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Petroleiros param em todo o Brasil contra demissões e a entrega da Petrobrás

Na madrugada de sábado (01) começou a greve nacional dos petroleiros, deflagrada pela demissão de mil petroleiros da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (FAFEN) da Araucária Nitrogenados S/A (Ansa), subsidiária da Petrobras, localizada no Paraná.

Paulo Henrique Rodrigues


Foto: Reprodução/Sindipetro

BRASIL – No domingo, mais de 8 mil petroleiros já estavam paralisados em 17 indústrias da empresa em dez estados do país. Uma comissão de negociação permanente da Federação Única dos Petroleiros (FUP) está desde sexta feira numa sala de reunião do Edifício Sede da Petrobrás (EDISE), no Rio de Janeiro, para negociar a reversão das demissões mas a empresa se nega a negociar e o cumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho – ACT. No Rio de Janeiro, a Refinaria Duque de Caxias (REDUC) amanheceu cercada por tropas da Polícia Militar para tentar intimidar o movimento.

A disposição de luta dos petroleiros ficou clara por sua capacidade de se mobilizar rapidamente num fim de semana em diversas unidades espalhadas por 10 estados. Segundo a FUP estão paralisadas 12 unidades de refino (refinarias e fábricas), uma termelétrica e quatro terminais. Além disso, os trabalhadores de mais de 20 plataformas marítimas também estão seguindo as orientações do comando da greve. Nesta segunda feira, 03/02/20, a greve se estendeu para 13 estados e mais de 20 unidades do sistema Petrobrás. Desde a semana passada o indicativo de greve, por tempo indeterminado, já havia sido aprovada pelos 13 sindicatos filiados à FUP. A FUP vem trabalhando para ampliar a greve para outras unidades de produção e para a parte administrativa da empresa.

No EDISE, a direção da Petrobrás chegou a cortar a ventilação, a água e a energia no andar onde está a comissão de negociação da FUP. A Justiça do Trabalho determinou que a direção da empresa religasse a energia e a água, numa primeira derrota para a direção entreguista. A ventilação continua cortada, apesar da decisão judicial, o que vem obrigando os representantes da categoria a enfrentar o calor escaldante do Rio de Janeiro. Os representantes dos petroleiros também vêm sendo privados de alimentos, cuja entrega vem sendo barrada pela arbitrariedade de desumanidade da direção da empresa, que vem negando até mesmo que eles sejam examinados por médicos.

Foto: Reprodução/Sindipetro

A categoria está lutando não apenas por seus empregos, mas para interromper a criminosa liquidação da maior empresa brasileira. Desde o início do governo Bolsonaro, partes da Petrobrás vem sendo vendidas a preço de banana, como aconteceu com a Transportadora Associada de Gás (TAG), em junho e com a BR Distribuidora, sua maior subsidiária, no final de julho de 2019. A empresa é a sétima maior empresa de petróleo do mundo e uma conquista do movimento popular nos anos 1950, quando foi criada depois de uma ampla campanha nas ruas em torno da bandeira “O Petróleo é Nosso”. O governo pretende fechar a FAFEN, como pretende vender outras subsidiárias e refinarias da Petrobrás, numa ação deliberada de entrega do patrimônio nacional, sob o argumento falacioso de que pretende “fortalecer a empresa concentrando suas atividades na exploração de petróleo”.

O esquartejamento da Petrobrás na verdade enfraquece a empresa e vai na contramão do que vem sendo feito pelas principais petroleiras do mundo. A integração das atividades– exploração, produção, refino, petroquímica, distribuição, terminais e dutos distribuidores, logística, fertilizantes – é fundamental para dar estabilidade financeira da empresa e para assegurar a soberania nacional em áreas absolutamente estratégicas, como a de energia, produção de insumos petroquímicos e fertilizantes. A entrega da Petrobrás visa fortalecer as petroleiras estrangeiras, principalmente estadunidenses, tornar o Brasil vulnerável aos interesses externos, além de enriquecer os “corretores” que vêm entregando o patrimônio nacional, encabeçados por Paulo Guedes, e que embolsam gordas comissões por isso.

Foto: Reprodução/Esquerda Diário

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