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A militarização não é a solução!

O contraste entre o ensino público e o militar existe como parte de uma agenda política, que sucateia e afeta diariamente as escolas nos bairros pobres.

Carta: Milena Moretto
União da Juventude Rebelião


Foto: Jorge Ferreira/Jornal A Verdade

RIO GRANDE DO SUL – Na cidade de Passo Fundo, interior, o Colégio Tiradentes da Brigada Militar (polícia militar do RS) tem enorme prestígio entre os habitantes da cidade justamente pelo elevado número de aprovações em vestibulares e por seus alunos atingirem as maiores médias nos resultados do ENEM na cidade. Mas como uma escola estadual consegue tais desempenhos? Esta é a realidade do ensino público brasileiro? A militarização no colégio é o que faz ele alcançar tais notas?

Os colégios militares têm em sua grande maioria boas quadras esportivas, além de laboratórios de qualidade, datashows em sala de aula, além de uma supervisão militar e pedagógica em todas as atividades exercidas pelos estudantes. Diferentemente da realidade da escola pública brasileira que trabalha com pouquíssimos recursos, encontrando dificuldade em garantir laboratórios de qualidade, biblioteca e estrutura, como cadeiras e mesas. Também, tal realidade não poderia ser diferente. O investimento na educação brasileira é baixíssimo. Segundo o Ministério da Educação e Cultura, em 2018, era utilizado apenas R$ 2.091,37 por estudante anualmente, o equivalente a R$174,28 por mês.

Então, como um colégio público como o Colégio Militar Tiradentes consegue obter um desempenho tão bom? Obviamente pelo investimento maior nos estudantes, em um colégio militar. Segundo o jornal Estadão, os colégios militares tem um investimento de cerca de R$19.000,00 por estudante ao ano. Outro ponto de extrema importância é a compreensão da realidade dos estudantes destas escolas. Para o ingresso no Colégio Tiradentes é necessário aprovação em três provas: intelectual, de saúde e física. Além disso, o aluno deve possuir condições de vida confortáveis para conseguir se manter neste colégio. Ou seja, tenha condições de ser manter em turno integral estudando, com recursos para almoços e lanches – já que não é disponibilizada refeição para os alunos – bem como para pagamentos extras mensais como Conselhos de Pais e Mestres (CPM).

A militarização não é a solução, mas sim o investimento público na educação. Um dos direitos básicos do Estado Democrático brasileiro é justamente o acesso à educação como descrito no Art. 205 da Constituição de 1988 que diz: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”.

Ainda temos muito que avançar para que todos e todas alcancem esse direito. Sabemos que sob o governo do fascista Bolsonaro, isso não será possível. Bolsonaro defende a educação para as elites, ao contrário do que nós, da União Juventude Rebelião (UJR) defendemos: Educação é um direito de todos e todas, não é mercadoria!

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