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A luta dos imigrantes é uma luta de todos

“Se a rica burguesia internacional se solidariza entre si, também os trabalhadores do mundo inteiro devem unir-se em uma luta que se irmana sem fronteiras.”

Júlia Andrade Ew


Foto: Marco Ambrosio/FolhapressRESISTÊNCIA – Ato de imigrantes pelo fim da discriminação e contra o trabalho análogo à escravidão realizado em 2013.


BRASIL – As migrações são fenômenos presentes ao longo da história humana e acontecem por inúmeros fatores. Atualmente, em um mundo dividido entre ricos e pobres, onde as potências imperialistas provocam guerras que dilaceram territórios e economias, provocam embargos e sanções, apropriam-se da riqueza dos países dependentes, onde as fronteiras de alguns países são verdadeiras prisões e se prega a livre circulação de mercadorias, mas nunca a livre circulação de trabalhadores, as migrações tomam um aspecto político específico. De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, a ACNUR, uma em cada 113 pessoas é hoje solicitante de refúgio, deslocado interno ou refugiado. Estima-se que, no mundo, 24 pessoas tornam-se refugiadas por minuto, o maior número desde a Segunda Guerra Mundial. Aproximadamente 34 mil pessoas são obrigadas a tentar sair de seus países por dia, devido a conflitos e perseguições, totalizando mais de 68 milhões de pessoas em deslocamento forçado pelo mundo. A Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que existem mais de 258 milhões de imigrantes internacionais (incluindo migrações voluntárias e forçadas), o que totaliza o dado de que, atualmente, mais de 3,4% da população do mundo é migrante.

A pergunta que fica é: sendo a migração algo tão presente em nossa sociedade, e sendo grande parte da população descendente de imigrantes, por que alguns imigrantes ainda são tratados de maneira tão violenta? Podemos aqui citar o caso de Kerby Tingue, Haitiano de 32 anos, que, no dia 3 de junho deste ano, foi brutalmente espancado e assassinado ao ser jogado na frente de um caminhão na BR-101 por um grupo de racistas na cidade de São José, Santa Catarina. Ou os salvadorenhos Óscar Alberto Martínez Ramírez e sua filhinha Angie Valeria Martínez Ávalos, de apenas 1 ano e 9 meses, que, no dia 23 de junho deste ano, morreram afogados ao tentar atravessar o Rio Grande, na divisa do México com os EUA, ou ainda o menino Alan Kurdi, refugiado sírio de três anos cujo afogamento causou comoção internacional.

Foto: AFP/Arquivos

Os imigrantes, além de enfrentarem as políticas xenófobas, nacionalistas e racistas do imperialismo, enfrentam em seu cotidiano no Brasil situações como insuficientes estruturas de acolhida para moradia e aprendizagem da língua portuguesa, estando esse serviço geralmente à mercê de iniciativas religiosas, pois o Estado faz pouco caso de políticas como o Centro de Referência de Atendimento ao Imigrante (CRAI) – que apenas se consolidou em São Paulo e Santa Catarina, estando este último com as horas contadas. O contrato entre o Estado e a Organização Social (OS) termina em setembro, e o serviço, que, em um ano e meio, atendeu mais de 5.500 imigrantes na cidade de Florianópolis, fechará suas portas.

Os imigrantes, no Brasil, ainda possuem pouco acesso à universidade, ao sistema de saúde e à assistência social. Os empregos são precarizados e, quando, por falta de oportunidades, eles trabalham no setor informal como camelôs, por exemplo, são perseguidos e criminalizados. Assim foi com Ousmane Hanne, de 33 anos, senegalês preso no Centro de Florianópolis, cujo único crime foi vender camisetas e bermudas. Para fechar com chave de ouro, nosso ministro da Justiça, o falso moralista Sérgio Moro, assinou, no dia 25 de julho de 2019, a Portaria n° 666, que dispõe sobre o impedimento de entrada no Brasil, repatriação e deportação de estrangeiros. Essa portaria nada mais é do que uma desculpa para expulsar pessoas de nosso país injustamente e de forma arbitrária, sob o subjetivo pretexto de “pessoa perigosa ou que tenha praticado ato contrário aos princípios e objetivos dispostos na Constituição Federal” ou “terrorismo”.

Em uma sociedade que permitiu que mais de 32 mil pessoas morressem em jornadas migratórias perigosas desde 2014, vê-se que, para os Estados burgueses, a vida das pessoas pouco importa. A nós, imigrantes ou não, cabe nos organizarmos para superar essa inconcebível realidade. Ora, se a rica burguesia internacional se solidariza entre si, também os trabalhadores do mundo inteiro devem unir-se em uma luta que se irmana sem fronteiras. Reconhecer nos trabalhadores que nasceram em outros países companheiros de luta contra o imperialismo, pela soberania nacional e por uma nova sociedade sem exploração é o que chamamos de “internacionalismo proletário”, valor a ser cultivado e disseminado entre todos os setores de nossa classe. Pois se a exploração é internacional, a resistência também o será, até o momento em que os trabalhadores não tenham mais em sua cor, idioma e o local de nascimento motivos para mortes e perseguições, e sim para a celebração de uma justa sociedade, rica e diversa em suas culturas: a sociedade socialista!

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