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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Construção civil para em Belo Horizonte

Todos sabem que a prioridade no Brasil é a Copa de 2014. Reformas e construções por todo o país, licitações suspeitas e corridas e o descaso pelo trabalhador são características que compõem essa prioridade. Como justificativa, o governo propagandeia noite e dia – é claro – os benefícios que um evento como esse trará ao país, a exemplo de emprego, renda, desenvolvimento econômico e investimentos.

Mas, aqueles que constroem essas obras são superexplorados e mal pagos. Assim, mal termina uma greve e já se inicia outra, entre os operários da construção civil de Belo Horizonte. Os primeiros a demonstrar sua revolta foram os operários da obra do Estádio Governador Magalhães Pinto, conhecido como Mineirão, que receberá os jogos da Copa. No dia 15 de junho (uma quarta-feira) ,mais de 500 operários declararam greve, reivindicando aumento salarial, pagamento de 100% de horas-extras, cesta básica mensal de 30 kg e participação nos lucros, além de melhores refeições e instalação de chuveiros quentes. Segundo o sindicato que representa a categoria, apenas três dos 20 chuveiros funcionavam e a comida, muitas vezes, era servida quase crua. A paralisação durou pouco. Em cinco dias o governo do Estado atendeu a todas as reivindicações dos trabalhadores, claro, antes de o acontecimento tomar projeção e virar exemplo. Mas foi tarde demais.

No dia 3 de julho os trabalhadores das obras da Avenida Antônio Carlos, uma das vias de acesso ao Estádio Mineirão, declararam greve. As reivindicações eram as mesmas que fizeram os trabalhadores do Estádio Mineirão, poucos dias antes. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de BH, a greve teve a participação de 180 operários.

No dia 7 de julho os operários das obras de construção da base aérea de Lagoa Santa (Região Metropolitana de BH), também entraram em greve. Aproximadamente 900 trabalhadores suspenderam o trabalho contra o descaso do governo e a exploração da empresa responsável pela obra. As reivindicações eram praticamente idênticas às dos trabalhadores do Mineirão – aí se vê a força do exemplo. Segundo o sindicato, em muitas refeições era servida comida estragada.

As empresas responsáveis pela obra da Avenida Antônio Carlos são a Cowan e a Delta, que formam o consórcio Integração. Já a reforma do Mineirão é feita pelo Consórcio Minas Arena, formado pelas empresas Construcap S.A. Indústria e Comércio, Egesa Engenharia S.A. e Hap Engenharia Ltda. E a empresa responsável pela construção da base aérea de Lagoa Santa é a Schain Engenharia.

Enquanto esses trabalhadores são explorados e malpagos, as obras para a Copa de 2014 são investigadas pelo Tribunal de Contas do Estado de MG, por superfaturamento e contratação de serviços sem licitação. De acordo com relatório do TCE, foram feitos pagamentos por serviços não executados, contratação de obras, bens e serviços por preços superiores aos praticados pelo mercado e fortes indícios de crime contra a licitação. Este é o preço que os governos e empreiteiras querem que os trabalhadores paguem pela Copa, mas a classe operária mostra que sua organização e sua luta têm força para combater a exploração.

Sabrina Santana e Renato Campos – MG

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