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domingo, 25 de setembro de 2022

Greve dos ferroviários de São Paulo une categoria

Depois de várias tentativas frustradas de avançar nas negociações da campanha salarial de 2011, os trabalhadores ferroviários da Zona Leste de São Paulo (linhas 11 e 12), representados pelo Sindicato dos Trabalhadores da Central do Brasil, realizaram, nos dias 01 e 02 de junho, uma greve em conquistaram grandes vitórias. Ainda ficou provado, mais uma vez, que a greve continua sendo um instrumento justo e eficaz dos trabalhadores contra as injustiças e a exploração que sofrem.

Inicialmente havia uma grande expectativa em torno da possibilidade de uma greve unificada entre ferroviários e metroviários, paralisando por completo todo o sistema de transportes da Grande São Paulo. Este fato daria ainda mais repercussão ao movimento e pressionaria decididamente o Governo de São Paulo a aceitar as reivindicações dos trabalhadores.

Após várias discussões para unificar as greves, foi acordado o dia 31 de maio para que ambas as categorias deflagrassem o movimento. Porém, no dia marcado, a direção do Sindicato dos Metroviários, mesmo diante de uma assembleia de mais de 1.500 trabalhadores com grande disposição de luta, defendeu não entrar em greve e aceitar a proposta do Governo, o que acabou sendo aprovado.

Mesmo diante desse recuo, a categoria ferroviária não se abateu. Pelo contrário. Cansados de anos de humilhações, salários defasados, péssimas condições de trabalho e jornada de trabalho excessiva, decidiram não amargar mais um ano de perdas salariais. Enfrentaram os patrões da Companhia Paulistana de Trens Metropolitanos (CPTM), que, de forma intransigente, queriam impor um reajuste de apenas 3,27%, percentual muito abaixo da inflação. É importante dizer que no ano passado o governo ofereceu míseros 0,88%.

A greve se iniciou à zero hora do dia 01 de junho. A força do movimento e a indignação dos ferroviários eram evidentes e se espalhou para as outras linhas da CPTM. Logo aderiram à greve também os trabalhadores das linhas 8 e 9 – Sorocabana, fortalecendo ainda mais a luta.

Aos poucos, os trabalhadores foram se concentrando no sindicato num grande clima de expectativa e confraternização. No início da manhã, a constatação: a adesão à greve foi quase total.

Como já era esperado, a Justiça burguesa, através do Tribunal Regional do Trabalho, articulada com o Governo do Estado e a CPTM, apressou-se em estabelecer que o sindicato mantivesse 90% da operação nos horários de pico e 70% no restante do tempo, ou seja, proibiram, na prática, a realização da greve.

Mesmo com a decisão judicial, os trabalhadores estavam convencidos de que não podiam ceder à pressão, e que a única forma de quebrar a intransigência dos patrões seria a greve. Por isso, mantiveram a paralisação total dos serviços, mesmo diante da ameaça de ilegalidade da greve e das pesadas multas ao sindicato.

Repercussão da greve

No decorrer do dia 01 de junho, foi grande a repercussão da greve. Centenas de milhares de trabalhadores não puderam ir trabalhar, e milhões de reais deixaram de ser arrecadados, causando também uma enorme repercussão nos grandes meios de comunicação locais e nacionais.

Neste mesmo dia a direção da empresa apresentou uma proposta na tentativa de dividir os grevistas, oferecendo os mesmos 3,27% e uma progressão na carreira para apenas uma parte da categoria.

No entanto, fortalecendo o movimento, somaram-se à greve dos ferroviários os trabalhadores rodoviários do ABC Paulista, que também cruzaram os braços nas cidades de Santo André, São Caetano, Mauá, São Bernardo do Campo, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, interrompendo por completo a circulação de ônibus na região. Vale ressaltar que os rodoviários aprovaram e fizeram a greve mesmo com a posição contrária do seu sindicato.

No dia 02 de junho, o movimento é colocado diante de um grande dilema. A possibilidade do TRT antecipar o julgamento do dissídio coletivo e decretar a ilegalidade da greve. Neste caso, poderia ser imposto um percentual igual ou menor que os 3,27% oferecidos pela CPTM. Outra arma utilizada pela empresa seria a das demissões em massa, como ocorrido em greves anteriores.

O sindicato então convoca uma assembleia geral para debater os rumos do moviemento e, após calorosos debates e um grande clima de unidade, foi aprovada a suspensão da greve como um recuo necessário ao momento, mantendo o estado de greve até o dia 15 de junho, data do julgamento do dissídio coletivo no TRT.

O Governo de São Paulo e a CPTM, por sua vez, não apresentaram nenhuma proposta nova aos trabalhadores, levando a greve para julgamento no TRT. No dia 15 de junho, em um julgamento bastante tenso, a Justiça, diante da pressão dos trabalhadores, foi obrigada a conceder um reajuste maior do que o proposto pelo Governo: 6,91%.

De acordo com a determinação do TRT, a CPTM, reajustará os salários a partir de 01/03/2011 sendo: 1,54% de compensação do programa de bônus não cumprido pela empresa no ano de 2010, 1,75 % considerando o IPC/FIPE dos meses de janeiro e fevereiro de 2011, resultando em um percentual de 3,29% a ser aplicado sobre os salários de 28 de fevereiro de 2011. Os salários já corrigidos serão acrescidos: 1,5% como aumento real e 2% equivalente a produtividade em 2010, totalizando em 6,91%.

Além do reajuste salarial, os trabalhadores conquistaram ainda estabilidade de 60 dias para todos os trabalhadores, pagamento dos dias parados durante a greve, aumento da licença maternidade para 120 dias, correção das distorções no Plano de Cargos e Salário e um reajuste no ticket refeição, que passou de R$ 15,63 para R$ 18,00 por dia.

Os ferroviários saíram de todo este processo com uma importante vitória econômica, conseguindo dobrar o Governo, mas, sobretudo, com uma imensa vitória política. Para Edson Gutierrez, dirigente da categoria, “a greve foi importante não só pelo aumento salarial, mas principalmente pelo fortalecimento da categoria e pela união que os trabalhadores demonstraram. Conquistamos o pagamento dos dias parados, mas agora temos a consciência de que em outras greves devemos parar independentemente disso, pois o dia de greve é o dia em que trabalhamos para nós mesmos”.

Os ferroviários deram uma grande demonstração de união e junto, com a direção do sindicato em São Paulo, souberam honrar a história de luta dessa categoria. Em vários momentos, ali estava um dos maiores dirigentes do movimento ferroviário do Brasil, o companheiro Raphael Martinelli, que em suas intervenções nas assembleias, nas conversas com os grevistas, relembrava os vários momentos em que esteve à frente de greves passadas e de como aqueles momentos foram fundamentais para que hoje tenhamos direitos como o 13º salário, licença maternidade, férias remuneradas e outros.

Certamente esse exemplo de luta ficará marcado nas vidas de milhares de trabalhadores, bem como a necessidade de nos prepararmos para lutas cada vez maiores.

Wanderson Pinheiro e Fernando Oliveira, São Paulo

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