UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Nossa principal tarefa: combater junto à classe operária

A classe operária é a força principal para garantir e realizar a revolução socialista no Brasil. Sem ela, é impossível vencer a burguesia, seu Estado e seu exército.  Porém, muito embora todos digam que estão de acordo que a nossa tarefa central seja organizar o partido na classe operária, pouco temos avançado nesse trabalho.

Num país onde a classe operária se constitui numa gigantesca força, a ponto de o atual presidente da República ser um ex-operário, é evidente que é necessário conquistar essa classe operária para a revolução. Este é exatamente o primeiro e o mais importante trabalho que hoje temos que realizar.

No entanto, esse objetivo só será atingido se levarmos a classe operária a adquirir uma nova consciência, uma consciência política revolucionária. E para desenvolver a consciência das massas o meio mais eficaz é desenvolver suas lutas. É claro que nessas lutas, a principal ajuda que os comunistas devem dar é no sentido de avançar a consciência da classe operária. Porém, o que devemos entender por consciência de classe?
Consciência de classe dos operários é a compreensão de que o único meio de melhorar sua situação e de conseguir sua emancipação consiste na luta contra a classe dos capitalistas. Assim, consciência de classe dos operários implica a compreensão de que os interesses de todos os operários de um país são idênticos, solidários, que todos eles formam uma mesma classe, distinta de todas as demais classes da sociedade. Por último, consciência de classe dos operários significa compreender que, para alcançar seus objetivos, a classe operária precisa atuar politicamente por meio de seu partido.

Os operários só adquirem essa compreensão a partir da luta que travam contra os patrões no seu dia-a-dia. Portanto, é  estando presentes nessas lutas, atraindo um número cada vez maior de operários para elas, que os comunistas revolucionários conseguirão desenvolver uma consciência de classe no movimento operário. A atividade principal do nosso partido deve ser, portanto, a luta de classe dos operários. Mas essa atividade não deve consistir em idealizar meios de moda para alcançar a influência entre os operários, e sim aderir ao movimento operário, ou, em outras palavras, ajudar os operários na luta concreta que eles estão desenvolvendo.

A greve

Houve tempo em que a indignação dos operários contra o capital se expressava num sentimento confuso de ódio, que os levava a querer se vingar dos capitalistas. Os operários, então, destruíam as máquinas, as fábricas. Esta foi a primeira forma do movimento operário resistir à exploração. Depois, os operários começaram a compreender o antagonismo de interesses entre a classe operária e os capitalistas. E então começaram a se reunir, discutir ações comuns, organizar suas reivindicações e apresentá-las aos capitalistas, a exigir melhores condições de trabalho, aumento de salários e redução da jornada. Para ver essas reivindicações atendidas, realizavam as greves. Cada greve ensina aos operários quem são os patrões e por que eles são seus inimigos. A greve mostra também o tamanho da força da classe operária.

Cada greve enriquece a experiência de toda a classe operária. Se a greve resulta vitoriosa, mostra à classe operária a força da união dos operários e impulsiona outros a aproveitarem o êxito de seus companheiros. Se a greve não é vitoriosa, debatem-se as causas de seu fracasso e a busca de melhores meios de luta.

Nesse momento cabe ao Partido incentivar os operários, em todos os Estados a uma luta firme por suas reivindicações, a lutar por mais direitos, melhores salários e redução da jornada de trabalho. Isso significa estar atento ao surgimento de todas as lutas operárias e fazer-se presente nelas. Nessas lutas, nossa ajuda deve consistir em apoiar suas reivindicações e mostrar-lhes como devem ser encaminhadas; esclarecer quais seus direitos e quais ainda temos que lutar por conquistar. Nossa ajuda deve também orientar sobre qual a melhor maneira de expressar as reivindicações, qual a forma de luta a ser adotada, em eleger o melhor momento para a luta ser deflagrada. Por isso, o sindicato é um instrumento muito importante e, por isso também, é preciso atuar dentro dos sindicatos e conquistar dezenas, centenas e milhares de sindicatos em todo o país.

Apesar dos obstáculos que temos que superar para conquistar influência na classe operária, particularmente a hegemonia dos revisionistas nos sindicatos, é importante frisar que  a grave e profunda crise que hoje assola toda a economia capitalista mundial, como não podia deixar de ser, põe em xeque todas as posições que defendem a conciliação com o grande capital e amplia os espaços para nossa atuação.  Desse modo, adquire uma importância decisiva a tarefa de introduzir no movimento operário as idéias socialistas.

