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Estados Unidos assassinam general iraniano e buscam nova guerra de rapina

O governo norte americano assumiu a autoria do assassinato de Quasem Soleimani e ameaça o mundo com uma nova guerra imperialista.

Miguel Fegadolli


Foto: Reprodução/AP

BAGDÁ – Os Estados Unidos assumiu a autoria de uma ação militar realizada na capital Iraquiana. O governo de Trump bombardeou o aeroporto de Bagdá na madrugada de hoje (3) e deixou um rastro de mortos e feridos. Dentre eles, o General da Guarda de Elite do Irã, Quasem Soleimani.

A principal vítima estava à frente havia mais de 20 anos das forças Al-Quds, braço de elite da Guarda Revolucionária do Irã. Era responsável também pelo serviço de inteligência e tinha uma relação protagonista em todas as ações militares e políticas interiores e exteriores de seu país.

O recente conflito foi resultado de uma série de eventos:

1. A começar pelas sanções econômicas dos EUA contra Irã que sufocam o país já há alguns anos;

2. “Milícias iraquianas” “veiculadas a Irã”, segundo o governo norte americano, atacaram com mísseis a base militar americana no Iraque.

3. EUA bombardeia região de fronteira com a Síria e 25 combatentes das Forças de Mobilização Popular do Iraque são assassinados, organização apoiada pelo Irã;

4. Membros de “Milícias Iraquianas” invadem embaixada americana em Bagdá, Trump acusa Irã de ser responsável.

Logo após, acontecem os eventos atuais. Posteriormente o líder do governo Iraniano (Ali Khamenei) disse que uma “dura vingança” aguarda aos “criminosos” que assassinaram o General, e ainda hoje, foi realizado um protesto massivo no Irã contra o ataque dos EUA.

Fotos: Nazanin Tabatabaee/Reuters


É evidente que por trás desses conflitos armados existem interesses econômicos em jogo, visto que o Irã possui a quarta maior reserva de petróleo no mundo e o Iraque é responsável por um dos maiores números de exportações de barris para outros países.

O Iraque é um país miserável desde a invasão americana. Neste exato momento o governo iraquiano está com sérias divergências sobre a postura que adotará para os próximos períodos em relação aos EUA. Enquanto o presidente Barham Saleh pede moderação, alguns ministros já falam de se preparar para um conflito armado. Por conta de eventos como a Guerra Irã/Iraque na década de 80, a elite Iraquiana pode anteceder um espírito revanchista contra o Irã, entretanto as manifestações massivas de milhões de iraquianos alimentam já há muitos anos um espírito anti-imperialista, o que indica uma clara resistência às ofensivas de Trump e seu exército imperialista na região.

Foto: Essam al-Sudani/Reuters

Para os EUA como mostra a história, é só questão de tempo até se construírem narrativas que justifiquem ataques militares que permitam roubar e espoliar totalmente as riquezas dos povos, mesmo que isso implique a morte de milhares de inocentes, tal como ocorreu no Afeganistão, na Síria, como ocorre até hoje com o próprio Iraque etc.; e em diversos casos se comprovou que a estratégia norte-americana consiste em corromper as lideranças do país, ou em financiar grupos que possam realizar ataques armados internos contra o governo, financiar protestos que gerem instabilidade política, e em último caso, a invasão militar completamente descarada e terrorista.

LEIA MAIS: Lições de um Golpe de Estado

Um fator que pode ter incentivado também a investida de Donald Trump contra os países do Oriente Médio neste momento é a instabilidade política em que se encontra o seu governo, com o número crescente de greves ocorrendo em todo o país, um conflito armado nesse contexto poderia beneficiar as ações das empresas bélicas e petrolíferas, que possuem ampla articulação política para recuperar parte desse apoio para Trump no congresso. Enquanto isso existem ascendentes partidos revolucionários que se posicionam de forma contrária à política de Trump, como o Partido dos Trabalhadores Americanos.

Foi convocada pelos EUA uma conferência internacional, que ocorrerá no começo do ano, para tratar da questão da “ameaça iraniana”, com o objetivo de mobilizar politicamente os países para entrarem de acordo com seu projeto de assalto ao Irã, tal como já fizeram para justificar as suas guerras de rapina, apenas para roubar os recursos naturais de diversos países.

Para o Brasil, certamente será um momento crítico, já que este conflito afeta diretamente o abastecimento de combustíveis do país, visto que o preço dos barris de petróleo já aumentou e aumentará. Barris do tipo Brent atingiram o valor de USD$69,50, um aumento de 4% e o maior valor desde setembro, quando houve o ataque na Arábia Saudita.

O mercado iraniano é um relevante destino das exportações brasileiras, principalmente no setor primário, com a exportação de commodities. Milho, soja e carne bovina responderam por quase 80% de todo o valor exportado para o Irã. Ou seja, nossas relações comerciais se afetarão consistentemente.

Entretanto, de acordo com a conduta submissa do governo de Jair Bolsonaro, se portando como um representante oficial dos interesses de Trump e dos norte-americanos, a pressão de Donald Trump para que o Brasil corte relações comerciais e pressione militarmente o Irã talvez seja bem sucedida, e mais uma vez se coloca diante de nós como os países ricos interferem na vida política dos povos em prol de seus gigantescos lucros e ascensão de suas ações no mercado financeiro.

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