da capital, além de outras cidades como Santos, Santo André, Guarulhos, São Bernardo, Mogi das Cruzes, Diadema e Mauá. O tema do encontro foi a história de vida da comunista revolucionária Olga Benário, que deu sua vida pela emancipação feminina e pela revolução socialista.

Foto: Jady Oliveira/Jornal A VerdadeCULTURA – Musicista Heloiza Cristina inicia abertura do evento com música de Milton Nascimento, valorizando a cultura popular brasileira.


A mesa que ministrou o debate foi composta por diversas integrantes: Uma das convidadas foi Isis Mustafa, diretora de mulheres da União Nacional dos Estudantes (UNE) e membro do Diretório Estadual da Unidade Popular pelo Socialismo.

Foto: Jady Oliveira/Jornal A Verdade

A análise de conjuntura priorizou a situação atual das mulheres trabalhadoras no país, as mais afetadas pelos atrasos da política burguesa posta pelo capitalismo: “Somos nós que temos mais de uma jornada, somos nós que trabalhamos nos empregos mais terceirizados, nos que sequer temos o mínimo, como carteira assinada”. Dentre os vários exemplos possíveis, foi relembrada a Reforma Trabalhista aprovada pelo governo golpista de Michel Temer e a Reforma da Previdência, em processo de votação.

Apesar da intensificação da exploração dos mais pobres, a diretora eleita mencionou as mobilizações estudantis vitoriosas dos dias 15 e 30 de maio e 13 de agosto, e garantiu que há, por parte da população, uma vontade de responder a esses retrocessos: “Ainda que a situação esteja cada vez pior, isso não está sendo assistido de forma tranquila pelo povo. O povo trabalhador, as mulheres e a juventude não só podem, mas devem ser poder”.

A representante da coordenação do Movimento de Mulheres Olga Benário, Rafaela Carvalho, contou a história da homenageada escolhida no encontro de mulheres latino-americanas e caribenhas de 2011, quando o movimento nasceu: Olga Benário entrou no Partido Comunista Alemão aos quinze anos de idade, quando foi escolhida pela Internacional Comunista para ir ao Brasil com a missão de auxiliar Luís Carlos Prestes na libertação do povo brasileiro. “A gente precisa dar resposta às pessoas: e a resposta é a luta. Ela [Olga] podia ter ficado em casa, casado e cuidado dos filhos. Mas isso para ela era pouco. É necessário um grande amor revolucionário para morrer por um outro povo, além dos trabalhadores de seu próprio país”.

Foto: Jady Oliveira/Jornal A Verdade

Foram feitas, também, considerações acerca da atuação do próprio movimento desde sua criação: atualmente presente em 22 Estados e no Distrito Federal, organizando trabalhadoras e estudantes na luta pelo socialismo. Apesar de possuir menos de uma década de existência, o crescimento exponencial do movimento se explica principalmente pelo agravamento da situação das mulheres no país, onde a crise política precariza ainda mais as condições de vida das trabalhadoras negras.

Em nome da ocupação Helenira Preta, Carol Vigliar pontuou os objetivos do movimento:

A participação do embasamento teórico marxista é evidente, e aparece nas defesas feitas pelo Olga Benário: “A gente entende que o marxismo é uma ferramenta de análise da realidade. E uma das coisas que ele nos mostra, é que o motor da história é a luta de classes. O capitalismo se apropriou do machismo para aumentar ainda mais a exploração da classe trabalhadora, porque produzimos valores de uso que não são pagos, com o trabalho doméstico não remunerado imposto a nós”.

Foto: Jady Oliveira/Jornal A Verdade

A relação entre os privilégios da classe dominante e a situação das mulheres é de contradição: 10% dos mais ricos concentram 53% das riquezas do país enquanto as mulheres, maioria da população, sofre por condições de trabalho insustentáveis. As dificuldades se dão pela negligência do Estado burguês diante da questão da maternidade: “Metade das mulheres são demitidas depois que acaba o período de licença maternidade, e 65% das crianças do Brasil não têm acesso à creche. Somos punidas por sermos mães”.

Foto: Jady Oliveira/Jornal A Verdade


A coordenação da casa também pôs em questão a violência de gênero no país: “Uma mulher é assassinada a cada duas horas, e uma pessoa trans é assassinada a cada dois dias”. A Casa Helenira Preta salva mulheres do ABC, porém o posicionamento das representantes é claro: “Apenas isso é insuficiente. Nessa luta de classes, jamais teremos uma vida plena. Porque a crise existe sobretudo para nós, mulheres, mulheres negras e pobres. Trabalhar na casa de referência é ver todos os dias o quanto é insuficiente”, afirma Vigliar.

Durante a discussão, foi abordada a questão das mulheres camponesas, caiçaras e ribeirinhas e a necessidade de expandir as lutas para além das regiões metropolitanas. Os casos de assédio nas universidades, a prisão de lideranças femininas dos movimentos de moradia, a falta de amparo na institucionalidade burguesa, o exemplo das mulheres soviéticas.

Foto: Jady Oliveira/Jornal A Verdade

As mulheres mães pontuaram sobre os desafios e responsabilidades desse posto: “Fiz o primeiro ultrassom e descobri que era uma menina, e que traria ao mundo uma mulher preta. Naquela semana, uma menina de dezesseis anos foi estuprada por mais de trinta homens na cidade onde nasci e eu entendi que o caminho era a luta por uma nova sociedade”, contou Allana Mattos, mãe solo e estudante da Universidade Federal do ABC.

Foto: Jady Oliveira/Jornal A Verdade

Lívia Moraes, advogada da casa de referência, relata sobre casos de omissão do Estado em que escrivães se recusam a registrar boletim de ocorrência das vítimas de agressão que chegam ao centro de referência, sob a justificativa de que “foram só ameaças”: “Eu não vejo hoje a gente, através da institucionalidade, através das leis postas hoje, transformando a realidade do nosso país. É um passo importante estarmos nos espaços de poder para que as leis sejam feitas a partir da nossa voz, mas não é através das leis burguesas que vamos conseguir a emancipação das mulheres.”

“Temos a ideia de que quem transforma a sociedade são figuras chaves, iluminadas muitas vezes, e não são pessoas comuns. E eu acho que o que tem mais importante no Movimento de Mulheres Olga Benário é que não construímos só o trabalho do dia a dia: se a gente resolve se organizar e fazer uma luta, nós conseguimos movimentar toda a nossa sociedade, e isso é uma questão estrutural”, diz Priscila, psicóloga da Casa Helenira sobre o protagonismo das mães, estudantes e trabalhadoras na emancipação do povo.

Ocorreu, ainda, o estudo coletivo da nova proposta de cartilha, um documento que unifica as teses e defesas e coesiona a atuação do movimento a nível nacional. As alterações e inclusões sugeridas serão encaminhadas para o encontro nacional que irá ocorrer no próximo período.

Foto: Jady Oliveira/Jornal A Verdade

Por fim, o Encontro votou os nomes para o nova Coordenação Estadual do Movimento Olga Benário, que trará maiores condições do Movimento se estruturar em cada vez mais espaços de atuação, organizando as mulheres para resistir aos retrocessos, se formar através das lutas e, principalmente, conquistar sua libertação e a construção do poder popular e do Socialismo.

Foto: Jady Oliveira/Jornal A Verdade

GALERIA: ENCONTRO ESTADUAL DO MOVIMENTO DE MULHERES OLGA BENÁRIO – SÃO PAULO

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