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Entrega da base de Alcântara ameaça famílias Quilombolas

O acordo com a potência imperialista norte-americana afetará na região, em média, cerca de 792 famílias quilombolas.

Pedro Dragoni


Foto: José Cruz/Agência Brasil

MARANHÃO – Se em 2017, o fascista e então deputado Jair Bolsonaro proferiu que “quilombola não serve nem pra procriar”, agora em 2019 – sua cria -, o igualmente reacionário da pior espécie, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) pronuncia que o “acordo” (leia-se subserviência ao imperialismo norte-americano) para com a base de Alcântara no Maranhão será para “melhorar as vidas dos quilombolas”.

Não poderia se esperar algo diferente deste verdadeiro escárnio que é tal pérola bolsonarista e o acordo que, com o requerimento do deputado Pedro Lucas Fernandes (PTB-MA) apresentado essa semana, procura agilizar a votação do AST (Acordo de Salvaguardas Tecnológicas) com a mudança de que ao invés de serem cedidos 8 mil hectares para as atividades dos militares ianques, seriam agora 20 mil hectares. Tal modificação afetaria cerca de 2 mil quilombolas que seriam então despejados de suas terras.

A aprovação o pedido de tramitação com caráter de urgência nessa alteração do “acordo” significa que o Projeto de Decreto Legislativo (PDL 523/2019) pode ser aprovado diretamente em Plenário, sem precisar passar por comissões.

Os ataques contra as comunidades quilombolas não é tema novo e, particularmente no caso de Alcântara, quando da criação da base na década de 1980, já naquela época foram expulsas 300 famílias de suas terras. Se o histórico se mostra amplamente desfavorável à situação das comunidades, agora, com o novo acordo – ademais das perdas de seus territórios –, prejudicaria “o equilíbrio das relações econômicas, sociais e culturais entre as comunidades quilombolas. Ela [expansão] limitará o livre e permanente acesso das comunidades às áreas do litoral de Alcântara frente à proposta de criação de corredores nas áreas de lançamento. E o mais grave, se instalará em Alcântara uma situação de insegurança alimentar sem precedentes”, como alerta o Advogado na Sociedade Maranhense de Defesa dos Direitos Humanos (SMDDH) Diogo Cabral.

2011: Wikileaks e o Domínio Imperialista

Segundo a revelação de telegramas da diplomacia dos EUA feita pelo WikiLeaks em 2011, “a Casa Branca toma ações concretas para impedir, dificultar e sabotar o desenvolvimento tecnológico brasileiro em duas áreas estratégicas: energia nuclear e tecnologia espacial. Em ambos os casos, observa-se o papel antinacional da grande mídia brasileira”.

O veto dos ianques para a transferência de tecnologia espacial ao Brasil – na negociação com a Ucrânia realizado no ano de 2009 –, foi tácito. Mesmo com a requisição por parte de representantes ucranianos através de sua embaixada em nosso país, a posição dos EUA foi de total boicote ao uso da base de Alcântara para o lançamento de qualquer satélite fabricado ou que contivesse material produzido nos Estados Unidos.

Relembrando este caso gravíssimo que veio à tona há 8 anos e a atual política do governo federal em relação à base na cidade maranhense, fica mais do que claro que a intenção dos norte-americanos e seus fiéis serviçais encastelados no Estado brasileiro e do monopólio dos meios de comunicação  é de bloquear qualquer possibilidade de haver uma real independência econômica e tecnológica do nosso país, nos mantendo como verdadeira nação dependente e associada ao império assassino que são os EUA.

Defender os Quilombolas e a Cultura Africana

O protesto dos quilombolas na última terça-feira (03) no aeroporto de Brasília no esforço em pressionar os parlamentares a não cederem diante deste retrocesso em solo maranhense mostra que a luta pela defesa do sagrado direito a um pedaço de chão – que em teoria lhes é garantido pela Constituição Federal de 1988 –, pela cultura, os costumes de matriz africana, ou seja; a própria história brasileira, só será vitoriosa nas ruas, com um forte movimento organizado e politicamente consciente de que esta é uma batalha não tão somente pela garantia do direito conquistado pelas comunidades quilombolas, mas que é também um embate em defesa de toda a população negra brasileira, ainda oprimida pelas chagas do racismo e da escravidão que se fazem tão presentes em pleno ano de 2019.

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