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segunda-feira, 28 de novembro de 2022

Morte e Vida Severina: retrato da desigualdade

Capa de Morte e Vida Severina

Um clássico é sempre um clássico. Não importa os anos que passam. Essa regra pode e deve ser usada para o filme feito para a TV Morte e vida severina, baseado no também clássico livro homônimo do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, publicado pela primeira vez em 1955.

Sem cair na mesmice de outras produções que, apesar de muito caras, não têm o dom de transmitir a realidade em poesia. Afinal, histórias como a de Severino são mais comuns do que se possa imaginar

A obra dirigida por Zelito Viana em 1971 consegue retratar os sentimentos presentes no poema de João Cabral e os contrastes da vida real que se faz presente durante todo o enredo do personagem principal: o Severino.

A luta constante do povo sertanejo castigado pela seca e por seus governantes e pela ganância de poucos que possuem tudo, transforma muitos Severinos em retirantes que se embrenham na mesma jornada dolorosa em busca de esperança. O caminho é quase sempre de desgraça, fome e morte. No final, nem todos têm a mesma sorte do protagonista que vê no nascimento de uma criança desconhecida o sonho de dias melhores desistindo de encerrar a própria vida.

O filme abre então a possibilidade de refletirmos sobre a realidade de muitos Severinos dos dias de hoje.  Não é apenas a seca que os flagela. É o desemprego que é muito alto no Sertão e a falta de investimentos que terminam gerando o êxodo rural quando pessoas como o Severino do filme tentam ir aos grandes centros em busca de oportunidades. A maioria deles encontra mais desigualdade ainda. Aliás, a falta d’água no Sertão não é só natural, pois há tecnologia avançada para levar água para essas regiões. Prova disso é lugares desérticos já possuírem mar e rios artificiais, já que esses lugares são de interesse comercial.

Ao nos depararmos com os versos de João Cabral em imagens, os sentimentos surgem: tristeza; raiva; pena; empatia e às vezes até a mesmo impotência diante de tanta injustiça, mas também alegria e a esperança de dias felizes. Com grandes atuações de Luiz Mendonça, José Dumont, Elba Ramalho e Jofre Soares, o filme mostra nossa realidade nua e crua que, apesar de terem se passado mais de 50 anos, pouco ou quase nada mudou.

Ver está obra-prima comove e encanta e é uma boa opção para quem gosta de refletir sobre a realidade social de nosso país.

Lene Correa, Recif

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