A importância de atuar nos sindicatos
Portanto, aos militantes do Partido cabe a histórica tarefa de colocar o centro dinâmico do crescimento do nosso partido na classe operária.
Em outras palavras, o trabalho operário é a principal forma de trabalho da sociedade capitalista. É aquele que garante todos os produtos que a sociedade consome. É aí, portanto, que devemos concentrar nosso trabalho. Para dar cabo desta tarefa e atender ao imperativo do caráter proletário da nossa revolução, todos os militantes devem empenhar-se, com o máximo de suas forças, para fazer crescer o partido na classe operária.
Mas para aprofundarmos os vínculos com o proletariado, necessitamos ligar o Partido com os sindicatos, isto é, fazer ingressar rapidamente, o maior número possível de comunistas revolucionários nas empresas e nos sindicatos. Só com um trabalho sistemático dos comunistas nos sindicatos operários é possível aproximar as massas operárias do Partido e adquirir sua confiança.
Isto porque, como lembra Dimitrov, “os sindicatos são, nos regimes capitalistas, o principal instrumento da luta grevista, depois da ação de massa aberta contra o capital dos monopólios e seu Estado”.
Mais: os sindicatos representam, para a classe operária e o conjunto dos trabalhadores, a principal organização na sua luta contra os capitalistas e pela defesa dos seus interesses imediatos. Para a grande maioria do proletariado, os sindicatos são suas fortalezas, que os ajudam a defender o salário e a combater os abusos dos patrões.
Assim, de todas as organizações de massas, os sindicatos são aquelas de que mais a classe operária participa e onde mais se mobiliza para lutar por seus direitos e reivindicações. Constitui, portanto, um enorme prejuízo para a Revolução, os comunistas não compreenderem a importância da atuação nos sindicatos, não compreenderem que para impulsionar a revolução é necessário que ingressem nos sindicatos e se apóiem neles. Lênin, em seu importante trabalho O esquerdismo, doença infantil do comunismo, revelou o quanto a posição esquerdista de se ausentar dos sindicatos, alegando que seus chefes são reacionários, era errada. Vejamos:

“(…) Os comunistas alemães de esquerda deduzem do caráter reacionário e contra-revolucionário  dos chefes dos sindicatos que é necessário … sair dos sindicatos!!, renunciar ao trabalho neles!!, criar formas de organização operária, novas, inventadas!! Uma estupidez tão imperdoável, que equivale aos melhores serviços que os comunistas podem prestar à burguesia. …
“Para saber ajudar as massas e conquistar sua simpatia, adesão e apoio é preciso não temer as dificuldades, mesquinharias, armadilhas, insultos, perseguições dos chefes. Além disso, devem trabalhar obrigatoriamente onde estejam as massas.”. (Lênin, Esquerdismo, a doença infantil do comunismo, Editora Símbolo)

Portanto, não atuar nos sindicatos, mesmo os que têm chefes oportunistas e reacionários, significa abandonar as massas operárias, em particular as mais atrasadas, à influência desses oportunistas e reacionários; significa beneficiar a burguesia e sua dominação política e ideológica sobre o proletariado.

De fato, de todas as organizações de massas, os sindicatos são aquelas de que mais a classe operária participa e onde mais se mobiliza para lutar. Na realidade, a primeira manifestação de consciência dos operários o leva a procurar o sindicato ou a se filiar a um sindicato. Foi assim nos séculos XVIII, XIX e XX e continua sendo até hoje. Só após tomar consciência das limitações das ações sindicais, de que apenas com os sindicatos não será possível uma mudança radical e profunda na sua situação, é que os operários percebem a necessidade de construir um instrumento mais profundo, mais avançado e mais poderoso que o sindicato, o Partido.
Como, inclusive, analisa a Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxista-Leninistas (CIPOML) em seu documento A situação internacional e as nossas tarefas, “Os sindicatos são centros importantes de luta e união da classe operária frente ao capital. As lutas nos últimos quinze anos demonstram essa realidade: os sindicatos se constituem, ainda, em organizações insubstituíveis para os operários. Mesmo que alguns manifestem que os sindicatos são inúteis como meios de luta, todos os sucessos da vida econômica e social mostram que  sua presença junto aos operários é mais indispensável que nunca. (…) Os sindicatos são as únicas organizações capazes de unir e organizar juntas a massa dos operários com os operários avançados”. (Revista A Nova Ordem Mundial, Edições Manoel Lisboa.2007)
Prova disso é o aumento de sindicalização que tem se verificado nos últimos anos em nosso país, como revelou estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) a partir de dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) e divulgado em agosto de 2008. Em 1998, o Brasil tinha 11,14 milhões de trabalhadores formais e informais associados aos sindicatos.  E apesar de todo o recuo das lutas sindicais no país, o número de sindicalizados pulou para 16,59 milhões em 2006.
Em 2008, de acordo com a Secretaria de Relações do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o número de sindicatos no Brasil era de 23.077 sindicatos. Pois bem, em quantos desses sindicatos nosso partido tem atuação? Pouquíssimos, como sabemos.
Não bastasse, para formar uma Central Sindical necessitamos de, no mínimo 100 sindicatos nas cinco regiões do país.
Em resumo, a tarefa principal para ligar nosso Partido à classe operária é, de imediato, lançar o maior número de militantes para atuar nos sindicatos operários.  Ingressar nos sindicatos operários, realizar neles um trabalho paciente mas decidido, unificar a classe operária na luta contra o capital, aumentar a influência do partido nos sindicatos e ganhar a confiança, o respeito e a simpatia dos operários, eis as tarefas que levarão nosso Partido a transformar-se no verdadeiro Partido da classe operária.
É evidente que todo esse trabalho se desenvolverá ainda mais rapidamente se realizarmos  conjuntamente brigadas deA Verdade nas fábricas e no centro das cidades, bem como se o jornal se transformar num órgão de denúncia dos abusos e da exploração que os trabalhadores sofrem em seu dia-a-dia.
Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário (PCR) – Julho de 2009

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