UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Norma Rae, um filme sobre a mulher e a luta sindical

Em uma cidadezinha do Sul dos EUA, (Hinleyville, estado do Alabama), há uma fábrica têxtil de 800 operários, onde as condições de trabalho são péssimas. Falta segurança, sobra um barulho infernal e um salário de fome. Nesta fábrica trabalha uma família de pai, mãe e filha. A filha se chama Norma Rae (Sally Fields, atriz do seriado norte-americano Brothers and Sisters), que constantemente entra em choque com a direção da empresa contra os maus tratos recebidos pelos operários. Em um dado momento, a mãe de Norma perde a audição temporariamente (caso comum em indústrias barulhentas) e é tratada com descaso pelo supervisor.

Daí em diante, Norma passa a reclamar cada vez mais das péssimas condições de trabalho. Notando a “má influência” que era para os demais operários, é promovida pela empresa para o cargo de supervisora de qualidade, como tentativa de cooptação. Norma fica no cargo até o momento em que percebe que seus colegas não a vêem mais com bons olhos, e então volta para o tear.

Certo dia, aparece na cidade Reuben Warshowsky (Ron Leibman), dirigente do Sindicato dos Tecelões da América (TWUA, em inglês), que chega com a missão de organizar a categoria na “única fábrica têxtil norte-americana em que ainda não há sindicato”. Norma e Reuben se conhecem e depois se reencontram, logo após ela ter sido esbofeteada pelo homem com quem mantinha um relacionamento. A partir de então, passam a ter uma relação de amizade e companheirismo muito profunda.

A partir de então, Warshowsky passa a influenciar decididamente o pensamento político de Norma, e muda sua vida radicalmente. Ao passo que se engaja mais no sindicato, vai enfrentando novas dificuldades, principalmente por sua condição de mulher operária. Paralelamente, casa-se com Sonny, outro operário da fábrica, e procura retomar sua vida afetiva. Já é mãe de um garoto e uma garota, filhos de pais diferentes. O filme propõe uma discussão sobre o papel da mulher na sociedade. Como ser a “rainha do lar” sem ajuda do marido no serviço doméstico pequeno e ainda dar conta de participar ativamente das questões de relevância social? Como ser protagonista de sua própria história e da história humana quando se está presa a uma jornada dupla? Como ser dona do próprio destino, quando os salários são mais baixos, quando há assédio por parte de seus superiores e de alguns colegas de trabalho?

Tendo que cuidar dos filhos, da casa, trabalhar na fábrica e ainda organizar o sindicato, vê-se constantemente exausta. Enquanto isso, as reuniões crescem de tamanho e os trabalhadores começam a falar dos seus problemas. Por conta do fortalecimento do sindicato, Norma passa a dedicar menos tempo as tarefas domésticas, o que gera brigas entre ela e seu marido, que não enxerga bem sua militância.

Baseado em fatos reais, Norma Rae (1979), dirigido por Martin Ritt, tem outra cena muito marcante. Quando Norma é demitida, dirige-se para o centro da fábrica, escreve à mão um cartaz com a palavra UNION (sindicato), sobe em cima de uma mesa e, pouco a pouco, os operários vão desligando as máquinas uma por uma, causando uma paralisação de protesto. Mesmo com o sacrifício da demissão de Norma, as vitórias do sindicato logo aparecem.

Denúncia profunda da exploração que sofrem os trabalhadores (e as trabalhadoras em especial) na sociedade capitalista, Norma Rae é uma excelente opção de filme para assistir e debater sobre a luta de homens e mulheres por mudança social, organização de classe e rebeldia.

Yuri Pires, crítico de cinema de A Verdade

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