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quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Ao Sul da Fronteira

A América Latina, extensão de países que vai desde o México até a Patagônia, no extremo sul da Argentina, sempre foi uma região bastante explorada pelas potências imperialistas. A revolução industrial européia (síntese do surgimento do capitalismo) não seria possível sem o saque das riquezas naturais (principalmente o ouro e a prata) de nuestra América. Estima-se que esse saque custou a vida de 60 milhões de indígenas que aqui viviam antes da invasão de portugueses e espanhóis. Portanto, já no surgimento do capitalismo, a América Latina sofria a opressão do imperialismo.

Mas os latino-americanos resistem. Desde Tupac Amaru e Sepé Tiaraju, líderes indígenas que lutaram contra a exploração colonial, passando por Símon Bolívar e Abreu e Lima, até os guerrilheiros das décadas de 60 e 70 do século passado, vários são os exemplos de rebeldia sul-americana. Toda essa resistência popular culminou num levantamento popular antiimperialista que alçou ao poder líderes de uma esquerda popular, democrática e antiimperialista. Hugo Chávez na Venezuela, Evo Morales na Bolívia, o casal Kischner na Argentina são alguns dos que, em maior ou menor medida confrontaram os interesses dos EUA na região.

É neste contexto que se passa o documentário, do cineasta norte-americano Oliver Stone, Ao Sul da Fronteira. Demonstrando um profundo conhecimento da conjuntura política local, Stone entrevista os presidentes latino-americanos e mostra cenas de telejornais norte-americanos que falam sobre esses países e mostram um profundo desrespeito e antipatia aos povos latino-americanos por parte da mídia imperialista.

“Ao sul da fronteira dá voz aos pobres” diz Oliver Stone. Decerto que sim, o lançamento do filme na América Latina foi assistido por 6 mil pessoas em Cochabamba na Bolívia. Em outra apresentação aberta, 3 mil venezuelanos assistiram o filme em Caracas. “Nunca na minha vida estive numa sala com seis mil pessoas vibrando e aplaudindo” confessa Oliver Stone em entrevista a um sítio especializado em cinema.

No documentário, Stone vai além do aparente. Mostra como o povo norte-americano (não só o norte-americano, o povo brasileiro sofre o mesmo com a Globo e Cia.) é bombardeado de informação anti-povo. Analistas e jornalistas pedem golpe de estado para derrubar Chávez. Falam de um “índio” no poder na Bolívia de maneira pejorativa e desrespeitosa. E é claro que, por isso mesmo, não poderia deixar de ser atacado pela mídia imperialista. A exemplo da crítica feita ao filme na Veja, “Stone desceu do Olímpo hollywoodiano para exaltar o regime de esquerda de países como a Venezuela.” (http://vejasp.abril.com.br/cinema/ao-sul-da-fronteira) Isto é: Hollywood é bom. América Latina é ruim. Mas é mesmo como disse Hugo Chávez certa vez: “tudo o que cheire a povo enoja a imprensa imperialista.”

Para responder a quem chama o filme de tendencioso e de mau gosto, responde Stone: “Fico impressionado com o fato de que as pessoas dizem que não há críticas no filme. Francamente, há um bocado de críticas a eles [os presidentes] no filme, se olhar mais atentamente. Mas essas pessoas nunca parecem satisfeitas. Há muita crítica ao governo de Chávez no filme, tanto por parte dos americanos quanto dos colaboradores dos americanos na Venezuela.”

Excelente documentário que instigará grandes debates e discussões onde quer que seja exibido. Mas, independente do tom do debate, uma coisa se pode extrair do filme: a América Latina ousa dizer não mais uma vez!

Yuri Pires, Militante da UJR

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