UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Filme A Onda é incisiva denúncia antifascista

Filme A ondaO longa-metragem A Onda (Die Welle – Alemanha, 2008), em cartaz nos cinemas, não é exatamente verossímil pelo fato de ser baseado em um acontecimento real. O seu realismo fica por conta do contexto de crise econômica do sistema capitalista, que tem levado as principais potências imperialistas à recessão, punindo os trabalhadores com demissões e com o aumento da repressão política. Também pela descrença de uma grande parcela da juventude num futuro diferente, a falta de um ideal por que lutar, a entrega ao álcool e outras drogas. Cenário ideal para o surgimento de “alternativas de poder” como o fascismo.

O filme é uma adaptação do ensaio The Third Wave (A Terceira Onda), do professor de História Ron Jones, no qual relata sua experiência numa escola da Califórnia (EUA), em 1967, na tentativa de explicar na prática como Hitler e o Partido Nazista chegaram ao poder na Alemanha. Jones criou, em uma semana, um movimento com o lema “força pela disciplina, comunhão, ação e orgulho”, que reproduzia uma estrutura organizacional baseada na autoridade de um indivíduo especial, superior, sobre todos os membros do grupo, e destes sobre todos os demais que os cercavam.

É assim, a partir de um método interativo, que o professor Rainer Wenger (Jürgen Vogel), um simpatizante do anarquismo na juventude, pretende explicar a seus alunos os conceitos de autocracia durante a semana especial escolar sobre os valores democráticos. E já na primeira aula, surge a pergunta que conduzirá toda a narrativa: há espaço para o ressurgimento de um regime autoritário na Alemanha moderna?

No decorrer de uma semana de aulas sobre o tema, professor e alunos criam o movimento A Onda, suas normas de conduta, um espírito de trabalho coletivo e de disciplina, seu logotipo, seu uniforme e até mesmo um gesto de saudação. Sem perceber que são tutelados pelo professor (agora chamado de Sr. Wenger) e que seguem tudo que ele ordena, o grupo recebe novos adeptos e passa a agir fora da sala de aula com atitudes de violência e propaganda ufanista.

Várias passagens do filme retratam ainda a vida pessoal de alguns personagens, evidenciando uma mudança geral de comportamento que tende à violência, à intolerância e a uma autoconfiança nata. Também o próprio professor se transforma. De um defensor das liberdades e pessoa amorosa com sua esposa, passa a um sujeito arrogante, com o ego inflado pelo sucesso do grupo e pela autoridade incontestável que adquiriu sobre seus alunos.

Após o aparecimento de distorções no comportamento do conjunto da classe, duas jovens rompem com o grupo e buscam alertar ao professor e à escola sobre os desvios dos mais entusiastas. No entanto, já é tarde para parar. Vários aspectos da ideologia fascista haviam penetrado na mente dos jovens, que agora se achavam fortes e imbatíveis. E é durante uma partida de polo aquático, em que uma briga generalizada dentro e fora da piscina quase acaba em tragédia, que o professor Rainer se dá conta de que precisa pôr um fim nisso tudo.

As cenas finais são fortes pelo desfecho da assembleia e pela lição de que, mesmo um discurso de igualdade e coletividade pode esconder um fanatismo político, que em nada lembra a consciência de classe e o papel da autoridade conquistada à base do exemplo e do conhecimento da realidade, da luta entre os contrários.

A Onda é um alerta para toda a juventude que anseia por transformações sociais e por um objetivo de vida, que só fazem sentido sob uma perspectiva de superação da sociedade de exploração e opressão das classes ricas sobre as classes trabalhadoras.

Rafael Freire

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1 COMENTÁRIO

  1. assisti o filme aqui na Alemanha. Os atores sao sensacionais, a maioria sao jovens, e o diretor realmente conseguiu colocar  no filme a mensagem  do experimento. Um filme que eu recomendo para quem quer entender o que realmente acontece em uma sociedade. O filme acaba fazendo uma adaptacao e dando destaque aos jovens que sao de familias desestruturadas ou que sofrem disciminacao por sua religiao ou origem , como por exemplo os turcos aqui na Alemanha, os quais acabam se identificando com a 3° Onda e com o “Idealismo da Doutrina”.

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