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O “Sentinela da Aldeia” e a poesia vigilante de Pedro Laurentino

O poeta piauiense Pedro Laurentino realizou uma série de lançamentos do seu mais novo livro “Sentinela da aldeia” por cinco capitais do nordeste, começando em João Pessoa (PB), passando por Recife, Alagoas, Aracajú e Fortaleza. Militando hoje na Unidade Popular (UP), Pedro chega a seu quinto livro lançado, sendo esse seu quarto livro de poesias, todos permeados e marcados por uma arte crítica, militante e proposta a convencer o leitor a ler e a viver.
Clóvis Maia
Recife


Foto: Divulgação

Com lançamentos marcados por muita combatividade, poesia e música, Pedro fez dos lançamentos de seu mais novo livro um momento de congraçamento e resistência, trazendo militantes, agitadores culturais, músicos e artistas desses locais para celebrarem uma arte que ajuda a nos manter de pé, vivos e enfrentar essa turbulência que estamos passando em nosso país, com um governo que se declara inimigo também da arte popular e da cultura do povo. Um grande destaque das passagens de Pedro e sua poesia foram os locais de lançamento de seu livro: Sebos, livrarias populares, locais de verdadeira moradia da arte. Nesses locais Pedro recitou seus versos, reencontrou os amigos e companheiros, cantou e tocou violão, fazendo jus ao título de Sentinela, aquele que guarda, protege, vigia.

Em Recife, onde Pedro foi presidente do DCE da UFRPE e presidente da União dos Estudantes (UEP) e ajudou a reerguer o movimento estudantil durante o fim da ditadura, e também exerceu mandato de vereador, lembrou-se do poeta Drummond ao passar em frente onde era a sede do DCE da UFPE, principal local de encontro e resistência à ditadura em Pernambuco, e ver que o prédio se tornou uma rede de Fast-food (“O DCE é apenas um retrato na parede; mas como dói”…) se em 2011, ao lançar seu primeiro livro de poemas (Do que eu sei do mundo) Pedro se apresentou ao mundo com poemas contundentes (“Quanto vale um estômago no cálculo capitalista”- Equação). Mas foi em As Trincheiras do Silêncio, lançado no mesmo ano em que os militares ‘comemoravam’ os 50 anos do Golpe Militar de 64 e as chamadas Jornadas de Junho, eventos esses em que o poeta emprestou seu tempo e militância defendendo sempre como saída para o país uma revolução socialista, fazendo versos como A cara da fome (“eu vi a cara da fome e ela tem cara assassina, mata feito uma infame e morre feito menina”) e Desaparecidos (“o pau de arara da alma é cicatriz que não fecha. Nenhuma pomada acalma a ferida que vira tétano”). Em Farol dos Barcos (2016) o poeta fala sobre esperança mesmo diante da turbulência dos golpes vistos no país naquele ano. Ainda assim ele reafirmava: “Tenho lado. Se me perco tenho medo, mas por força do enunciado estou sempre do lado esquerdo” (Quadrado).

Mas é em Sentinela da aldeia que temos o poeta em sua melhor fase, produzindo bem, fincado em seu território (que é o mundo) e olhando tudo ao redor, antenado, guardando a aldeia e olhando o futuro no horizonte. É o poeta que canta o amor por seu time, celebra a vitória em largar o cigarro, exalta o nome de Marielle e Soledad (as mulheres na poesia de Pedro, aliás, são donas da vida), denuncia com suas rimas precisas o Inimigo de classe, canta o exilado e anuncia um novo mundo. Pedro por derradeiro, porque Pedro também é pedra; aquela pedra que derrubou um gigante na bíblia, e também é um poeta rochedo. Que não deixa sua poesia em casa quando vai pra rua trabalhar, falar com a população num carro de som ou fazer uma greve. Pedro Laurentino, o Sentinela da Aldeia, é, de fato um poeta genuíno e comprometido com as dores e as alegrias de seu povo. A cultura popular só agradece.   

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