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sexta-feira, 9 de dezembro de 2022

Minas Gerais sofre com descaso político em tempos de chuvas

“Do lama ao caos, do caos à lama”. Esses versos do grande poeta e músico pernambucano Chico Science cabem na realidade de Minas Gerais. Desde outubro chuvas fortes vêm ocorrendo por todo o estado. O resultado dos temporais mostra que mais um ano passou e os governantes não tocaram em obras necessárias para enfrentar o enorme volume de água que cai nessa época do ano.

De acordo com a Defesa Civil, mais de dois milhões de pessoas já foram atingidas pelos estragos provocados pelas chuvas. Até o momento, 8.145 pessoas tiveram que deixar suas casas e estão desalojadas, outras 390 perderam suas casas e estão desabrigadas e foram registradas mortes em Belo Horizonte, Governador Valadares, Mariana e Reduto. E o número de feridos já chega à 42 pessoas (ainda em crescimento).

Belo Horizonte é uma das cidades mais atingidas pelas chuvas, apesar de toda a propaganda feita pela prefeitura sobre prevenção aos efeitos da chuva nos últimos meses. O que se vê, ao contrário da propaganda, é enchentes, desabamentos e um verdadeiro caos na cidade a cada chuva.

O trânsito de Belo Horizonte e região metropolitana é o que mais sofre com os efeitos da chuva. Depois da chuva da última quinta-feira e os alagamentos, crateras e interdições, os problemas continuam. Um buraco causa transtornos à motoristas no Anel Rodoviário, altura do km 17, no Bairro Engenho Nogueira. Também, um buraco de 1,5 metros de diâmetro apareceu na manhã da última sexta-feira, logo depois do trevo com a Avenida Presidente Carlos Luz, no sentido BH/Vitória. Problemas semelhantes acontecem em Contagem, Santa Luzia, Ibirité, entre outras cidades. Números que se multiplicam por todo o estado com estradas esburacadas e em péssimas condições, causando graves acidentes e transformando Minas Gerais no campeão em acidentes no país a cada feriado prolongado.

Inundações e desabamentos

No dia 15 de dezembro, na Avenida Cristiano Machado, em Belo Horizonte (na altura dos bairros Suzana e Primeiro de Maio) centenas de moradias foram atingidas por enormes inundações. A maioria dos moradores perdeu praticamente tudo: eletrodomésticos, móveis, carros, etc. No dia seguinte, os moradores do bairro Primeiro de Maio realizaram um protesto reclamando que medidas sejam tomadas e que os problemas sejam resolvidos. Denunciaram, também, que a maioria estava sendo afetada pela segunda vez pelo mesmo motivo – chuvas –, agravada por conta das promessas não cumpridas pela prefeitura.

Na cidade histórica de Mariana, a Defesa Civil informou no sábado (24) – véspera de Natal – que a cidade já registrava um quadro de 200 pessoas desalojadas, 88 desabrigadas e cerca de 50 residências comprometidas devido às intensas e contínuas chuvas que caem pela região nos últimos dias. O nível do rio Ribeirão do Carmo elevou-se aproximadamente seis metros, atingindo várias residências em vários bairros e distritos. Também foram registrados vários pontos de deslizamentos de encostas.

Já o ano de 2012 começou com uma tragédia na capital. Um prédio de oito apartamentos desabou no bairro do Caiçaras, região Noroeste, na madrugada chuvosa do dia 2 de janeiro, matando uma pessoa e deixando dezenas de famílias desabrigadas. O mesmo quadro ocorre no bairro Buritis, com vários prédios ameaçando desabar e apresentado grandes rachaduras, obrigando seus moradores a abandonares seus apartamentos. A partir de então, passando a incluir casos com bairros de classe média, localizados próximos ao Centro de BH.

O mesmo descaso de sempre

Não se trata de nenhuma novidade. Sempre a partir de outubro começam as chuvas e acabam por dezembro caindo com mais intensidade. Essa tem sido uma tônica nos últimos anos. Mas como é de praxe, tanto as prefeituras como o governo estadual passam o restante do ano ignorando a necessidade de realizar as obras de infra-estrutura urgentes para a melhoria das condições de vida da população. Quando chega este período do ano, repetem que o problema é que “choveu mais que o previsto…”. Ora, se trata de previsão, portanto, não quer dizer que as chuvas cairão de acordo com o que previram os meteorologistas. Mesmo assim vários alertas foram dados pelos meteorologistas de que o volume de águas seria muito grande.

Enquanto a mídia oficial segue o roteiro de colocar a culpa na natureza, quem sofre as consequências é a população, especialmente, nos bairros mais pobres de BH e cidades do interior.

O que mais se vê é pessoas morrendo, perdendo suas casas e seus pertences porque os governos não investem o suficiente nas verdadeiras obras que podem beneficiar o povo. A prioridade do momento são as obras da Copa do Mundo, onde, para estas, não faltam recursos. Enquanto isso, a administração da prefeitura de Belo Horizonte (de Márcio Lacerda), não construiu nenhuma casa do programa Minha Casa Minha Vida e as obras que fez em relação às chuvas foram mais para propaganda do que para realmente resolver os problemas que vive o povo. Uma vergonha para quem se autoproclama a “melhor prefeitura do país”. Só se for para engomadinhos dos institutos de pesquisas, porque para a população é a “pior prefeitura do Brasil”.

Até o fechamento dessa edição, já somavam 99 cidades afetadas pelas chuvas em Minas Gerais. Desse total já resultam 44 cidades que decretaram estado de emergência. As regiões mais afetadas são os Vales do Mucuri e Rio Doce, a Zona da Mata e a região central do estado.

Essa situação mostra que não resta outra opção para a população senão se organizar a lutar contra o descaso e as péssimas condições de moradia a que estão submetidas.

O ano começa com muitos desafios para os movimentos sociais e populares de Minas Gerais. As passagens de ônibus aumentaram de R$ 2,45 para R$ 2,65 na tarifa mais barata da capital, no último dia 30 de dezembro de 2011. Os “nobres” vereadores ainda aumentaram seus salários em 61% no apagar das luzes e até mesmo na festa de Reveillon, na Praça da Estação, a população teve que trocar quilos de alimentos para conseguir ingressos, numa festa paga com o dinheiro do contribuinte. E por fim, em janeiro a população tem que pagar o famigerado IPTU.

Portanto, vamos arregaçar as mangas e ir á luta!

Fernando Alves e Leonardo Péricles

Redação Minas Gerais

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