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Moradores de Jundiapeba ocupam Câmara contra despejo e pelo direito à moradia

Em luta pelo direito de morar dignamente, diversos moradores e apoiadores lotaram o auditório com cerca de cem lugares da Câmara Municipal de Mogi das Cruzes (SP).

Pedro Dragoni


Foto: Divulgação/ Movimento Jundiapeba por Moradia

MOGI DAS CRUZES (SP) – A vinda em peso dos moradores e moradoras de Jundiapeba à Câmara Municipal de Mogi das Cruzes (SP) em uma audiência pública realizada na última sexta-feira (23) mostra a vontade de lutar da população pelo direito à moradia digna, em que a Unidade Popular também se fez presente.

Convocada pelo vereador Rodrigo Valverde (PT), em conjunto com a comissão do Movimento Jundiapeba por Moradia, o auditório com cerca de 100 lugares lotou – com a participação de diversos moradores e apoiadores da causa, em pé, lotando os corredores da sala onde aconteceu a discussão.

Mesmo tendo sido convocado para a reunião, tanto o prefeito da cidade Marcus Melo (PSDB), quanto os representantes da empresa que reivindica a reintegração de posse (ISA CTEEP) e a defensoria pública não compareceram à consulta popular. Tal acontecimento mostra o descaso do poder público com a população de Jundiapeba, em detrimento dos interesses da empresa. Sendo assim, sofre o povo pobre e trabalhador de um dos bairros com maior falta de atenção aos problemas sociais por parte do poder municipal.

Foto: Pedro Dragoni/Jornal A Verdade


Foto: Divulgação/ Movimento Jundiapeba por Moradia

A situação de despejo ocorre no mesmo momento em que – preocupado em “mostrar serviço” à imprensa e à população mogiana, em função de sua reeleição nas eleições municipais de 2020 – o atual prefeito, através de certos meios de comunicação, promove uma “Semana de Habitação” que tem como tema a regularização fundiária e habitação de interesse social.

Seria cômico se não fosse trágico o fato de tal evento coincidir e estar em uma contradição gritante com o processo de reintegração que afeta 459 famílias, e que ao todo chega ao número aproximado de mais de duas mil pessoas (entre mulheres e homens adultos, idosos, jovens e crianças) que ficarão sem suas casas conquistadas com muito suor e muita luta, e sem uma solução viável e imediata ao problema em Jundiapeba por parte da prefeitura.

Como diz a própria sabedoria popular, “ninguém dá nada de graça para ninguém”, e isso é claro na situação de Jundiapeba: os moradores vivem no local há décadas, e há décadas pagam religiosamente seus impostos, não estão e nem nunca estiveram lá gratuitamente.

A destruição feita pelos tratores, o susto de ser acordado no meio da madrugada e ser obrigado a deixar a própria casa, não importando se será debaixo da neblina e sob um intenso frio, é o interesse do capital se sobrepondo através do poder político e jurídico e de seu braço armado (a polícia militar) que de forma desumana acabam com lares e com histórias em “nome da lei”.

Foto: Pedro Dragoni/Jornal A Verdade

Em 2018, 130 famílias do mesmo local sofreram com o despejo, na rua Equador. Houve a promessa da prefeitura para a realocação das famílias ou ressarcimento, o que não foi cumprido pelas autoridades.

O efeito da reintegração passada, e da que ocorre agora, fez com que a população afetada buscasse se organizar, se unir e lutar na busca de uma saída minimamente razoável para as famílias, ao contrário do que aconteceu ano passado, e que se não houver reação por parte do povo, o resultado será os destroços das casas e a negligência do poder público ao cumprir suas promessas.

A audiência do dia 23 representou nesse sentido uma demonstração da disposição popular para defender o que é seu direito de fato (inclusive constitucional), não se deixando levar por arrivistas, e consciente do papel de certas mídias na tentativa de desacreditar ou até mesmo criminalizar a justa e necessária luta do povo.

O revolucionário Karl Marx dizia que “não é a consciência do homem que lhe determina o ser, mas ao contrário, é o seu ser social que lhe determina a consciência”. Sendo assim, a população de Jundiapeba começa a compreender na prática que não bastam apenas as – importantes, mas insuficientes – medidas de caráter jurídico-legal, mas que é a sua força como conjunto, como classe social explorada e oprimida, que adquire maior consciência e começa a se valer de métodos de luta de maior enfrentamento e radicalização, tanto para chamar a atenção da sociedade à sua reivindicação que é de tão urgente necessidade quanto para que possam fazer sua justa causa triunfar.

A Unidade Popular pelo Socialismo, atuante no Alto Tietê, manifesta apoio irrestrito e efetivo ao povo de Jundiapeba e ao Movimento Jundiapeba por Moradia em sua construção. O Partido estará ao lado das massas populares do bairro, independente do resultado imediato e sejam quais forem as circunstâncias que a realidade nos apresente.

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1 comment

  1. Fabio

    Excelente trabalho da UP,estive na audiência é inadimissivel o descaso da Cteep e do prefeito Marcus Mello que ignoram o povo debaixo de seu próprio teto(câmara municipal)!

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